As bodegas de Ica

9 fevereiro 2015

Hospedagem: Hosteria Suiza

Nada a reclamar do hotel. Creio que deva ser a melhor hospedagem da ilha. O hotel tem até piscina. O único senão é a água da torneira do banheiro que não me pareceu apresentável mas creio que isso deva acontecer em todas as hospedagens de Huacachina. Eu poderia falar também da escassez de papel higiênico mas isso é perceptível em outros lugares. Por isso, a dica: traga papel higiênico, útil principalmente no banheiros das atrações peruanas.

O café da manhã é praticamente o mesmo do Runcu: suco, café, chá ou leite (preferimos café preto), pão, ovos mexidos sem presunto e queijo, geléia e manteiga. Ao olhar para piscina, reparamos que já dava para ver as dunas e vimos corajosas pessoas já com suas pranchas de “sandboard”.

Após o café, fomos fechar os passeios na agência recomendada pelo motorista e que por coincidência, veio a ser a mesma agência elogiada num relato que li no Mochileiros.com, a Peru in your Hands. Fechamos os passeios “Bodegas de Ica” e o passeio de bugue (chamado de Areneros) para o dia de hoje e “Islas Ballestas” e “Reserva Nacional de Paracas” para amanhã. Tudo custou 160 soles. Não está incluído as taxas: entrada nas dunas de Huacachina, taxa para Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas. Ainda descobrimos que na agência já vendia a passagem da Cruz del Sur para Lima.

Pela manhã, caminhamos pelo oásis e vimos que é bem pequeno. As fotos enganam. O lago é pequeno e poluído. Não me atreveria a molhar meus pés ali. Crianças adoram andar de pedalinho por ali. Outros, vão já de manhã praticar o sandboard. Nós ficamos por ali a observar o vai e vem das pessoas, que na noite anterior parecia que o local estava lotado. Agora, pela manhã, tudo parecia um deserto. Almoçamos um espaguete no restaurante Sol de Ica por 16 soles.

Às 13:00 fomos para Ica, conhecer as bodegas. Eu não sei dizer tecnicamente qual é a diferença entre bodega e vinícola, mas visitamos a vinícola Tacama e bodega El Catador. Eu estava na expectativa de saber como é o processo de fabricação do pisco, a bebida nacional.  Quem já foi para o Chile, provavelmente já deve ter ouvido e bebido o pisco. Saibam que a origem da bebida é peruana, con orgullo.

Vinícola Tacama

É a mais antiga vinícola peruana. Ao chegarmos, fizemos o tour guiado, que passou por algumas dependências da vinícola e depois fomos à degustação. O tour fala mais sobre a história da família do que do processo de obtenção do pisco e dos vinhos. Confesso ter ficado frustada (mal acostumada com o tour da vinícola Undurraga, no Chile). Não experimentei o pisco ali. Sou medrosa risos. Minha amiga experimentou e quase teve um treco. Achou a bebida horrível (o pisco sour). Agora, verdade seja dita, o local é bonito. Inclusive no dia que fizemos o tour, estavam preparando a parte principal para um casamento (que chique, casar em uma vinícola!).

Vinícola Tacama

Bodega El Catador

Bodega familiar. Todo o processo de obtenção do pisco é feito de forma artesanal. Assim que chegamos, fomos encaminhados para fazer o tour. Desta vez, tivemos muita sorte pois a guia era excelente. Um espanhol facílimo de entender e muito engraçada. A hora da degustação, tomei coragem e provei o pisco! Segundo a guia, tem toda uma técnica para apreciar a bebida. Fiz o que ela recomendou e não achei tão ruim. Bom, fez me lembrar a cachaça (perdoem-me pessoas cultas etilicamente falando!).

O pisco é uma bebida obtida pela fermentação da uva. Há três tipos de pisco: o puro, o acholado e o mosto verde. O pisco puro tem a sua fermentação completa, que é em torno de duas semanas. Cholo significa mestiço. O povo peruano é cholo. Pisco acholado é o pisco obtido da mescla de uvas. No caso da El Catador, uvas torontel e quebranta. Já o mosto verde, a fermentação é feita por apenas cinco dias, com o propósito de reter o açúcar. Por isso, seu sabor é mais suave. A guia nos explicou ainda que para ter a mesma quantidade de pisco, é necessário o dobro de uvas no caso da mosto verde. Por isso é mais cara. Seu nome é uma alusão ao suco da uva (mosto) e ao processo de fermentação ser mais curto (verde).

El Catador

A volta para Huacachina foi às 16:00.  Pegamos um trânsito pesado em Ica mas deu tempo suficiente para fazer o passeio de bugue.

Conclusão: eu havia lido antes de viajar alguns relatos falando que era pegada de turista o passeio às bodegas de Ica. Eu não achei. Gostei muito e se tiver um tempo a mais para fazê-lo, recomendo.

 

2 Comentários

  1. Manuella disse:

    Oi Pat,

    Nos passeios que custaram 160 soles foi para cada pessoa ou para 2 pessoas?

Deixe seu comentário