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Nevado Chacaltaya e Valle de La Luna

19 maio 2011

O desafio do Nevado Chacaltaya, a mais de 5.000m de altitude

O Chacaltaya é uma das montanhas mais altas da Bolívia. Era lá que havia a estação de esqui que era considerada a mais alta do mundo.  Esta estação foi desativada devido ao aquecimento global. Para ver neve lá, é mais provável no verão, por causa das chuvas.

O Chacaltaya está a mais de 5.000m de altitude. É recomendável aclimatar-se antes.  Portanto, devemos deixar este passeio como o último a fazer em La Paz.  Estava ansiosa para descobrir a sensação de chegar ao cume.

Como era previsto ter muito frio, usei o corta-vento, uma touca e luvas.  O passeio de hoje não tem almoço por isso é bom levar lanches.  A van providencialmente parou numa rua onde havia uma espécie de minisupermercado para quem queria comprar algo.  Compramos banana.

Antiga estação de esqui de Chacaltaya

O desafio é chegar ao topo da montanha, esta na figura abaixo. São pouco mais de 100 metros. Parece uma eternidade: tem que vencer o frio, o vento e a altitude.  A aclimatação é muito importante.

Todo o grupo chegou ao topo exceto nós.  Eu até tentei mas a cada 10 passos era necessário parar para descansar e respirar. Falta ar! Desisti no meio do caminho. Ajudou também não ver mais ninguém no grupo.  Então, fiquei pela estação fotografando.

Parece pouco para chegar ao topo mas lembre-se que estamos a mais de 5.000m de altitude.

Quase na metade do caminho rumo ao cume. Pena que acabei desistindo…

Chacaltaya, a foto clássica

Creio que o último do grupo voltou depois de uma hora.  Com o frio que estava fazendo, entrei na Kombi e fiquei aguardando o restante.  Estava com mal-estar.  A van novamente passa para La Paz para ir ao Valle de La Luna.  Eu resolvi descer em La Paz para descansar.

O motorista nos deixou na Av. 16 de Julio, próximo a igreja São Francisco.  Até a calle Llampu, a principal são três quadras.  De ladeira.  Demorei séculos para chegar na Llampu.  Faminta, parei numa cafeteria e pedi que me indicassem um lugar decente para comer. De preferência, sem condimentos.  A senhora da cafeteria foi até comido a um restaurante lotado.  Como não tinha mais lugares, voltamos à cafeteria e ela fez um macarrão sem molho e um filé de frango. Puxa, para mim foi a melhor comida nos últimos três dias.  Agradeci muitíssimo.  Tive ânimo para torrar o dinheiro na loja ao lado comprando mochila, cadeados, meias para o frio, etc. Não sei o nome da loja mas é praticamente ao lado da Sampaya.

O restaurante, que passou a ser nosso point em La Paz, chama-se Don Gus.  Geralmente, é frequentado de manhã pois há hotéis que não servem café.  Nas mesas, há vários bilhetes de agradecimentos de turistas. Inclusive de um alpinista no cume de uma montanha com um cartaz enorme com o nome do restaurante! Em termos de La Paz, foi um grande achado.  Não há cartaz do lado externo mas não tem erro: ao lado de uma pizzaria e perto da Sampaya.

Voltei ao hotel para guardar as minhas mais novas aquisições.  Em pouco tempo, Ana chegou mostrando as fotos do Vale de La Luna.

Saímos para trocar algum dinheiro (melhor cotação na Calle Sagárnaga – 1USD por 6, 94BOB) e depois fomos a lan house para imprimir e depois escanear já assinado o formulário enviado pela Peru Rail, uma tentativa de alterar as datas das passagens de trem para Machu Picchu.  A previsão era de que o bloqueio em Puno acabasse neste final de semana.

Quem converte, não diverte

Tour Chacaltaya e Valle de La Luna: 50 BOB
Entrada Chacaltaya: 15 BOB
Almoço Don Gus: 32 BOB


Downhill em Coroico

19 maio 2011

Hoje o dia começou mais cedo. Um homem veio pontualmente nos buscar. O café-da-manhã foi servido na agência. Café, pão da rua, torradas, leite, suco de laranja e geléia. Nós somos as únicas brasileiras. O grupo é formado por franceses, italianos, espanhóis e um americano.

Como é o passeio?

A van demorou uma hora para chegar em La Cumbre.  Lá as bicicletas são retiradas do veículo, os turistas recebem o uniforme e as instruções de segurança. O início do passeio de bicicleta é em estrada de asfalto.  Eu não fiz a minha lição de casa (aprender a andar de bicicleta). Então, eu acompanhei o trajeto na van.

Amiga! Amiga!

O pessoal da agência quando não sabe o seu nome te chamam de amigo(a).  Isto foi tão frequente que chegou a irritar.

O trajeto

São Km de asfalto.  Há várias paradas no caminho que sempre beira o precipício.  Depois paramos para um lanche reforçado onde os participantes tem de pagar uma taxa para usar a estrada.

O final do passeio é em Coroico.  O clima em Coroico é bem diferente: mais calor, sem vento e com mais mosquitos.

Ficamos com nojinho da piscina, que estava com água suja. Os gringos, ah os gringos! Se jogaram!

Em tempo: esta semana no programa Vídeo Show (de 20 a 24 de junho) comentou sobre o fato da Marjorie Estiano estar acostumada a andar de bicicleta já que ela pedalou por 20Km na estrada da morte na Bolívia.  😉

Ao final do dia, pegamos a camisa e o CD que só tem fotos. Não há vídeos, o que causou uma certa decepção.

Quem converte, não diverte

Downhill em Coroico = 200BOB
Entrada = 25BOB
Refrigerante 600ml= 7BOB

Ruínas de Tiwanaku

18 maio 2011

Acordei bem melhor. Bem disposta.  O café da manhã do hotel tem pão de forma tostado, iogurte, chá de coca, café em pó num sachê, suco de laranja e chá de coca. Comi bem. Descemos ao saguão do hotel aguardando a agência nos buscar. O tour atrasou mais de meia hora.  Não gostamos nem um pouco. Péssima impressão. O receio era que isso fosse uma constante, já que fechamos o pacote.

Pela manhã, mais um contato com o trânsito caótico de La Paz e a certeza de que a cidade não é nada bonita. Nosso grupo era grande. Infelizmente, só nós duas de brasileiras.

Tiwanaku

A viagem para Tiwanaku ou Tihuanaco demora mais de uma hora.  Dista a 70Km de La Paz. Saímos da capital e começamos a perceber que a quantidade de cholas aumenta.  Chola é o nome que se dá as bolivianas com os trajes típicos.  Em La Paz, são muitas.  Estão nas ruas vendendo comidas, roupas e até fetos de animais.  A impressão que tivemos é que as bolivianas são muito fortes.  Em suas costas, carregam seus filhos com os panos coloridos. Cuidam dos jardins nas ruas e estão sempre a transportar grandes volumes.

O guia se apresentou e designou o nome de nosso grupo de Allalla (significa “viva” na linguagem aymará). As ruínas de Tiwanaku são de uma civilização precursora a dos Incas, os tihuanacotas.

Conhecemos o museu lítico. Havia apenas uma sala aberta. Frustante.  Falta maiores cuidados com o museu como iluminação.  Tive dificuldade em observar detalhes do monolítico.

Na outra parte do museu regional, há uma importante coleção de peças extraídas do sítio arqueológico como artefatos, esculturas, cerâmicas. Na entrada, um quadro cronológico sobre o período das civilizações andinas.

O que eu achei mais interessante foi o modo como dispunham pedras sobre pedras. Não havia uma espécie de cimento.  Tudo era feito por encaixe. Uma liga metálica faz o elo entre as grandes pedras. Impressionante.

Pergunta que não quer calar: como eles conseguiram fundir o metal para fazer o grampo?

Entrada de Tiwanaku

É difícil para um viajante independente conhecer as ruínas sem auxílio de um guia. Não oferecem folhetos explicativos e tampouco há painéis informativos no local.

Puerta del Sol

Monolito Ponce. Em homenagem ao arqueólogo Carlos Ponce Sanginés, que trabalhou neste local.

O guia estava bastante apressado e não tinha paciência para esperar os retardatários.  Volta e meia estava chamando pelo “Allalla”.  Não levou em consideração os turistas que não estão acostumados a altitude do lugar. Também percebemos que o nosso grupo conheceu poucos lugares das ruínas.

O almoço

Depois de conhecermos as ruínas, fomos almoçar.  O almoço não está incluso no preço do passeio.  O restaurante escolhido pelo guia foi o Winay Marka.  O menu (entrada, prato principal e sobremesa) custou 3O BOB.  Havia três opções de prato principal mas como o guia fez uma propaganda da carne de lhama, dizendo que era colesterol zero, a maioria optou por esta.

A minha refeição foi sopa de quinoa, carne de lhama, arroz e legumes.  Eu experimentei a carne de lhama e não gostei. Achei-a rançosa.

Após o almoço voltamos para La Paz. Ficou a sensação de que faltou algo. Talvez maiores informações sobre esta civilização que foi considerada por um estudioso como o berço das civilizações.  Sim, o Novo Mundo não é tão novo assim….

Allalla La Paz!

Enquanto no Brasil, os passeios promovidos pelas agências buscam e levam os turistas nos hotéis, aqui em La Paz eles apenas buscam.  A volta é geralmente em um lugar do Centro.  Achamos isto curioso e non-sense.  Antes, paramos na estrada para fotografar El Alto e La Paz vigiadas pelo Illimani.

Vistas de La Paz e El Alto

O  microônibus parou na Calle Llampu, a principal.  De lá resolvemos conhecer um pouco mais as ruas, demos uma olhadinha nas lojas, visto que no dia anterior  não foi possível.  Eu precisava comprar um casaco corta-vento.  Graças ao câmbio altamente favorável vale muito a pena comprar roupas de frio aqui e outros acessórios para trekking.  Eu havia lido sobre isso no site dos Mochileiros mas achava que alguns estavam exagerando quando falavam que poderiam ter vindo pelados que havia como comprar tudo na cidade.

Minhas impressões: “Gente, podem vir pelados para La Paz. Vocês vão encontrar tudo aqui.” 🙂

Eu não entendo de roupas de frio mas eu já tinha uma idéia do que ia comprar para aguentar o tranco.  Hoje comprei um corta-vento da North Face, bota, luvas e meias de merino.  Bom, não sei se eram verdadeiros.

Atualização: O corta-vento e a meia de merino foram utilíssimos para aguentar o frio do Chacaltaya e do tour Salar de Uyuni de 3 dias.  Se são falsificados, nunca vou saber mas cumpriram (muito bem) o seu papel.

Da Llampu demos uma passada na calle Sagárnaga e na calle de Las Brujas.  Compramos meias, cachecol e touca de alpaca (mais tarde, no Peru passamos a desconfiar se era de alpaca mesmo).  Eis que no cruzamento Sagárgana com Las Brujas avistamos o Museu da Coca.  Fomos para lá.

Museu da Coca

Um ótimo museu para obter informações esclarecedoras sobre a cultura andina de mastigar a folha de coca e a diferença entre a folha de coca e a cocaína.  Ao entrar, o visitante assina o livro de visitas  e recebe um guia sobre o museu e a história da Coca.  Há guias em português.  Assim que recebemos o guia, houve blecaute local.  Passou-se alguns minutos, um dos rapazes que trabalha no museu ficou mexendo na fiação e pronto, tudo passou a ficar mais claro (perdoem-me pelos trocadilhos infames).

No segundo andar do museu, há uma espécie de bar.  Eles vendem cerveja de coca.  Eu experimentei e achei horrível mas teve gente que gostou…rs

Também compramos balas de coca e levamos algumas folhas para mastigar.  Calma, não estamos viciadas! Aqui em La Paz o bicho pega. A folha de coca ameniza e muito os efeitos do soroche. Você quer andar e falta ar!  A dor de cabeça é muito forte e não te dá vontade de fazer nada. Comigo o que realmente funcionou foram as pílulas de soroche (soroche pills) que nada mais são .  Entretanto, isto é muito particular. Há pessoas que não sentem nada.

Lembrei de algo engraçado. Procuramos por pílulas de soroche nas farmácias de La Paz. Queríamos apenas 5 unidades que achamos ser o suficiente para o restante da viagem, até porque chega um tempo que o organismo se adapta e isto varia de pessoa para pessoa.  A caixa vem com 20 unidades. Não é que a atendente abriu a caixa e tirou apenas uma cartela para vender?!  Fiquei espantada. Realmente, a Bolívia é o maior barato.

Falando sobre o mal da altitude, leia mais no Blog Viajando de Carro:
http://viajandodecarro.wordpress.com/viagens/viagem-dez09-a-jan2010/mal-da-altitude-soroche-mal-da-montanha/

Quem converte, não diverte

Entrada Tiwanaku = 80BOB
Entrada museu da Coca = 10BOB
Bala de coca (4 unidades) = 6BOB
Soroche pills (5unidades) = 15BOB
Água 500ml = 6BOB
Corta-vento North Face = 320BOB
Bota Timberland = 690BOB
Luvas = 25BOB
Meias de merino = 70BOB
Cachecol de alpaca = 30BOB


Benvenidas a La Paz

17 maio 2011

Chegamos cedo ao aeroporto pois além do check-in, procuramos pelo balcão da BOA para emitir a passagem Santa Cruz – La Paz. Estava fechado. Depois fomos à casa de câmbio trocar reais por dólares (cotação: 1 USD = 1,73BRL).

No balcão de informações da Infraero, pegamos a cartilha que fala dos direitos do viajante.  Após o procedimento de verificação de passaporte, raios X e finalmente a chamada para entrar na aeronave, qual não foi a surpresa ao ver a aeromoça do dia do caos!

Não há como dormir bem neste voo.  De Guarulhos para Campo Grande, uma hora e meia de viagem.  De Campo Grande para Santa Cruz, uma hora e 20 minutos.  Chegamos em Santa Cruz às 01:45.

Ao chegar no aeroporto, você recebe diversos papéis para preenchimento. Apenas um ficará contigo e não pode perder este papel sob hipótese alguma.  Há uma segunda fila onde deveria ser o raio X mas não há o equipamento! Então você tem sua bagagem revistada.

Os funcionários do aeroporto retiram as malas da esteira e as põe no chão de forma ordenada. Após a segunda fila, os funcionários das companhias aéreas conferem a etiqueta de bagagem.

Trocamos cem dólares a uma péssima cotação ( 1USD = 6,80BOB).  Descansamos nas cadeiras do segundo andar até a hora que o balcão da BOA abrisse (por volta de 06:30). Compramos as passagens no balcão por 720BOB.  O voo saiu às 07:45 e chegou no aeroporto de El Alto às 08:45.

O serviço da BOA é satisfatório. As aeromoças distribuem as malas nos bagageiros e indicam qual é o assento corretos mesmo.

Ao chegar, um senhor com um cartaz escrito o meu nome nos aguardava.  A corrida de táxi custou 50BOB.  O motorista ha poucos dias levou um grupo de brasileiros a Tiwanaku.  ele pretende passar as férias no Brasil. Mais precisamente no Acre.  O que causou o nosso espanto.  ele nos deu seu cartão caso quiséssemos contratá-lo.  Eu disse para a Ana que preferia o tour por causa da interação com as pessoas.

No caminho, a vista da cordilheira e do imponente Huayna Potosí e o choque ao ver a cidade de El Alto.  Uma superfavela.  Aliás, foi no site Mochileiros.com que vi a melhor definição de La Paz e El Alto por enquanto.  Imagine um caldeirão.  El Alto é a borda e La Paz é o fundo.   Exatamente isso.

Finalmente, La Paz

Demoramos meia hora para chegar.  Fizemos o check-in no Hotel Cordillera Real. Tomamos um banho e fomos dormir.  Antes, tomamos um chá de coca.  Não me pareceu tão amargo quanto haviam dito.

Mais tarde saímos para conhecer a cidade e fechar os pacotes em uma agência.  As primeiras impressões de La Paz são que é uma cidade muito pobre com o trânsito caótico. Nem tem comparação com São Paulo. Muitos ambulantes vendendo desde comidas expostas a poluição a fetos de animais. E, pelo jeito, tudo normalíssimo. Outra coisa que me marcou foi o cheiro de frango frito na praça perto do hotel que ficamos.

Pesquisamos os preços dos passeios em três agências.  São praticamente os mesmos. Os passeios para Tihuanaco e Chacaltaya custam 60 bolivianos sem as entradas.  A última agência, na calle Sagárnaga, foi a que melhor atendeu.  Explicaram tudo sobre os passeios, a duração e o que tem que levar.  Infelizmente era a mais cara.  A esta altura, comecei a passar mal.  Não sabia se era o efeito do soroche, da gripe ou da fome. Não fechamos os passeios.  Pegamos um táxi até a avenida 16 de julio e fomos ao Dumbo (recomendação da atendente da agência).  Pedi um sanduíche com suco de pêssego e só consegui dar uma mordida no pão.  Estava muito mal.

Voltamos ao hotel, eu fui direito para o quarto dormir.  O recepcionista do hotel ofereceu pílulas para o soroche (soroche pills) para eu tomar.  Ana pediu para ele ligar para a agência.  A atendente veio diretamente ao hotel e cobrou pelos tours incluindo o Downhill em Coroico por 440BOB.

Já estava sentindo-me um pouco melhor à noite.  Depois eu soube que caso eu continuasse mal, bastava avisar que o meio passeio seria cancelado.   Amanhã, o passeio será nas ruínas de Tihuanaco.

Quem converte, não diverte

Aéreo Santa Cruz-La Paz pela BOA: 720BOB
Táxi Aeroporto até Hotel Cordillera Real: 50BOB
Táxi Sagárnaga-restaurante Dumbo: 6BOB
Táxi Dumbo – hotel: 5BOB


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