2 dias em São Luís: roteiro e dicas

26 julho 2015

O que fazer em São Luís

Cidade dos Azulejos. Capital brasileira do reggae. Assim é conhecida São Luís, a capital do Maranhão.  Provavelmente o motivo maior da sua viagem seja conhecer os Lençóis Maranhenses mas reserve ao menos 2 dias para conhecer o essencial de São Luís. A cidade tem muito a oferecer em termos de História e cultura popular, principalmente se for no mês de junho, em que as apresentações do Bumba meu boi se espalham pelos arraiás da cidade.

Fazendo as contas, eu só tive praticamente 3 dias em São Luís, somando as duas viagens. Falta conhecer  algumas atrações do Centro Histórico, que ficará para uma próxima oportunidade. Eu comento sobre estas atrações no “roteirinho” abaixo.

Dia 1 – Centro Histórico

A história de São Luís começa em 1612, quando a expedição comandada por Daniel de La Touche, o Senhor de La Ravardière,  fundou o forte de São Luís. O nome do forte (do francês, Saint Louis) foi uma homenagem ao então rei Luís XIII, dando origem à colônia França Equinocial. Após a saída dos franceses – em acordo com os portugueses, São Luís ainda foi invadida pelos holandeses – que permaneceram por ali por três anos – para finalmente em seguida, colonizada pelos portugueses.

São Luís é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO devido à preservação da arquitetura colonial dos casarões do Centro Histórico. Muitas fachadas continham azulejos trazidos de Portugal (por esta razão, o apelido de “Cidade dos Azulejos”) para isolar termicamente o ambiente no interior das casas.  O Centro Histórico é um museu a céu aberto.  Pena que muitos dos casarões estejam com aspecto de abandono! Provavelmente, mais um descaso do Poder Público e dos proprietários, por que não dizer. O coração do Centro Histórico fica no bairro de Praia Grande.

Veja estes mapas: mapa 1 | mapa 2

ATRATIVOS

Sempre é bom você já estar com o mapa (verifique se o seu hotel tem um). Caso não tenha, comece seu roteiro pela Casa do Nhozinho, na rua Portugal (rua do Trapiche). Lá eles distribuem o mapa do Centro Histórico gratuitamente.

Casa do Nhozinho –  rua Portugal, 185.  O nome do espaço é em homenagem ao artesão Antonio Bruno Pinto Nogueira, o Nhozinho. Famoso por suas peças esculpidas na palha de buriti.  Com todas as suas limitações, a obra de Nhozinho é admirável. Além das peças de Nhozinho, há vários objetos que remetem à vida do maranhense como barcos, o Bumba meu Boi, artesanato indígena, etc. A visita é guiada e a entrada é gratuita.

Casa de Nhozinho
Exposição na Casa do Nhozinho

Saindo da Casa de Nhozinho, aproveite e visite a Casa do Maranhão.

Casa do Maranhão –  Espaço dedicado que fala sobre as tradições e a cultura maranhense o Bumba Meu Boi. Também há uma área que fala dos grandes escritores maranhenses. Ignorância da minha parte, não sabia que Humberto de Campos, Ferreira Gullar, Aluísio Azevedo, Artur Azevedo e Gonçalves Dias nasceram no Maranhão. Há salas com exibições de vídeos. Entrada gratuita.

Casa Maranhão

Volte para rua Portugal (rua do Trapiche) e repare na fachada das edificações. É nesta rua que está a maior sequência de casarões com fachadas azulejadas, como o que está instalado o Museu de Artes Visuais. As empresas mais importante da época possuíam estabelecimento ali. Aproveite e distraia-se nas várias lojinhas de artesanato.

Rua Portugal
(1) O edifício de 3 andares com fachada azulejada é ponto de referência. Ali é a rua Portugal. (2) As diversas lojinhas de artesanato; (3) a rua Portugal ou rua do Trapiche vista do outro lado.  No primeiro plano, à esquerda é a Casa do Nhozinho, ao lado da fechada Oficina de Turismo.

Os azulejos da Rua Portugal
A rua Portugal

Na rua Portugal, entre no beco que dá para Casa das Tulhas. O beco fica justamente ao lado de uma loja onde você encomenda azulejos com o seu nome grifado. A Casa das Tulhas era um antigo armazém que foi transformado em mercado público. As várias barracas oferecem produtos típicos da região como a geléia de pimenta, o doce de espécie, a tiquira, frutos regionais e artesanato. A entrada principal fica na rua Estrela.

Casa das Tulhas
Fartura de camarões, o buriti e a tiquira na Casa das Tulhas

Siga em direção a rua Giz. Se a esta altura estiver com fome, há alguns restaurantes na rua do Giz (rua Vinte e oito de julho).  Um restaurante bastante recomendado em Praia Grande é o restaurante-escola do SENAC. Funciona no sistema self-service ao preço de R$  48.  Cada dia é uma especialidade. Só não almocei lá porque a especialidade do dia era frutos do mar.  A localização é na rua de Nazaré. Esquina com a rua do Giz.

Rua do Giz
A rua do Giz. O prédio de fachada amarela é o restaurante do SENAC.

Suba a escadaria praticamente em frente ao restaurante do SENAC e visite a Catedral de São Luís, a Igreja da Sé.

Igreja da Sé

Ao lado da igreja está o hotel Grand São Luís e alguns metros adiante, o Palácio dos Leões, sede administrativa do governo do estado.

Palácio dos Leões –  Antigo forte de São Luís cuja construção foi transformada em palácio pelos portugueses. Entrada gratuita. Uma parte do palácio está aberta a visitação. As visitas são guiadas e a entrada é gratuita. É proibido fotografar durante todo o tour guiado.

Palácio dos Leões

O roteirinho pelo Centro Histórico termina aqui mas há outros lugares interessantes para se conhecer como o teatro Arthur Azevedo, o Museu Histórico e Artístico do Maranhão, o Convento das Mercês, o Museu do Negro ou Museu Cafuá das Mercês e Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (clique aqui para ver um episódio do “Conhecendo Museus”  da TV Brasil). Também não assisti a exibições do Tambor de Criola. Com isso, vem as dicas para quem quer conhecer um pouco sobre o Centro Histórico em Praia Grande.
Palácio dos Leões

DICAS

1 – Reserve um dia inteiro para conhecer as ruas, os becos, os centro culturais e outros espaços aberto a visitação.

2 – Se pretende conhecer o Centro Histórico, deixe para fazer em dias de semana – terça a sexta. Às segundas, muitas das atrações estão fechadas. Nos finais de semana, o Centro é muito deserto.  Deixe o final de semana para conhecer  a Av. Litorânea ou ir em Alcântara.

3 – Por falar em segurança, recebemos vários alertas sobre a violência da cidade. Bom, eu sou do Rio e desconfio muito quando alguém fala que o lugar X está perigoso. “__Perigoso quanto?”, sempre pergunto. Do jeito que fomos avisadas, a recomendação era até para evitar a cidade. Não é necessário. Tomando os devidos cuidados (coisas que quem mora em grandes cidades está acostumado), dá para conhecer sim o Centro Histórico. Inclusive, não sei se tem a ver com o São João, vimos policiais fazendo ronda nas redondezas.  Porém, isto não te dá passaporte para ficar andando com jóias nem ficar com a câmera fotográfica pendurada no ombro como se fosse bolsa. Olho! No período que estive por lá, as notícias dos jornais sobre a violência em São Luís não eram nada tranquilizantes.  Uma pena que a violência esteja se alastrando cada vez mais pelo país.

4 – Caso queira conhecer o interior do Palácio dos Leões, não vá de salto alto. Na entrada do palácio, é necessário colocar uma proteção nos sapatos para não danificar o chão do palácio, que é de madeira. Eu esqueci o nome do tecido mas parece ser o mesmo da touca que os profissionais de saúde usam.

 

Saiba mais : 

TV Brasil – 400 anos de São Luís (2012)
IPHAN
Passeio Urbano – Infelizmente só conheci este site depois de voltado da viagem. Tem vários artigos sobre os atrativos de São Luís e roteiros por Praia Grande, Nazaré, etc.

Revista de História – Tambor de Criola

Dia 2 – Avenida Litorânea

A melhor dica para aproveitar as praias de São Luís é caminhar pelo calçadão ou pela areia, admirar a paisagem e aproveitar a infra-estrutura dos quiosques. As praias na maioria das vezes estão impróprias para banho (sempre vejam as placas sobre as condições de balneabilidade das praias) e as águas barrentas (não espere o “azul da cor do mar”).   Das praias, creio que a mais agradável para a família seja a praia do Calhau. Inclusive, por lá há opções de hospedagem com boa relação custo/benefício.

São Marcos

Como dica de boa comida, indico o restaurante Cabana do Sol. Comida farta e muita boa. Sem falar nas sobremesas!  À noite, uma boa pedida é a pizzaria Vignoli , cuja particularidade é que não se come a pizza com talheres mas sim com luvinhas de plástico. A pizza é muito boa, de massa fina. Ambiente agradável e  praticamente a beira-mar. Falei com mais detalhes no post de Comes & Bebes da viagem.

Sendo assim, reserve uma manhã ou uma tarde para ir ao Calhau.

Faltou conhecer

Além de vários lugares no Centro Histórico, ficou faltando passar um tempo na Lagoa da Jansen.  Só passei por lá em uma parada para fotos no city-tour, então não posso dar pitacos mas conheci gente que se hospedou por lá e teceu elogios sobre diversão à noite. Então, acho que vale a pena dar uma pesquisada.

São Luís combina com …

Alcântara
São José de Ribamar
Raposa

Onde ficar em São Luís

Eu já me hospedei no Calhau e no Centro Histórico. Ambos tem suas vantagens e desvantagens. O Calhau tem a vantagem de poder andar pela noite no Calçadão, opções de restaurantes e quiosques com mais segurança. A desvantagem é que as atrações principais da cidade estão no Centro, então por isso se justifica estar hospedado por lá.  Eu que a princípio não queria ficar por lá, acabei gostando principalmente por estar em período de festejos juninos – a corrida de táxi é mais barata para o Arraiá Maria Aragão e há festejos também próximo ao terminal Praia Grande. A desvantagem do Centro é o que todos falam e você lê em diversos depoimentos na internet e guias de viagem: a segurança.  O Centro Histórico é muito deserto nos finais de semana. A sensação não é boa. Para ter uma ideia, chegamos na sexta à tarde e já achamos o lugar vazio, quando esperávamos que isso só aconteceria no sábado à tarde.  Então, fique esperto! À noite, não é um bom lugar para ficar circulando. Sugiro ir para orla ou para lagoa do Jansen (sempre de táxi!). Se tivesse que ir mais uma vez em São Luís e fosse durante o mês de junho, ficaria no Centro Histórico. Caso contrário, ficaria na orla.

6 Comentários

  1. Adrik disse:

    Olá, Pat!

    Estou indo passar férias em São Luís e seu post foi me ajudou bastante. Suas dicas e seu blog são show!

  2. Olá Pat! Gostei muito do seu relato detalhado. Estive lá recentemente e gostei muito, até relatei no meu blog. Bjs Andreia http://www.mardevariedade.com

  3. Jozimar disse:

    Muito boas as dicas e informações, realmente enche-nos de orgulho e satisfação saber que há uma exposição de belezas arquitetônicas, naturais, culturais e de biodiversidade neste recanto do mundo e o melhor no nordeste e no Brasil. Se sobressai a tudo isso,calor humano e hospitaleiro desse humilde, apaixonante e lindo povo maranhense. Não esquecendo o bom gosto desse belo trabalho.

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