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Miraflores e ida para Huacachina

8 fevereiro 2015

Dia 2 – Miraflores

No primeiro dia, andaríamos pelo andar pelo calçadão à noite mas desistimos. O cansaço havia nos vencido. O dia seguinte foi reservado para conhecer o bairro de Miraflores. Acordamos cedo e fomos tomar café. O café do hotel Runcu é servido no último andar. Ao chegar e nos identificar, recebemos um mimo: o rapaz que nos serviu trouxe como enfeite de mesa, um porta-retratos com clipe, escrito: “Bienvenida, Pat!”  O café-da-manhã do hotel é na medida. Não é self-service. Uma pessoa vem te atender. À mesa, estão dispostos manteiga, geléia e um copo de suco. É oferecido dois pães por pessoa, café ou café com leite (café negro ou café con leche) e ovos mexidos (huevos revueltos). Para nós foi o suficiente.

Abrindo parênteses: Nós, brasileiros, somos bem acostumados com café-da-manhã em hotéis. Dificilmente em outros países haverá a fartura que temos aqui.  É questão cultural, não tem só a ver com a qualidade do hotel. Dos países por quais eu passei, só em dois eu posso dizer que comi bem pela manhã: Portugal e Turquia. Portanto, na hora de ler avaliações de hotéis feitas por brasileiros, releve reclamações sobre o café da manhã do hotel ser fraco. Leia também o que os estrangeiros dizem sobre isso. Fecha parênteses.

De posse do mapa, começamos a andar pelo malecón. Um passeio bastante agradável. A cidade de Lima é bastante florida. Os moradores aproveitam bem o espaço arborizado para correr, brincar com seus filhos, etc.  Sem pressa, chegamos ao Parque del Amor e a escultura El Beso.

Parque Del Amor

Dali, fomos ao Parque Kennedy e ao Mercado de Artesanías. Já mortas de fome, caminhamos até o o bem avaliado restaurante Tanta, um dos restaurantes do chef Gastón. Seguimos a sugestão do garçom e pedimos o prato da casa, o Lomo Saltado. Muito bom! Depois, ainda fomos trocar dinheiro, procurar passagens para Cusco e a passagem de ônibus para Ica. Só lá para o final da tarde fomos conhecer o sítio de Huacla Puclana. Ao chegar, descobrimos que o museu estava fechado. Frustante. Voltamos para o hotel.

Onde fazer o câmbio em Miraflores

Trocamos dinheiro no Cambio El Sol, próximo a Falabella da Avenida José Pardo. Por todo o bairro de Miraflores, há pessoas com coletes azuis oferecendo cambio. É permitido pelo governo. Todos estão com crachá. Quanto mais perto da Praça Kennedy mais baixo é o cambio.

Onde comprar as passagens da companhia Cruz del Sur em Miraflores

Mercado Wong. Compramos as nossas no Wong perto do Huacla Puclana, no Ovalo Gutierrez. Uns 15 minutos de caminhada.

Dia 3 – Huacla Puclana e ida para Huacachina

Se fosse seguir o roteiro planejado, hoje seria o dia para acordar de madrugada e ir para Huacachina. Gostamos tanto de Lima (mentira, foi preguiça mesmo!) que resolvemos sair de lá depois de conhecer a Huacla Puclana, sítio arqueólogico da civilização limenha.

Nós não gostamos de Huacla Puclana. Minha amiga pela poeirada que lá tem. Eu, que já havia conhecido Cusco e arredores, achei um pouco decepcionante (pessoas cultas, perdoem-me!) e que a ruína não tem nem comparação com as do Vale Sagrado. Arrependi-me de não ter ido para Ica na madrugada.

Huacla Puclana

Deu tempo de ir ao Parque Kennedy e comer um sanduíche na lanchonete Republica, lanchonete com decoração anos 50. Recomendo.  O hotel chamou um táxi para nos levar até o terminal da Cruz del Sur, que fica na Avenida Javier Prado. Deve-se chegar cedo ao terminal porque sua mala é pesada e identificada.

O Mercado de Artesanías, o Lomo Saltado do restaurante Tanta, a Lanchonete Republica e o portão de embarque da Cruz del Sur.

Ao entrar no ônibus, seu rosto é filmado.  A viagem de ônibus dura quatro horas. Quando viajei de Cruz del Sur em 2011, o serviço foi impecável. Desta vez, com aquele calor, o ar condicionado não funcionava perfeitamente.  Foi o único pecado. É servido um lanche e cada poltrona tem uma tela individual onde você pode assistir filmes, ouvir músicas, ler livros. Fiquei passada! Da janela, começamos a notar a área desértica. Com o calor, não consegui dormir e a viagem parecia interminável. Chegamos pouco depois das sete da noite. Mal descemos do ônibus e já veio um taxista se oferecer para nos levar a Huacachina. Aceitamos.

O taxista puxou assunto, perguntou de onde éramos e ofereceu seus serviços de guia. Ele nos levou à Hosteria Suiza e disse que há um convenio da Cruz del Sur com o hotel e que teríamos desconto. Bom, olhamos o quarto. Eu desconfiada, ainda quis ir no Hotel Casa de Arena que estava bem mais caro. Resumo da ópera: ficamos no Hosteria Suiza.

Se conselho fosse bom…

  • Anotar os dias que museus e outras atrações fecham é uma boa pedida.
  • Se quer saber um pouco mais da história dos incas e não sabe qual livro comprar, aconselho a comprar em Cusco. A impressão que tive foi que lá as livrarias tem mais títulos sobre o assunto. Ou faça o trabalho de casa, pesquisando antes e até comprando pela internet, aproveitando o fato que sobre livros não incide imposto.
  • Em Miraflores, há wifi liberado gratuitamente.
  • Lugares para lanchar em Lima: Lanchonete La Lucha, Bembo’s e Republica
  • Lugares para almoçar/jantar com estilo em Lima ($$$): restaurante Huacla Puclana e o Astrid y Gastón (não esqueça de reservar!)
  • Lugar com boa relação custo/benefício para comer: Restaurante Tanta
  • Não esqueça de dar gorjetas aos garçons! O serviço não está incluído na conta. A minha gorjeta era de 10%.

Pequeno dicionário de espanhol

Malecón = calçadão
Café negro = café
Ovos mexidos = huevos revueltos
Queijo = queso
Jamón (pronuncia-se rramon) = presunto
Artesanías = artesanato
Ovalo = Ao pé da letra, significa oval. As rotatórias em Lima são chamadas de ovalo.
Calle = rua

 Quem converte não diverte – Lima

Câmbio dólar x nuevo sol: 1USD x 2,90PEN
Restaurante Tanta: 50 PEN (com gorjeta)
Táxi hotel Runcu – Terminal Cruz del Sur da Av. javier Prado: 18 PEN (o preço correto é 15PEN do hotel se for em táxi comum e 13PEN se vier do Parque Kennedy)
Passagem Lima-Ica, pela Cruz del Sur – Ônibus Crucero: 55PEN
Lanchonete Republica: 24,30 PEN  (com gorjeta)

 


Diário de viagem – Chegando em Lima

28 janeiro 2015

Eu até hoje não sei muito bem como organizar o blog que é pessoal mas como muita gente pede dicas e como eu escrevo muita abobrinha, eu tento separar a parte prática e que pode interessar as pessoas dos meus relatos, que eu adoro fazer e voltar aqui para reler. Resumindo, eu adoro um blá blá blá (o diário). Eu andei meio preguiçosa e desgostosa de escrever por isso as viagens longas que faço nas férias (um exemplo: as duas viagens para Orlando) não tem nada escrito por aqui.  Quando já dava vontade de escrever, eu já não lembrava dos detalhes. Então, nesta aqui tentarei fazer diferente. Ainda mais que o post mais lido do blog e mais comentado é justamente o mochilão que fiz para Bolívia, Peru e Chile. Se ajudar uma única pessoa, já valeu a pena.

Dia 1 – Chegando em Lima

O voo para Lima sairia pouco depois das cinco da manhã do Aeroporto do Galeão. Cheguei bem cedo (perder voo, nunca mais!) e só depois das cinco é que a TACA resolveu arrumar as filas. Acreditem que a balconista disse para um casal que eles não entrariam no Peru sem passaporte. O casal ficou meio desesperado.

O voo com a TACA/AVIANCA foi tranquilo. Durante o voo nos é dado dois formulários: o da Alfândega (Tarjeta Andina de Imigración) e o da Vigilância Sanitária deles (Declaração de bagagem). Para quem nunca viajou para o Exterior, os países não aceitam a entrada de produtos naturais. Inclusive, em alguns países mesmo depois de você pegar a sua bagagem no desembarque, você é obrigado a passar a mesma de novo no raio X para inspeção da ANVISA do país em questão. Isto aconteceu comigo no aeroporto internacional de Bogotá, na fronteira terrestre Peru – Chile e agora no aeroporto de Lima.

Sobre o serviço de bordo, nada a reclamar. Voo de cinco horas intermináveis. Da janela, aprecia-se a vista da imponente Cordilheira dos Andes e já chegando ao aeroporto, tudo nublado. É o tal cielo gris de Lima e arredores.

Da janela do avião

Chegamos pontualmente no que até então parecia enorme aeroporto de Lima (no último dia de viagem, com cinco horas de espera para pegar o voo para o Rio, vimos que o aeroporto é pequeno).  No setor da esteiras de bagagens já tem uma casa de câmbio e caixas eletrônicos. Eu já para testar o cartão, saquei alguns soles (a moeda peruana chama-se nuevo sol. Simplificando, sol. O plural de sol é soles. Código ISO 4217: PEN. Você verá muito no comércio o “s/”). Depois de pegar sua bagagem, como eu já disse, a mesma tem que passar por raio X para inspeção.

Ao sair da área restrita, um mar de pessoas esperando com cartazes na mão. Minha amiga achou o meu nome. Eu já havia agendado o transfer e o city tour a pé guiada com a Peruvian Local Friends.  Descobri o serviço no Trip Advisor, há boas recomendações. Eu não sei se eu já falei no planejamento da viagem mas o aeroporto de Lima não é em Lima. É em Callao. O trajeto entre as cidades é muito engarrafado. Na hora de planejar sua viagem, estime 1h de deslocamento do aeroporto até Miraflores, o bairro turístico fofinho de Lima.  Eu não tive muito tempo para planejar a viagem e dei uma de Paty: vim com uma mala pra lá de pesada (não façam isso!).

Nosso hotel é o Hotel Runcu. Localizado em Miraflores mas não exatamente no Centro do bairro. Dá uns 10 a 15 minutos de caminhada. Reservamos via Booking. Farei um post só sobre as hospedagens mas já adiantando, gostei muito do hotel. Bom café da manhã (na medida), chuveiro com vazão decente, água quente e ar condicionado funcionando. Nosso quarto não estava pronto ainda (chegamos antes das 11:00), então preenchemos os formulários de entrada e deixamos nossas malas do depósito.  Ah, importante dizer que em todos os hotéis do Peru, vão te pedir o passaporte para tirar fotocópias. Por quê? Visitantes com intenção de turismo não pagam o imposto de 21% na hospedagem.

Após uma pequena confusão da recepção em não dizer que estávamos na sala de internet, a Mariela da  Peruvian Local Friends nos achou. Ganhamos uma carona até o bairro de Barranco. Mariela contou a história do bairro, falou sobre alguns casarões. Caminhamos bastante, usamos o metrô. Não é o metrô, o subterrâneo mas sim o de superfície e funciona como o BRT no Rio.  Eles chamam de Metropolitano. Descemos no Centro e fomos conhecer  prédios que foram importantes no passado e a praça principal, a Plaza Mayor ou a Plaza de Armas.  Curiosidade: não posso afirmar com 100% de certeza que isso acontece no país inteiro mas todas as cidades peruanas por quais eu passei tem uma praça principal e o nome é Plaza de Armas.

Mariela também nos levou a um mercado e nos mostrou algumas frutas típicas peruanas.

Seguimos para o Museu de San Francisco, onde fizemos uma visita guiada pela própria Mariela. Há passeio guiado em inglês e em espanhol oferecido pelo museu.  É proibido fotografar  o interiori do museu. O que eu mais gostei não foram os quadros da Escuela Cusqueña mas sim da riqueza de detalhes dos entalhes da madeira do teto do convento.

Trocamos informações sobre a história dos nossos países. Nosso tour terminou em Miraflores. Tomamos um táxi no Centro para lá. Foi um almoço-janta no Chami.  Eu que sou fresquinha, escolhi o meu lomo saltado e não saí disso aí a viagem inteira. De lá, nos despedimos de Mariela e fomos para o hotel. Ela nos ajudou chamando um táxi. Voltamos para o hotel, cansadas.

Não esqueça de colocar na bagagem de mão

  • Passaporte ou identidade decente (RG)
  • Caneta para preencher os formulários
  • Endereço do hotel que você vai ficar, pois será necessário escrever o endereço na Tarjeta Andina.

Quem converte, não diverte – Lima

Metrô – 6 PEN (duas viagens)
Água – 1,45 PEN
Táxi Centro – Miraflores –  15 PEN
Museu San Francisco – 14 PEN
Almoço no Chami, em Miraflores – 91PEN (Pagamos o almoço da Mariela)
Táxi Parque Kennedy – Hotel Runcu – 6 PEN

 



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Peru: dicas de viagem

28 janeiro 2015

Documentação e preparativos

  • Verifique se sua identidade (RG) está em boas condições ou se o seu passaporte está válido.
  • Verifique a exigência de vacinação contra a febre amarela. Se for exigido, tome a vacina e peça a emissão de certificação da CIV na Anvisa.
  • Em regra, não se agenda passeios no Peru. Exceção: Machu Picchu. Os preços dos passeios coletivos fechados no local e em espanhol são mais baratos do que os reservados no Brasil.
  • O mesmo vale para hotéis, hostales (espécie de pousada) e hostels: muitas vezes no balcão o preço é mais atrativo do que o fechado pela internet.
  • Claro que se for em alta temporada e desejar ficar no hostel ou hotel X ou Y, melhor fazer a reserva com antecedência.
  • Compre com antecedência: (a) a entrada para Machu Picchu, principalmente se for subir a Huayna Picchu; (b) as passagens de trem e (c) se seu roteiro estiver fechadinho, as passagens de ônibus para pegar a tarifa mais baratas como a Cruz del Sur e a tarifa Insuperable.

O que levar

  • Caneta para preencher a Declaração de Bagagem e a Tarjeta Andina de Imigración (basicamente você precisará saber o número do voo de chegada ao Peru e anotar o endereço da hospedagem);
  • Tenha em mãos o endereço do hotel na cidade de chegada pois será necessário no preenchimento da Tarjeta Andina;
  • Tênis em cor escura de preferência, marrom. Será útil no deserto e ruínas como Huacla Puclana;
  • Repelente, útil na visita a Machu Picchu;
  • Papel higiênico. Poucos banheiros públicos e de estabelecimentos tem papel higiênico disponível.
  • Lembre-se de levar também o álcool gel;
  • Se procura hospedagem barata e quer negociar preço, não vá com mala de policarbonato, né? Vá de mochila.
  • Se ficar em hostels, leve seu par de chinelos. Útil na hora de tomar banho e para evitar pegar doenças.

Dicas de sobrevivência em Lima

  • Os táxis em Lima não tem taxímetro (eu tenho cá para mim que isso deve ser no Peru inteiro). Então, nunca entre no táxi sem negociar antes.  Para uma primeira vez, é bom perguntar ao hotel com antecedência o preço da corrida do aeroporto até o hotel ou se possível, agendar o transfer;
  • Tendo uma ideia do que quer conhecer (a esta altura do campeonato, lendo o blog você já deve saber como é bom planejar sua viagem, principalmente para o seu bolso), pergunte no hotel o preço das corridas de táxi.
  • Não há rodoviária em Lima. Se quiser ir para outra cidade, você terá que pegar o ônibus no terminal da empresa escolhida. Por exemplo, compramos a passagem Lima – Ica pela Cruz del Sur. O terminal de ônibus é exclusivo da companhia (Terminal Javier Prado).
  • Se quer almoçar/jantar em um dos restaurantes de griffe em Lima, faça a reserva com antecedência;
  • Se pretende fazer trekking ou quer comprar equipamentos ou roupas térmicas para o frio, deixe para comprar em Cusco mas saia do perímetro da Plaza de Armas.
  • Não custa ler um pouco sobre o país antes de viajar

Dicas de sobrevivência em Cusco e arredores

  • Pessoas com problemas respiratórios, anemia, grávidas, etc procurem um médico antes de ir para altitude. No primeiro dia, evitem fazer esforço. Não façam passeio algum. Descansem no hotel e tomem chá de coca.
  • Eu sofri muito mais com altitude desta vez mas eu estava anêmica e só depois é que eu associei uma coisa à outra. Não teve chá de coca nem soroche pills que dessem jeito. Não quero nem que meu pior inimigo sinta as dores que eu senti. Só bebia água e chá de coca no primeiro dia e não saí do hotel. Dor de cabeça, náuseas, etc. Alguns peruanos falam que brasileiros sentem muito a altitude. Mas há pessoas que nada sentem, como as minhas companheiras de viagem. O taxista de Lima que nos levou até o aeroporto disse que era bom evitar comer no primeiro dia, só beber líquidos pois o processo da digestão consome mais oxigênio.  Já li também a dica de uma brasileira que procura ficar em pousadas ou hotéis que tenham oxigênio.  De qualquer forma, ouça os conselhos e evite estripulias no primeiro dia para não estragar sua viagem.
  • Faça os passeios em ordem crescente de altitude.
  • Reserve um período da manhã ou da tarde para conhecer o Q’Orikancha. No passeio City-tour assim chamado para conhecer as ruínas próximas, há pouco tempo de
  • Domingo na Plaza de Armas sempre tem desfile pela manhã.
  • Agora em Cusco tem o ônibus londrino. Não sei o trajeto mas com certeza um peruano te abordará vendendo a passagem;
  • Quanto mais longe da Plaza de Armas, mais baratos são os restaurantes, os hotéis e as lembrancinhas.
  • Não traga folhas de coca para o Brasil, a não ser que queira ter problemas com a polícia. Muito menos para o Chile, se sua viagem incluir  nem para o Chile.

Livros sobre a História do Peru

  • DE LA VEGA, Garcilaso. Comentarios Reales de Los Incas.
  • ROMERO, Saydí María Negrón. Presentando el Perú y Machu Picchu. 2a. ed. Lima: 2013.
  • SALAZAR, Fernando E. Elorrieta & SALAZAR, Edgar E. Elorrieta. Cusco e o Vale Sagrado dos Incas. 1a. ed. Cusco: Tankal Eir, 2014.

O primeiro livro é um clássico. “Comentários Reales” foi escrito pelo Inca Garcilaso de la Vega, filho de um conquistador espanhol e de uma princesa inca. Batizado com o nome de Gómez Suarez de Figueroa, o escritor durante sua juventude conviveu com os espanhóis e os parentes maternos incas. Os relatos e o que testemunhou culminou com a obra que retrata sobre a civilização inca e conquista espanhola e guerras civis.  Leia mais sobre Garcilaso na Wikipédia (espanhol) e link para e-book aqui.

Compramos o livro da Saudí María na SBS da Avenida El Sol, praticamente em frente ao Q’Orikancha por 50 soles.  Já o livro sobre o Vale Sagrado em português compramos nas barracas em frente às ruínas de Ollantaytambo também por 50 soles. Os dois livros são ótimos.

 


Peru: comentando o roteiro

15 janeiro 2015

No post Peru – o roteiro eu falo sobre os passeios que faria em cada viagem no Mochilão de 2011. Agora, falarei um pouco mais do roteiro planejado e do realizado nesta segunda viagem ao Peru.

Peru: roteiro Planejado x roteiro Realizado

Roteiro planejado

Peru Roteiro Planejado

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Roteiro Realizado

Peru Roteiro Realizado

Clique na imagem para ampliar

Comentários sobre o roteiro realizado (o que funcionou, o que poderia ter sido feito, etc.)

Roteiro planejado Blog Peru

Dia 01 – Chegada em Lima e city-tour com a Peruvian Local Friends

O voo chegou no horário esperado e o transfer estava nos aguardando. Chegamos no hotel, deixamos as malas no depósito e fizemos o tour guiado a pé. Particularmente, gostei do tour mas eu esperava mais como por exemplo, um passeio pelas feiras da cidade e não pelo mercado, como fizemos. Senti falta de mais história do país no tour. Ainda assim, recomendo o tour pois você recebe dicas da cidade, tem o passeio pelo museu de São Francisco com guia exclusivo e tem uma noção geral da História de Lima.

Sobre o que eu planejei para o primeiro dia, eu mudaria.  Com o horário de verão, ganhamos umas 3h no dia. Foi aí que pensei em colocar o city-tour neste dia. Só que na verdade, essas horas que ganhei foram perdidas para o cansaço. Eu saí bem cedo de casa para chegar ao aeroporto com antecedência. Somadas com um voo de cinco horas mais um trajeto de quase 1h do aeroporto até Miraflores, estava moída. Então, hoje se eu tivesse que repetir o roteiro, teria ido direto do aeroporto para o hotel, descansado e depois sim, ter conhecido Miraflores.

Dia 02 – Conhecendo o bairro Miraflores

Com o mapa em mãos, vamos conhecer o bairro de Miraflores, bairro recomendado para hospedar-se em Lima.  O que conhecer em Miraflores? O calçadão beira-mar chamado de Malecón, o Parque Kennedy,  o shopping Larcomar e o sítio arqueológico de Huacla Puclana.

Parque Del Amor

Um dia dá para conhecer o bairro de Miraflores, que é um bairro superagradável.  Se um dia voltar para Lima, é ali que ficarei hospedada. Do hotel, saímos a caminhar pelo Malecón de Miraflores (calçadão). Conhecemos o Parque Kennedy, o parque Del Amor. Almoçamos no restaurante Tanta, da griffe Astrid y Gastón. Só faltou ir ao Lacomar. Que não conhecemos neste dia.   É preciso só ter disposição para andar se quer conhecer Miraflores. O sítio Huacla Puclana dá para fazer no finalzinho do dia. Aconselharia a ir de táxi. Não conhecemos pois o museu está fechado às terças e eu não havia anotado isto. Dá pra andar a pé sim, mas é um longo caminho.

Dia 03 – Sítio arqueológico Huacla Puclana e chegada em Huacachina

Gostamos de Lima e queríamos até ficar mais um dia porém não havia mais vaga no hotel e eu nem cogitava em ficar em outro. Então, seguimos o roteiro. De manhã, visitamos a Huacla Puclana.  Não gostamos lhufas do sítio (pessoas cultas, perdoem-me!) e só por ter visitado o lugar e não gostado já havia me arrependido de não ter ido logo para Ica e de preferência, no ônibus das 03:45 como planejado. Chegamos em Ica às 19:00 aproximadamente a tempo de apenas procurar o hotel e comer algo. As passagens de ônibus foram compradas no dia anterior, no supermercado Won próximo ao hotel.

Para nós foi um dia perdido. Se tivesse que repetir o roteiro hoje, manteria o roteiro previsto: pegar o ônibus da das 03:45, descer em Paracas e fazer os passeios Isla Ballestas e Reserva Nacional de Paracas. Dormiria em Paracas ou no final da tarde, seguiria para Ica e logo depois tomaria um mototáxi para Huacachina. Na hora de planejar sua viagem lembre-se que são 4h de ônibus o trecho Lima – Ica, 2h de Paracas  a Ica e 10 minutos de Ica até Huacachina.

Huacla Puclana e Huacachina

Dia 04 – Passeios em Huacachina e Ica: Bodegas de Ica e Sandboard e bugue nas dunas de Huacachina

O passeio para Bodegas de Ica pode ser feito em agências ou você fechar um preço com taxista local.  Recomendo a agência Peru in your Hands. Como fechei os passeios com esta e não tive problemas, recomendo-a. Na verdade, o ideal é você pesquisar em várias agências. O passeio sai às 13:00 e volta pouco antes das 16:00. Conhece-se duas vinícolas: a Tacama – a mais antiga e a Catador, cujo processo do pisco é artesanal. A título de curiosidade, bodega em espanhol pode ter vários significados mas uma bodega de viños pode significar vinícola como também a adega ou taberna.

Dá para conjugar o tour às bodegas com o passeio de bugue e sandboard pelas dunas. Os peruanos chamam os bugues de areneros.  Os bugues são bem diferentes dos daqui. São maiores, mais potentes e os passageiros tem que usar o cinto de segurança. O passeio de bugue é para os fortes. O bugue saculeja bastante e em várias vezes, dá a sensação que cairá no precipício (mas não cai, é ilusão de ótica!). Para os menos destemidos, recomendo olhar para o lado e não sentar no banco do carona. Eu adorei o passeio. Durante o passeio há paradas para praticar o sandboard. Só o fiz nas primeiras dunas. Com o desenrolar do passeio, estas vão ficando cada vez mais altas. O ápice do passeio termina com o por-do-sol com visão panorâmica de todo o oásis.

Cá entre nós, Huacachina é bonitinha e tranquila mas eu acho que não merece mais do que um pernoite. Sei que muita gente não gosta de viagens em ritmo acelerado mas sendo franca, se você quer descansar na viagem ou  fazê-la num ritmo mais lento, melhor que faça em Cusco.

Bodega Tacama e Areneros

Resumindo:

  • Bodegas de Ica  – visita guiada às vinícolas Tacama e El Catador. Saídas às 13:00 e chegada às 16:00 em Huacachina.
  • Areneros – passeio de bugue e sandboard pelas dunas de Huacachina. Saídas às 16:00 e término às 18:00, logo  após o pôr-do-sol. Na entrada das dunas é cobrada  uma taxa de entrada. Valor em novembro de 2014: 3,80 PEN

Daqui eu pernoitaria em Huacachina.

Dia 05 – Passeios em Paracas: Islas Ballestas e Reserva Nacional. Volta a Lima.

Estes passeios é melhor fazer em Paracas pois é lá que estão as Islas Ballestas e a Reserva Nacional. Nós fizemos a partir de Huacachina e tivemos que sair às 06:30 do hotel. É padronizado fazer o Islas Ballestas pela manhã e o Reserva Nacional logo após o almoço.

Passeios em Paracas

Islas Ballestas é um passeio de barco agradável. Vai por mim e escolha o lado esquerdo para sentar. Nós seguimos a sugestão do nosso motorista-guia da agência e sentamos do lado direito mas o barco em que fomos não deu volta para todos apreciarem. Foi difícil tirar algumas fotos como a do Candelabro.  Neste passeio vemos muitos animais como aves diversas e leões marinhos. Eu li um relato de comentário de uma brasileira que disse que talvez não faria o passeio de novo por causa do cheiro (das aves em especial). Reparei nisso mas eu achei suportável. Outra coisa: haverá vendedores que tentarão te convencer a comprar chapéus para você proteger sua cabeça do cocô das aves. Não compramos e deu tudo certo mas reparei que a maioria das pessoas do barco estava com chapéu. Não sei se tem relação mas como o vento é gelado, leve uma jaqueta com capuz. Assim, você mata dois coelhos com uma paulada só. Dentro do barco vai uma pessoa que te explica sobre as correntes de Humbolt (que eles chamam de correntes peruanas) e sobre as dezenas de espécies que observaremos nas ilhas. O passeio é bem agradável.

Reserva Nacional de Paracas é outro passeio interessante. Você conhece paisagens desérticas e aprende um pouco sobre as espécies que na costa peruana.  O almoço é em Lagunilla.

Na volta para Huacachina, pegamos nossas malas já deixadas com antecedência no depósito do hotel e pegamos o mototáxi para Ica. Compramos as passagens na própria agência. Elas dão na verdade um voucher que ao chegar no Terminal de buses (ônibus) é trocado por passagem. De lá, com muito trânsito na estrada, chegamos em Lima quase meia-noite. Com isso, não fizemos os passeios em Nasca pois perdemos um dia no deslocamento de Lima para Ica no dia 3.

Resumindo:

  • Islas Ballestas – passeio de barco para contemplação das Islas Ballestas. Saída às 06:30 de Huacachina. O barco sai às 08:00 do porto de Paracas e retorna às 10:00.
  • Reserva Nacional – conhecer a paisagem desértica da Reserva Nacional de Paracas com parada no novo museu. Inicia-se às 11:00 em Paracas. Almoço em Lagunilla (não incluso no preço do passeio). Chegada em Ica às 16:00

Dia 06 – Museu Rafael Larco. Shopping Larcomar. Parque de La Reserva e Circuito Mágico das Águas

Fomos conhecer o Museu Rafael Larco que tem muitos objetos de civilizações pré-incaicas. O museu é caro mas na minha opinião é muito interessante. Se quiser, oferece serviços de guia em português por mais 30 soles. À tarde, fomos conhecer o Shopping Larcomar e andar pelo malecón. A noite terminou com o Circuito Mágico das Águas. Gostei de tudo, a única mudança que eu faria é chegar mais cedo ao Parque de La Reserva pois na hora que chegamos já não tinha como garantir um bom lugar para ver o espetáculo.

Larcomar-Reserva

Dia 07 – Aéreo Lima – Cusco. Descanso para aclimatação

Com as passagens aéreas compradas uns 3 dias antes em Lima, fomos no primeiro voo da Star Peru para Cusco.  Hoje, não teria comprado o aéreo se tivesse que sair de Nasca. Teria chegado a Cusco de ônibus e já começaria a aclimatação na viagem. O dia realmente foi reservado para descansar. Fizemos o check-in no hotel, conhecemos a Plaza de Armas e depois fiquei o dia inteiro no quarto sofrendo com os males da altitude.

Plaza de Armas

Dia 08 – Q’Orikancha e Centro Q’Osqo de Arte Nativo

Após a melhora, saímos para fechar os passeios para o Vale Sagrado. Depois seguimos pela Avenida El Sol para comprar o boleto turístico no Museu do Q’Orikancha. Aproveitamos e já conhecemos o museu e fizemos uma visitação pelo Convento de Santo Domingo, pagando pelos serviços de uma guia ótima.  Uma hora depois, assistimos as danças típicas apresentadas no Centro Q’Osqo de Arte Nativo que começa às 19:00. A visitação ao Q’Orikancha levou mais ou menos umas 2h.

QOrikancha

Dia 09 – Vale Sagrado e trem Ollantaytambo – Águas Calientes

Saímos às 08:00 do hostel para fazer o passeio Valle Sagrado. O Valle Sagrado é belíssimo e infelizmente no tour das agências acaba tudo sendo feito rapidamente. Se puderem, façam o tour privativo pois terão mais tempo de contemplar o lugar e de aprender mais, tudo a seu tempo. Vale muito a pena. O passeio começa em Pisaq, para nos mercados de Pisaq e na joalheria. Segue para almoço em Urubamba (almoço típico) e a visita às ruínas de Ollantaytambo.  O guia pergunta se há pessoas que ficarão em Ollantaytambo e o horário do trem para Águas Calientes (é comum as pessoas aproveitarem o passeio para o Valle Sagrado para pegar o trem em Ollantaytambo).  É possível pegar o ônibus das 16:30 mas acredite que você só passará por Ollantaytambo. Então, para aproveitar mais o sítio, escolha o trem das 19:00.  A estação de Ollanta fica próximo à entrada das ruínas.  O povoado tem muitos cafés. Dá tempo de lanchar algo. Não esqueça de mandar e-mail para o hotel/pousada/hostel que ficará em Águas Calientes para que possam te buscar na estação. Mesmo pegando o trem das 19:00, as bilheterias para compra da passagem do ônibus para Machu Picchu estarão abertas. Foi o que fizemos.

Vale Sagrado

O que eu faria hoje: com certeza, um tour privativo para o Valle Sagrado. Uma manhã para Pisaq e à tarde para Ollantaytambo. No mesmo dia, iria para Águas Calientes. Na volta de Machu Picchu, pernoitaria em Ollantaytambo mesmo porque eu achei esta cidade um charme. De lá, faria os passeios para Moray e Maras e seguiria para Cusco.

Dia 10 – Machu Picchu e volta para Cusco

Como não compramos o ingresso com direito a subida a Huayna Picchu, pretendíamos sair às 06:00 do hostal. Como o tempo no dia anterior foi chuvoso e a recepcionista do hostal disse que não valeria a pena sair cedo pois veríamos tudo encoberto, saímos às 07:00. Em Cusco, esquecemos de fechar o guia com o hostel com antecedência. No final das contas, não contratamos guia em MP. Andamos tudo aquilo por conta própria. Manhã a vista clássica parcialmente coberta. Com o tempo, as nuvens foram se dissipando. Eu comprei o trem da volta para 16:30 mas saímos cedo da cidadela pois não caminhamos até a Puente Inca nem fizemos o percurso para Puerta del Sol. Acabamos esperando por duas horas na estação. A volta em comprei o trem para Poroy. Não sei se compraria novamente pois a viagem foi muito demorada.

Machu Picchu

O que eu faria hoje: Subiria a Huayna Picchu e faria todas as trilhas da cidadela. Contrataria os serviços de um guia. Caso contrário, a cidadela é um amontoado de pedras.

Dia 11 – Salineras de Maras e Círculos de Moray

Pegamos a van novamente na plaza San Francisco. A primeira parada é em Moray. Há infraestrutura melhor que na primeira vez que eu vim mas continuam os banheiros sem papel higiênico.

O mês de novembro revelou os círculos de Moray bem secos. Em 2011, podia-se descer até o centro dos círculos. Hoje isto está proibido para fins de preservação. As fotos com a grama bem verde provavelmente foram tiradas no inverno.

Este dia foi redondo e é o que a maioria das pessoas fazem. Hoje, eu faria este passeio a partir de Ollantaytambo com volta para Cusco.

Moray & Maras

Dia 12 – Sacsayhuamán. Aéreo Cusco – Lima. Aéreo Lima – Rio de Janeiro

Nosso voo era à tarde e eu queria que minha amiga conhecesse Sacsayhuamán, a melhor das ruínas próximas a Cusco (opinião pessoal). Fechamos com o taxista que nos levou da estação Poroy até Cusco, o transfer para o aeroporto e uma visita à ruína. Na entrada da Sacsayhuamán, uma guia ofereceu seus serviços de guia mas nós recusamos.  Aproveitamos o ensejo e fomos para o Cristo Blanco, pertinho das ruínas. De lá, se tem a visão do Centro Histórico de Cusco. Voltamos ao hotel para pegar as malas e irmos ao aeroporto. Como chegamos cedo, ainda deu tempo de almoçar em um dos restaurantes em frente ao aeroporto, pagando muito menos que pagaríamos na Plaza de Armas.  Foram cinco longas e entendiantes horas de espera no aeroporto de Lima. Se puder, evite isso. Deixe então para conhecer Lima por último, apesar de Cusco ser a cereja do bolo.

O que eu faria hoje?

Além do que foi comentado, colocaria mais um dois dias em Cusco. Há alguns museus e monumentos que não deu para conhecer por causa dos dias contados e porque  eu passei muito mal no primeiro dia.

Hoje, se eu tivesse os mesmos 12 dias eu faria assim:

Peru Roteiro Ideal

  • O sentido do roteiro seria: Rio > Cusco + Lima > Rio com um voo interno Cusc0 – Lima;
  • Excluiria Nasca;
  • Se estivesse certa que não subiria a Huayna Picchu, não faria o pernoite em Águas Calientes mas sim Ollantaytambo, que achei mais charmosa e na manhã seguinte, pegaria o primeiro trem para Águas Calientes;
  • De Ollantaytambo, faria o passeio Maras & Moray;
  • Todos os tours em Cusco seriam particulares;
  • Ficaria uma noite em Paracas e uma noite em Huacachina;
  • O dia a mais que ganhei em Lima seria para conhecer Caral, a mais antiga cidade das Américas ou para passar mais um dia na agradável Cusco.

São muitas opções, saiba o seu estilo de viagem para fazer o seu roteiro.


Peru: planejando a viagem

10 dezembro 2014

Quando falamos de viagem ao Peru, 10 entre 10 pessoas logo associam o país a Machu Picchu, a cidadela inca considerada patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO e eleita uma das sete maravilhas do mundo em 2007. O Peru não se resume a Machu Picchu. É um país de grande diversidade onde encontramos uma região de selva (destaque para a Amazônia peruana), serra (a imponente Cordilheira dos Andes) e costa. Paisagens desérticas e local de uma história de civilizações contemporâneas às pirâmides do Egito. Com isso, o país agrada a todo o tipo de viajantes: do mais despojado ao mais exigente; do bolso macérrimo ao mais abastado.

Tive a chance de revisitar o país há poucos dias. A ideia básica era voltar à Cusco e Machu Picchu mas acrescentamos mais dias no roteiro, criando uma oportunidade de conhecer algumas cidades que não vi da primeira vez como Lima, Ica e Nasca. Diferente de 2011, onde meu roteiro foi baseado somente nos relatos de viagens dos Mochileiros, agora há alguns blogs brasileiros que falam sobre esta viagem como o Sunday Cooks, Dividindo a Bagagem e o Andarilhos e outros não tão famosos mais com ótimas informações sobre os lugares. Porém ainda assim, acho que o melhor portal de informações sobre o país está no fórum Mochileiros.  Sobre Lima, o Cup of Things. Li e recomendo todos.

Peru: como chegar

Para quem vem do sul e sudeste do país, o modo mais fácil de chegar é via aérea. De vez em quando saem promoções de passagens com saídas do Rio de Janeiro e São Paulo. As companhias aéreas que voam do Brasil até o Peru são a LAN/TAM e a AVIANCA/TACA.  A duração do voo para quem sai do Rio é de cinco horas.  Não há voos diretos para outras cidades peruanas. Obrigatoriamente, deve ser feita a conexão em Lima. Daqui a cinco anos, o cenário mude com a construção do novo aeroporto de Cusco.

Uma opção é chegar pelo Peru via Acre. Creio que é a melhor relação custo/benefício para quem mora na região Norte.  De Rio Branco, pega-se um táxi coletivo para Basiléia (2h30min de viagem). De Basiléia até Assis Brasil, mais um táxi coletivo (1h de viagem). Assis é a cidade brasileira mais próxima da fronteira com o Peru.  Do outro lado da fronteira está a cidade de Iñapari.  Já na cidade peruana, pega-se uma van até Puerto Maldonado (3h de viagem). Puerto Maldonado está a dez horas de ônibus ou a 1h de avião de Cusco.

Mais informações sobre chegar ao Peru via Acre: Peru via Acre com um excelente e-book disponível para leitura aqui e o blog Um tempo fora

Se tiver tempo disponível e as passagens aéreas para o Peru estão caras, uma opção é conhecer o Peru começando pela Bolívia, que é a rota clássica dos mochileiros.

Minha opção desta vez, foi ir no voo GIG-LIM (Rio de Janeiro – Lima) em uma promoção pela TACA/AVIANCA por pouco mais de R$ 1.000 (não foi tão promoção assim pois um mês antes perdemos uma verdadeira promo por R$ 600 o aéreo).

Quando ir

Para Cusco e arredores, o melhor período é de abril a novembro, quando não há incidência de chuvas. A alta temporada é nos meses de junho a agosto. Aconselho sempre antes de você ir viajar, saber os dias de feriado do local (ver Calendário do Peru). Em Cusco, dia 24 de junho  há a festa do Inty Raimi, a grosso modo uma festa em homenagem ao sol, a maior nos tempos dos inca. Confira o calendário de festas e feriados em Cusco. O período de chuvas é no verão, de dezembro a fevereiro.

Em Lima, praticamente nunca chove porém há um fenômeno em que o céu fica nublado durante oito meses do ano. O céu azul aparece somente no verão (janeiro a março).

O roteiro

Tínhamos 12 dias e os dividi assim:

Roteiro planejado Peru 12 dias

Acho que para 12 dias está de bom tamanho. Nem muito corrido nem slow travel. Se tivesse mais dias, colocaria Arequipa e Puno no roteiro (falo mais sobre o assunto em Roteiros no Peru) e aí circularia de ônibus entre as cidades.  Caso alguma coisa dê errado, corto o dia em Nasca. Aconselho-te a sempre ter um ou dois dias livres no roteiro em caso de imprevistos como por exemplo, o que aconteceu em maio de 2011 onde a fronteira terrestre Peru-Bolívia estava fechada há dias e como opção, cruzamos o lago Titicaca de barco.

Eu tentarei ser o mais detalhista o possível  para explicar o roteiro. Para isso, precisaremos de um mapa:

Mapa do Peru

 

Mapa Rotas no Peru

Fonte: Peru Rooms

Lima
Vamos começar por Lima. Lá no fórum Mochileiros, é difícil encontrar algum relato de alguém que fique mais de 2 dias em Lima. No roteiro do meu primeiro mochilão, eu reservei dois dias e assim o mantive. Basicamente, é conhecer o bairro de Miraflores, o Centro Histórico e à noite, o Circuito Mágico del Água no Parque de La Reserva. Dos museus, o que mais me despertou interesse foi o museu Rafael Larco Herrera. Na capital, há algumas ruínas das civilizações pré-incaicas como os sítio arqueológicos de Huaca Pucllana e Pachacamac. Pesquisando,vi que tem coisas interessantes a fazer como daytours para Isla Palomino (para nadar com os leões marinhos) e Caral (a cidade mais antiga das Américas – tour puxadíssimo, 3 horas de viagem!), além de tour específico para os leitores de Mario Vargas Llosa e aulas de culinária. Gostei muito da proposta da Lima Gourmet Company. Muito bem elogiado no Trip Advisor. O único problema é que caro demais para o meu bolso magro.

Falando no Trip Advisor, gostei da ideia de um city-tour a pé com moradores. Agendei o traslado aeroporto-hotel e o city-tour com a Peruvian Local Friends. Isto já no dia da chegada.

Atrações em Lima

Ica e Huacachina
Quatro horas de ônibus separam Lima de Paracas, onde faremos os passeios para  as Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas, que podem ser feitos em um único dia. Assim fazem a maioria das agências: pela manhã, as Islas Ballestas; à tarde, Reserva Nacional. Após os passeios, seguiremos até a rodoviária de Paracas para pegar o ônibus para Ica (a 1h de Paracas) e logo depois, o táxi para Huacachina (1o min). Huacachina é um oásis no meio da região desértica. A região de Ica é conhecida pelos vinhos peruanos e pela fabricação do pisco (bebida nacional). No dia seguinte, ficaremos por Huacachina para fazer uma espécie de reconhecimento de campo. Na lagoa, podemos andar de pedalinho ou de caiaque. À tarde, há a opção de conhecer as bodegas de Ica (bodega Tacama e a El Catador) e praticar o sandboard durante as paradas do passeio de bugue com emoção (chamados de areneros) pelas dunas gigantes.

Atrações em Paracas e Ica: Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas, Bodega El Catador e Bugue em Huacachina

A ideia é sair de Lima com destino a Paracas no horário ingrato de 3:45 da madrugada. Eu li que neste horário boa parte dos passageiros descem em Paracas e pegam um táxi diretamente para o porto de Paracas para fechar os passeios. Reza a lenda, que as bagagens grandes podem ser deixadas no terminal da Cruz del Sur (necessário confirmar a informação).

Nasca
Pegaremos o ônibus Ica – Nasca (duas horas de viagem) e do terminal pegar o táxi diretamente ao aeroporto para contratar o sobrevoo. A atração principal são as misteriosas linhas de Nasca. Pelo que eu li, o ideal é fazer o sobrevoo logo pela manhã e fechar o passeio no aeroporto que sairá bem mais barato.  À tarde, pegar um ônibus para Lima ou Cusco.  Aqui está a minha maior dúvida do roteiro. Não sei se chego em Cusco vinda de ônibus a partir de Nasca (9h ou 13h30min) ou de avião a partir de Lima (1h10min).  A opção terrestre parece ser menos trabalhosa porém são muitas horas de estrada sinuosa. Decidirei quando estiver lá. A princípio, o que mais me agrada é  chegar por meio aéreo.

Cusco
A antiga capital do Império inca é a cidade mais visitada do país e totalmente preparada para o turismo.  Não tem muito mistério organizar seus dias por lá. Distribua-os assim:

  • O dia da chegada na cidade é reservado para aclimatação (adaptação do organismo à altitude, ar rarefeito);
  • Um dia para conhecer a cidade que é muito charmosa: Plaza de Armas, a Catedral, a Companía de Jesús, o Q’Orikancha e as ruínas próximas (passeio conhecido como city tour);
  • Um dia para o Valle Sagrado dos incas;
  • Um dia para Salineras de Maras e Círculos de Moray;
  • Um dia para Machu Picchu.
  • Um dia para Tipón, Pikillacta e Andahualillas.

Se tivesse mais um dia, acrescentaria em Cusco. Há muito o que se conhecer por lá.  No meu caso, preteri o  passeio para Tipón, Pikillacta e Andahualillas para conhecer Nasca. Caso você tenha poucos dias para conhecer Cusco, eu sugiro dar preferência ao Vale Sagrado e a Machu Picchu, óbvio. Das ruínas locais, a mais interessante é a Sacsayhuamán. Dá para reservar uma tarde e conhecer o Q’Orikancha e a ruína local.

Atrações em Cusco: Salineras de Maras, Círculos de Moray e Machu Picchu

Os deslocamentos

Os trechos de ônibus serão feitos pela Cruz del Sur pois tive uma excelente experiência com a companhia no trecho Arequipa-Tacna em 2011. Dá para comprar as passagens no site da companhia http://www.cruzdelsur.com.pe/. Quem compra com antecedência pode economizar bons trocados na tarifa Insuperable (mesmo com o famigerado IOF). Eu não quis deixar o roteiro engessado, então deixei para comprar as passagens em cima da hora. Há outras boas companhias peruanas como a Ormeño, a CIAL e a Oltursa.

A minha dúvida é se chegarei por Cusco via aérea ou terrestre.  Se a escolha for aérea, pegarei um ônibus noturno Nasca – Lima (7 horas de viagem). Ao chegar em Lima, pegar um táxi para o aeroporto e de lá um aéreo para Cusco (1h de voo). As companhias aéreas que tem o voo Lima – Cusco são a Peruvian Airlines, Star Peru, Avianca e Lan. Não achei boas resenhas sobre a Peruvian. Há histórico de atrasos e overbooking. Há também a Lan e Avianca como opções mas por causa da política de preços mais baixos para residentes, dificilmente o trecho interno nestas companhias será mais barato.

No próximo post, explico como são os passeios.


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