Bate-volta a Alcântara

26 julho 2015

Alcântara é uma cidade histórica com ar bucólico que se pode visitar em um único dia a partir de São Luís. Antiga aldeia de índios tupinambás,  foi elevada a categoria de vila em 1648.  Alcântara já foi uma das cidades mais ricas do Maranhão durante o período colonial, graças à produção de algodão e arroz. Entrou em decadência no século XIX, agravada pela abolição da escravatura. O conjunto arquitetônico de casarões, igrejas e outras edificações, testemunhas daquele período próspero, levaram o IPHAN a considerar Alcântara como patrimônio histórico nacional.

Como chegar a Alcântara

O acesso mais rápido é pela baía de São Marcos. As embarcações saem do Cais da Praia Grande, no Centro Histórico. Confirme no dia anterior, o horário de saída das embarcações e tenha dinheiro trocado para pagar o ingresso.  Como a variação das marés é muito grande na baía de São Marcos, não há horários fixos para saídas dos barcos.  O barço balança consideravelmente. Para quem é mais suscetível a passar mal, convém tomar remédio anti-enjoo.  A viagem dura cerca de 1 hora.

Terminal Hidroviário
Terminal hidroviário de Alcântara

A chegada é no porto de Jacaré – Terminal hidroviário de Alcântara. Se estiver por conta própria, indico entrar para confirmar o horário da volta das embarcações e assistir um vídeo que fala sobre a cidade. Em tempo: se você gosta de cidades históricas e quer saber mais sobre sua História, convém contratar um guia. Logo ao chegar no porto, algumas pessoas oferecem seus serviços de guia por Alcântara. Os pontos turísticos são acessíveis a pé.

O que conhecer em Alcântara

Todas as atrações de Alcântara são facilmente conhecidas a pé a partir da ladeira do Jacaré, que foi o ponto inicial do nosso percurso. Conhecemos as atrações:

– Porto do Jacaré

– Ladeira do Jacaré
Principal ponto de acesso a cidade. Destaque para o desenho em forma de losango que as pedras fazem, lembrando o símbolo macônico.

Ladeira do Jacaré

– Capela de Nossa Senhora das Mercês
– Capela de Nossa Senhora do Desterro
– Igreja de Nossa Senhora Do Carmo
As igrejas de Alcântara
As igrejas de Alcântara: (1) Capela das Mercês; (2) Capela N Sra do Desterro e (3) Igreja do Carmo.

– Rua da Amargura
Antiga rua Bela Vista, local de moradia das famílias alcantarenses mais ilustres. Há duas versões para o nome da rua: uma é pelo pranto das mães ao se despedirem dos filhos que sairiam da vila para estudar em Coimbra e a outra em referência aos escravos que passavam por esta rua para serem castigados no pelourinho.

– Ruínas do casarão do barão de Mearim e ruínas do casarão do barão de Pindaré (Casa do Imperador)
A notícia que o Imperador Pedro II viria a Alcântara gerou a rivalidade entre dois barões: o de Mearim e o de Pindaré. A disputa era para ver quem construiria o mais belo palácio para hospedar Pedro II. Reza a lenda que a história acabou em tragédia. Houve um assassinato de um dos barões e por esta razão, o imperador cancelou a viagem.

Ruínas Barão Pindaré
Ruínas do casarão do barão de Pindaré, conhecido por alguns como A Casa do Imperador. Em frente à Igreja do Carmo.

ruínas Mearin
Ruínas do casarão do barão de Mearim (1) e (2). Rua da Amargura (3).

– Praça da Matriz
Abriga o pelourinho, as ruínas da igreja de São Matias. A praça é rodeada de sobrados como a Prefeitura (antiga Casa da Câmara e Cadeia) e o Museu Histórico de Alcântara.

Igreja São Matias
ruínas da Igreja de São Matias

31 Praça Matriz
Museu Histórico do Maranhão, as ruínas da igreja de São Matias e o pelourinho com a Prefeitura à esquerda.

– Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Igreja construída pelos escravos. Infelizmente, o nosso tempo estava curto e não deu tempo de ouvir a história contada pelo senhor que estava ali com o tambor de crioula. Ficará para uma próxima vez!

– Casa de Cultura Aeroespacial
Na década de 80, a cidade foi escolhida como local da construção de um novo centro de lançamento aeroespacial, graças a sua privilegiada posição geográfica, próxima à linha do Equador.  O Centro Aeroespacial não está aberto a visitações sem agendamento mas há a casa de cultura aeroespacial que contém textos explicativos sobre a história dos projetos aeroespaciais brasileiros e sobre o CLA em particular. A visitação é gratuita. Nós tivemos a sorte de encontrar com um militar aposentado que trabalhou por alguns anos no CLA e teve a maior boa vontade em explicar tudo sobre o assunto. Obrigada!

Compras

Eu acho que a melhor lembrança que você pode levar de Alcântara é o doce de espécie. É um doce feito de coco. Vende a unidade (R$ 2) ou bandeja com 6 unidades a R$ 10. Eu acabei esquecendo de fotografar mas neste link você saberá como é a cara dele. Aproveitando que já falei de comida, estando calor em Alcântara (muito difícil que não esteja), não deixe de dar uma passada na Sorveteria Açaí.

Planejando seu daytrip (bate-volta) a Alcântara

1 – Se estiver hospedado no Centro, recomendo que vá ao terminal de Praia Grande (98 3232-0692) no dia anterior para saber o horário de partida das embarcações para Alcântara. Para quem está na orla, recomendo telefonar com antecedência .. Aproveite e já pergunte o preço pois eles têm dificuldade em conseguir troco;

2 – Sabendo o horário chegue ao menos com meia hora de antecedência;

3 – O barco balança demasiado. Se tem facilidade para enjoar, tome um remédio anti-enjoo antes (logicamente, o que não dá sono!);

4 – Pegue um mapa na secretaria de Turismo;

5 – Há várias pessoas que oferecem serviços de guia. Eu gosto de ouvir a história do lugar, nós contratamos e pagamos cada uma R$ 10. Achei que valeu muito a pena.

6 – Em Alcântara existe a sesta (dormir após o almoço). Logo após o almoço os estabelecimentos fecham e só abrem próximo do fim de tarde. Então, não deixe para comprar pra depois seu doce de espécie (experiência própria).

Se tivesse que repetir o passeio, o que eu mudaria no roteiro?

O dia que eu fui a Alcântara foi um dia em que o período de chegada e saída da cidade foi mais ou menos 4 horas. Então, tudo ficou corrido. Não tivemos tempo para fazer o passeio depois por conta própria e fotografar à vontade e comer com calma.  Porém não me arrependo porque gostamos muito do serviço do guia que graças a minha excelente memória não me recordo o nome. Almoçamos na pousada/restaurante — mas o serviço foi extremamente lento que por pouco comprometeu a nossa volta para São Luís.

Se eu tivesse que voltar a Alcântara, com certeza seria nos festejos para a festa do Divino Espírito Santo. Ficaria um dia por lá e faria os passeios como a revoada dos guarás e conheceria os locais. Apesar de não ter gostado da lentidão do atendimento do restaurante, me hospedaria lá porque o ambiente e a vista é agradável.

Saiba mais sobre Alcântara

Site Cidades Históricas

Passeio Urbano

Wikimapia – Alcântara

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