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São João no Maranhão: O Bumba Meu Boi

28 julho 2015

Visitar São Luís no mês de junho é ser agraciado com a oportunidade ver o São João do Maranhão, algo bem diferente dos festejos juninos no restante do país. As lembranças que eu tenho de festa junina são da época da infância e uma parte da adolescência: balões, escola e a praça do bairro enfeitada com bandeirolas, competição de quadrilhas, barraquinhas com os quitutes (cocada, cuscuz, mingau, arroz doce, canjica, pé-de-moleque, bolos, algodão doce, pipoca, maçã do amor, etc) e com as brincadeiras  como por exemplo, “jogo de argolas”, “pescaria” e “tiro ao alvo” e lógico, uma grande fogueira.

Meninos com camisas xadrez e meninas com seu vestido de pano de chita. Na quadrilha sempre tinha um padre, os noivos e o restante do grupo. Dançavam, sob as animadas músicas tradicionais e do grande Luiz Gonzaga, os passos  “túnel”, “roda”, “caracol”, “olha a cobra!”,  “olha a chuva!”, “Mas é mentira!” e aos gritos de “Anarriê!”.  Bons tempos! Lembrando que sou do subúrbio do Rio. Sempre foi tradição nos finais de semana entre os meses de junho a agosto ter festa junina nos bairros. Já faz um par de anos que não piso em uma festa junina.  Sei que muita coisa mudou mas pelo que eu vi, a tradição dos festejos resiste bravamente. Não sei se ainda existe isso na Zona Sul.

Eu, creio que como todo mundo, sabe que lugar bão de festa junina é no Nordeste. Sempre quando chega o mês de junho, o destaque no noticiário é para as rivais Caruaru, em Pernambuco e Campina Grande, na Paraíba. Conta inclusive com apoio do Governo. A TV também destaca rapidamente sobre a festa do Bumba Meu Boi no Maranhão.  Eu não tinha a menor ideia do que é o tal do boi.  O que eu tenho de recordação é ver na TV uma pessoa com a fantasia do boi bumbá dançando e rodando.

Aprendi um pouco sobre esta dança do nosso folclore na Casa do Nhozinho e principalmente na Casa do  Maranhão, onde há uma sala com exibição de vídeo explicativo. Fui conferir como tudo funciona no grande arraiá da praça Maria Aragão em São Luís.  Fiquei surpresa e encantada com a festa! Então, se estiver por estas bandas durante o período junino, não deixe de ir aos arraiás!

A origem e a lenda do bumba-meu-boi

Acredita-se que a origem do bumba-meu-boi tenha surgido no Nordeste no século XVII e XVIII, durante o Ciclo do Gado. O bumba-meu-boi possui diversas denominações em todo o Brasil. Como boi-bumbá, no Amazonas e no Pará, boi-calemba, na Bahia, boi-janeiro, etc.  A manifestação mais popular do folclore é no Maranhão e é a principal atração dos festejos juninos.

A lenda

O Bumba meu boi é baseado em uma lenda. A história mais comum é esta:

” Era uma vez um casal: Pai Francisco – negro Chico e Mãe Catirina. Grávida, Catirina começou a ter desejo por língua de boi. Não podia ser qualquer boi. Tinha que ser a língua do boi mais adorado da fazenda. Para satisfazer sua vontade, Pai Francisco mata o boi e corta a língua.  O casal foge. Quando o fazendeiro descobre, fica furioso  e após investigar entre os escravos quem foi o responsável pela morte do animal, ordena que os índios capturem Pai Francisco. O fazendeiro obriga-o a trazer o boi de volta. Ele se dá conta do erro e pede para que os pajés o ajudem. Os pajés conseguem ressuscitar o boi, o fazendeiro  perdoa Pai Francisco e assim todos comemoram o milagre, dando início a uma grande festa”

Apresentação

A lenda é contada sob forma de “auto”.  O elenco é composto de personagens fantasiados e o auto é acompanhado de banda musical. Os principais personagens são:

  • O boi – é a figura principal da apresentação. É feito de estrutura de madeira em forma de touro, forrado com veludo bordado.  Na armação é presa uma saia de tecido colorido que serve para esconder a pessoa que faz a evolução. Esta pessoa é chamada de miolo;
  • Pai Francisco e Mãe Catirina – Escravos ou trabalhadores rurais (dependerá do enredo).  Catirina geralmente é representada por um homem vestido de mulher.
  • Dono da fazenda – Comanda o grupo com o auxílio de um apito e canta as toadas (as canções);
  • Índias – mulheres vestida com penas;
  • Vaqueiros – são os empregados do dono da fazenda. No enredo, eles avisam ao fazendeiro da morte do boi;

As pessoas que participam do auto são chamada de brincantes. Os bois maranhenses são divididos de acordo com o “sotaque”.  O que distingue esses sotaques  são os instrumentos musicais e a forma como são tocados (ritmo e cadência). São cinco os sotaques: matraca, zabumba, orquestra, baixada e costa de mão. Saiba mais sobre os sotaques dos bois maranhenses na série de reportagem da TV Brasil.

São João do Maranhão

Os festejos juninos no Brasil em geral são para homenagear os três santos católicos:  Santo Antonio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). No Maranhão, homenageia-se também São Marçal (30 de junho), dia do encerramento oficial dos festejos juninos, marcado pelo encontro dos batalhões de Bumba meu boi no bairro João Paulo.

Curiosidades

– O primeiro registro que se tem do Bumba meu boi é de um jornal recifense chamado O Carapuceiro em 1840.

– Em agosto de 2011, o bumba-meu-boi foi reconhecido como patrimônio cultural do Brasil pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional);

– Comemora-se em 30 de junho o Dia do Bumba-meu-Boi.

– O estado do Maranhão é o único que comemora os quatros santos católicos no mês de junho.

– A festa de São Marçal surgiu a partir da proibição aos grupos de Bumba Meu Boi de seguirem para o centro da cidade, sob pretexto de manter a ordem. O limite era o areal do João Paulo.  Os grupos acabam por se encontrar lá, virando tradição que é mantida até hoje.

Os arraiás de São Luís

Como estávamos no Centro Histórico, fomos ao arraiá da Praça Maria Aragão, um dos principais arraiás da cidade. Também fomos ao arraiá ao Shopping da Ilha que nem tem comparação com o Maria Aragão. Tudo é feito no pequeno espaço oferecido no interior do shopping. As apresentações foram ótimas. No dia que fomos, um grupo de meninas se apresentou. Como elas dançam! Também vimos a apresentação de um quadrilha. Já no Maria Aragão, vimos alguns bois com sotaque orquestra. Depois da aula na Casa do Maranhão, foi fácil identificar 😉

Maria Aragão

Outros arraiás considerados principais na cidade: o da lagoa da Jansen e o do CEPRAMA.  A programação do São João é divulgada nos jornais locais e no site do Governo do Estado: http://www.ma.gov.br/saojoao2015/

As outras manifestações culturais em São Luís são o Tambor de Criola e os Cacuriás. Infelizmente, não pude prestigiar nenhuma delas.

Comidinhas

Aqui em São Luís e também em Barreirinhas, as comidas de barraca dos arraiás é diferente do Rio.  Não há as comidinhas específicas para o período de  “São João” como estamos acostumados. É oferecido comida normal, do dia-a-dia, como arroz de cuxá, torta de camarão e carne de sol. Há os lanchinhos engordativos como pipoca, batata frita, sorvete, bolos, etc.  Vale a pena comentar sobre os regionalismos: a conhecida canjica no Rio é chamada no Maranhão de mingau de milho. O curau paulista é chamado de canjica.

Segurança

O arraiá da Maria Aragão é muito bem policiado. Apesar de estar cheio não vi nenhuma desordem. Mesmo que esteja no Centro Histórico recomendo pegar um táxi para lá. Difícil será achar taxista que aceite a corrida. Tivemos dificuldade para conseguir um. Peça a ajuda no hotel. Evite se arriscar.

Um olhar crítico da turista

Gostei muito do Bumba Meu Boi mas meu olhar feminino crítico observou logo uma coisa: os brincantes que se apresentaram na Maria Aragão são em boa parte gente nova e com corpos bonitos.  As mulheres vestidas de índias, com pouca roupa. Já sei que alguém deve estar pensando: “__ Já viu índio vestido, Pat?”, “__ Qual é o problema de ter gente bonita nos bois?”. Eu respondo: “__Nenhum!”. Porém fiquei pensando onde estão os bois que o povão, pessoas comuns, os mais velhos, participam?  Só ficam na platéia?  Não teve como eu não fazer uma comparação com o carnaval carioca. As pessoas comuns não estão na Sapucaí.  Estão nas ruas. Então, quando voltar a  São Luís esta época, irei me informar sobre os arraiás de bairro. Além de ver uma apresentação do Cacuriá e do Tambor de Criola.

 

 


São Luís e Alcântara: comes e bebes

27 julho 2015

Onde comer em São Luís

Desta vez fiquei hospedada no Centro Histórico mas ainda não tive a oportunidade de experimentar os pratos elaborados pelo restaurante-escola do SENAC pois justamente no dia a especialidade era frutos do mar, que eu não como.  As minhas sugestões então são dois restaurantes localizados na orla do Calhau: o restaurante Cabana do Sol e a Pizzaria Vignoli.

Cabana do Sol

Restaurante de comidas típicas maranhenses. A pedida é a carne de sol de filé (servida como se fosse um peixe). Há também camarão na moranga e anchova na brasa. As porções são fartas de forma que um prato para 2 pessoas comem tranquilamente 3 pessoas.  Se for aos finais de semana, é provável que tenha uma fila de espera já que o restaurante é ponto final dos city-tours oferecidos pelas agências. O atendimento é bom e a comida é saborosa. Sem falar na sobremesa.  Que delícia! Não lembro mais o nome mas deixo a foto aqui para vocês terem uma ideia. Foi uma excelente sugestão da Roberta, uma das pessoas gente-fina que conheci na viagem.

Cabana do Sol filé

31 Cabana do Sol Sobremesa

Pizzaria Vignoli

Fomos à pizzaria a convite de um casal igualmente gente-fina que conhecemos na viagem, a Kelly e o Wallace.  As pizzas da Vignoli são muito boas e tem massa fina. De forma que provavelmente uma não satisfará a fome de duas pessoas. Pedimos uma pizza doce e uma salgada. Há uma particularidade: não se usa talheres para comer mas sim as mãos, protegidas com luvas de plástico.  O clima é agradável e o restaurante está praticamente a beira-mar. Recomendo.

Pizzaria Vignoli

Em tempo:  eu devia criar um post chamado “Causos de Viagem”. Nós pegamos um táxi no Centro Histórico e pedimos ao motorista para nos deixar na Pizzaria Vignoli. Eis que o motorista do táxi “deu de ombros” significando que nunca tinha ouvido falar. Como assim, um taxista dá de ombros?! Fiquei boquiaberta (sentido figurado). Calmamente, falei com ele que a pizzaria ficava na orla do Calhau. Pronto, ele se movimentou.  Caso você dê essa “sorte”, avise ao taxista que fica na Av. Litorânea – praia do Calhau, ao lado do Litorânea Praia Hotel.

Onde comer em Alcântara

Almoçamos no restaurante da pousada Bela Vista. O ambiente é agradável e bonito e a comida é saborosa porém  o maior pecado do restaurante é a lentidão no atendimento. Pelo que soubemos, só havia uma cozinheira. Não sei se fomos num dia ruim, mas o funcionário que anotou os pedidos estava bem estressado com a situação.  Um copo de suco para os amigos levou mais de uma hora! Estávamos com horário apertado para pegar a lancha de volta mas graças a Deus, deu tudo certo.  Recomendo sim o restaurante mas com a ressalva “venha sem pressa”.

Bela Vista

Outro detalhe é que o restaurante não fica tão perto assim do Centro Histórico mas dá para ir caminhando tranquilamente. Por isso, considere aí uma meia hora para chegar até o porto do Jacaré (acredito que o tempo de caminhada seja menor).

Outra dica além de comprar o doce de espécie (vende em uma lojinha na ladeira do Jacaré),  é tomar um sorvete na Sorveteria Açaí. Uma providencial parada para amenizar um pouco do sol em Alcântara. Curiosidade: no Maranhão o açaí é chamado de juçara.

Sorveteria Açaí


Bate-volta a Alcântara

26 julho 2015

Alcântara é uma cidade histórica com ar bucólico que se pode visitar em um único dia a partir de São Luís. Antiga aldeia de índios tupinambás,  foi elevada a categoria de vila em 1648.  Alcântara já foi uma das cidades mais ricas do Maranhão durante o período colonial, graças à produção de algodão e arroz. Entrou em decadência no século XIX, agravada pela abolição da escravatura. O conjunto arquitetônico de casarões, igrejas e outras edificações, testemunhas daquele período próspero, levaram o IPHAN a considerar Alcântara como patrimônio histórico nacional.

Como chegar a Alcântara

O acesso mais rápido é pela baía de São Marcos. As embarcações saem do Cais da Praia Grande, no Centro Histórico. Confirme no dia anterior, o horário de saída das embarcações e tenha dinheiro trocado para pagar o ingresso.  Como a variação das marés é muito grande na baía de São Marcos, não há horários fixos para saídas dos barcos.  O barço balança consideravelmente. Para quem é mais suscetível a passar mal, convém tomar remédio anti-enjoo.  A viagem dura cerca de 1 hora.

Terminal Hidroviário
Terminal hidroviário de Alcântara

A chegada é no porto de Jacaré – Terminal hidroviário de Alcântara. Se estiver por conta própria, indico entrar para confirmar o horário da volta das embarcações e assistir um vídeo que fala sobre a cidade. Em tempo: se você gosta de cidades históricas e quer saber mais sobre sua História, convém contratar um guia. Logo ao chegar no porto, algumas pessoas oferecem seus serviços de guia por Alcântara. Os pontos turísticos são acessíveis a pé.

O que conhecer em Alcântara

Todas as atrações de Alcântara são facilmente conhecidas a pé a partir da ladeira do Jacaré, que foi o ponto inicial do nosso percurso. Conhecemos as atrações:

– Porto do Jacaré

– Ladeira do Jacaré
Principal ponto de acesso a cidade. Destaque para o desenho em forma de losango que as pedras fazem, lembrando o símbolo macônico.

Ladeira do Jacaré

– Capela de Nossa Senhora das Mercês
– Capela de Nossa Senhora do Desterro
– Igreja de Nossa Senhora Do Carmo
As igrejas de Alcântara
As igrejas de Alcântara: (1) Capela das Mercês; (2) Capela N Sra do Desterro e (3) Igreja do Carmo.

– Rua da Amargura
Antiga rua Bela Vista, local de moradia das famílias alcantarenses mais ilustres. Há duas versões para o nome da rua: uma é pelo pranto das mães ao se despedirem dos filhos que sairiam da vila para estudar em Coimbra e a outra em referência aos escravos que passavam por esta rua para serem castigados no pelourinho.

– Ruínas do casarão do barão de Mearim e ruínas do casarão do barão de Pindaré (Casa do Imperador)
A notícia que o Imperador Pedro II viria a Alcântara gerou a rivalidade entre dois barões: o de Mearim e o de Pindaré. A disputa era para ver quem construiria o mais belo palácio para hospedar Pedro II. Reza a lenda que a história acabou em tragédia. Houve um assassinato de um dos barões e por esta razão, o imperador cancelou a viagem.

Ruínas Barão Pindaré
Ruínas do casarão do barão de Pindaré, conhecido por alguns como A Casa do Imperador. Em frente à Igreja do Carmo.

ruínas Mearin
Ruínas do casarão do barão de Mearim (1) e (2). Rua da Amargura (3).

– Praça da Matriz
Abriga o pelourinho, as ruínas da igreja de São Matias. A praça é rodeada de sobrados como a Prefeitura (antiga Casa da Câmara e Cadeia) e o Museu Histórico de Alcântara.

Igreja São Matias
ruínas da Igreja de São Matias

31 Praça Matriz
Museu Histórico do Maranhão, as ruínas da igreja de São Matias e o pelourinho com a Prefeitura à esquerda.

– Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Igreja construída pelos escravos. Infelizmente, o nosso tempo estava curto e não deu tempo de ouvir a história contada pelo senhor que estava ali com o tambor de crioula. Ficará para uma próxima vez!

– Casa de Cultura Aeroespacial
Na década de 80, a cidade foi escolhida como local da construção de um novo centro de lançamento aeroespacial, graças a sua privilegiada posição geográfica, próxima à linha do Equador.  O Centro Aeroespacial não está aberto a visitações sem agendamento mas há a casa de cultura aeroespacial que contém textos explicativos sobre a história dos projetos aeroespaciais brasileiros e sobre o CLA em particular. A visitação é gratuita. Nós tivemos a sorte de encontrar com um militar aposentado que trabalhou por alguns anos no CLA e teve a maior boa vontade em explicar tudo sobre o assunto. Obrigada!

Compras

Eu acho que a melhor lembrança que você pode levar de Alcântara é o doce de espécie. É um doce feito de coco. Vende a unidade (R$ 2) ou bandeja com 6 unidades a R$ 10. Eu acabei esquecendo de fotografar mas neste link você saberá como é a cara dele. Aproveitando que já falei de comida, estando calor em Alcântara (muito difícil que não esteja), não deixe de dar uma passada na Sorveteria Açaí.

Planejando seu daytrip (bate-volta) a Alcântara

1 – Se estiver hospedado no Centro, recomendo que vá ao terminal de Praia Grande (98 3232-0692) no dia anterior para saber o horário de partida das embarcações para Alcântara. Para quem está na orla, recomendo telefonar com antecedência .. Aproveite e já pergunte o preço pois eles têm dificuldade em conseguir troco;

2 – Sabendo o horário chegue ao menos com meia hora de antecedência;

3 – O barco balança demasiado. Se tem facilidade para enjoar, tome um remédio anti-enjoo antes (logicamente, o que não dá sono!);

4 – Pegue um mapa na secretaria de Turismo;

5 – Há várias pessoas que oferecem serviços de guia. Eu gosto de ouvir a história do lugar, nós contratamos e pagamos cada uma R$ 10. Achei que valeu muito a pena.

6 – Em Alcântara existe a sesta (dormir após o almoço). Logo após o almoço os estabelecimentos fecham e só abrem próximo do fim de tarde. Então, não deixe para comprar pra depois seu doce de espécie (experiência própria).

Se tivesse que repetir o passeio, o que eu mudaria no roteiro?

O dia que eu fui a Alcântara foi um dia em que o período de chegada e saída da cidade foi mais ou menos 4 horas. Então, tudo ficou corrido. Não tivemos tempo para fazer o passeio depois por conta própria e fotografar à vontade e comer com calma.  Porém não me arrependo porque gostamos muito do serviço do guia que graças a minha excelente memória não me recordo o nome. Almoçamos na pousada/restaurante — mas o serviço foi extremamente lento que por pouco comprometeu a nossa volta para São Luís.

Se eu tivesse que voltar a Alcântara, com certeza seria nos festejos para a festa do Divino Espírito Santo. Ficaria um dia por lá e faria os passeios como a revoada dos guarás e conheceria os locais. Apesar de não ter gostado da lentidão do atendimento do restaurante, me hospedaria lá porque o ambiente e a vista é agradável.

Saiba mais sobre Alcântara

Site Cidades Históricas

Passeio Urbano

Wikimapia – Alcântara


2 dias em São Luís: roteiro e dicas

26 julho 2015

O que fazer em São Luís

Cidade dos Azulejos. Capital brasileira do reggae. Assim é conhecida São Luís, a capital do Maranhão.  Provavelmente o motivo maior da sua viagem seja conhecer os Lençóis Maranhenses mas reserve ao menos 2 dias para conhecer o essencial de São Luís. A cidade tem muito a oferecer em termos de História e cultura popular, principalmente se for no mês de junho, em que as apresentações do Bumba meu boi se espalham pelos arraiás da cidade.

Fazendo as contas, eu só tive praticamente 3 dias em São Luís, somando as duas viagens. Falta conhecer  algumas atrações do Centro Histórico, que ficará para uma próxima oportunidade. Eu comento sobre estas atrações no “roteirinho” abaixo.

Dia 1 – Centro Histórico

A história de São Luís começa em 1612, quando a expedição comandada por Daniel de La Touche, o Senhor de La Ravardière,  fundou o forte de São Luís. O nome do forte (do francês, Saint Louis) foi uma homenagem ao então rei Luís XIII, dando origem à colônia França Equinocial. Após a saída dos franceses – em acordo com os portugueses, São Luís ainda foi invadida pelos holandeses – que permaneceram por ali por três anos – para finalmente em seguida, colonizada pelos portugueses.

São Luís é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO devido à preservação da arquitetura colonial dos casarões do Centro Histórico. Muitas fachadas continham azulejos trazidos de Portugal (por esta razão, o apelido de “Cidade dos Azulejos”) para isolar termicamente o ambiente no interior das casas.  O Centro Histórico é um museu a céu aberto.  Pena que muitos dos casarões estejam com aspecto de abandono! Provavelmente, mais um descaso do Poder Público e dos proprietários, por que não dizer. O coração do Centro Histórico fica no bairro de Praia Grande.

Veja estes mapas: mapa 1 | mapa 2

ATRATIVOS

Sempre é bom você já estar com o mapa (verifique se o seu hotel tem um). Caso não tenha, comece seu roteiro pela Casa do Nhozinho, na rua Portugal (rua do Trapiche). Lá eles distribuem o mapa do Centro Histórico gratuitamente.

Casa do Nhozinho –  rua Portugal, 185.  O nome do espaço é em homenagem ao artesão Antonio Bruno Pinto Nogueira, o Nhozinho. Famoso por suas peças esculpidas na palha de buriti.  Com todas as suas limitações, a obra de Nhozinho é admirável. Além das peças de Nhozinho, há vários objetos que remetem à vida do maranhense como barcos, o Bumba meu Boi, artesanato indígena, etc. A visita é guiada e a entrada é gratuita.

Casa de Nhozinho
Exposição na Casa do Nhozinho

Saindo da Casa de Nhozinho, aproveite e visite a Casa do Maranhão.

Casa do Maranhão –  Espaço dedicado que fala sobre as tradições e a cultura maranhense o Bumba Meu Boi. Também há uma área que fala dos grandes escritores maranhenses. Ignorância da minha parte, não sabia que Humberto de Campos, Ferreira Gullar, Aluísio Azevedo, Artur Azevedo e Gonçalves Dias nasceram no Maranhão. Há salas com exibições de vídeos. Entrada gratuita.

Casa Maranhão

Volte para rua Portugal (rua do Trapiche) e repare na fachada das edificações. É nesta rua que está a maior sequência de casarões com fachadas azulejadas, como o que está instalado o Museu de Artes Visuais. As empresas mais importante da época possuíam estabelecimento ali. Aproveite e distraia-se nas várias lojinhas de artesanato.

Rua Portugal
(1) O edifício de 3 andares com fachada azulejada é ponto de referência. Ali é a rua Portugal. (2) As diversas lojinhas de artesanato; (3) a rua Portugal ou rua do Trapiche vista do outro lado.  No primeiro plano, à esquerda é a Casa do Nhozinho, ao lado da fechada Oficina de Turismo.

Os azulejos da Rua Portugal
A rua Portugal

Na rua Portugal, entre no beco que dá para Casa das Tulhas. O beco fica justamente ao lado de uma loja onde você encomenda azulejos com o seu nome grifado. A Casa das Tulhas era um antigo armazém que foi transformado em mercado público. As várias barracas oferecem produtos típicos da região como a geléia de pimenta, o doce de espécie, a tiquira, frutos regionais e artesanato. A entrada principal fica na rua Estrela.

Casa das Tulhas
Fartura de camarões, o buriti e a tiquira na Casa das Tulhas

Siga em direção a rua Giz. Se a esta altura estiver com fome, há alguns restaurantes na rua do Giz (rua Vinte e oito de julho).  Um restaurante bastante recomendado em Praia Grande é o restaurante-escola do SENAC. Funciona no sistema self-service ao preço de R$  48.  Cada dia é uma especialidade. Só não almocei lá porque a especialidade do dia era frutos do mar.  A localização é na rua de Nazaré. Esquina com a rua do Giz.

Rua do Giz
A rua do Giz. O prédio de fachada amarela é o restaurante do SENAC.

Suba a escadaria praticamente em frente ao restaurante do SENAC e visite a Catedral de São Luís, a Igreja da Sé.

Igreja da Sé

Ao lado da igreja está o hotel Grand São Luís e alguns metros adiante, o Palácio dos Leões, sede administrativa do governo do estado.

Palácio dos Leões –  Antigo forte de São Luís cuja construção foi transformada em palácio pelos portugueses. Entrada gratuita. Uma parte do palácio está aberta a visitação. As visitas são guiadas e a entrada é gratuita. É proibido fotografar durante todo o tour guiado.

Palácio dos Leões

O roteirinho pelo Centro Histórico termina aqui mas há outros lugares interessantes para se conhecer como o teatro Arthur Azevedo, o Museu Histórico e Artístico do Maranhão, o Convento das Mercês, o Museu do Negro ou Museu Cafuá das Mercês e Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (clique aqui para ver um episódio do “Conhecendo Museus”  da TV Brasil). Também não assisti a exibições do Tambor de Criola. Com isso, vem as dicas para quem quer conhecer um pouco sobre o Centro Histórico em Praia Grande.
Palácio dos Leões

DICAS

1 – Reserve um dia inteiro para conhecer as ruas, os becos, os centro culturais e outros espaços aberto a visitação.

2 – Se pretende conhecer o Centro Histórico, deixe para fazer em dias de semana – terça a sexta. Às segundas, muitas das atrações estão fechadas. Nos finais de semana, o Centro é muito deserto.  Deixe o final de semana para conhecer  a Av. Litorânea ou ir em Alcântara.

3 – Por falar em segurança, recebemos vários alertas sobre a violência da cidade. Bom, eu sou do Rio e desconfio muito quando alguém fala que o lugar X está perigoso. “__Perigoso quanto?”, sempre pergunto. Do jeito que fomos avisadas, a recomendação era até para evitar a cidade. Não é necessário. Tomando os devidos cuidados (coisas que quem mora em grandes cidades está acostumado), dá para conhecer sim o Centro Histórico. Inclusive, não sei se tem a ver com o São João, vimos policiais fazendo ronda nas redondezas.  Porém, isto não te dá passaporte para ficar andando com jóias nem ficar com a câmera fotográfica pendurada no ombro como se fosse bolsa. Olho! No período que estive por lá, as notícias dos jornais sobre a violência em São Luís não eram nada tranquilizantes.  Uma pena que a violência esteja se alastrando cada vez mais pelo país.

4 – Caso queira conhecer o interior do Palácio dos Leões, não vá de salto alto. Na entrada do palácio, é necessário colocar uma proteção nos sapatos para não danificar o chão do palácio, que é de madeira. Eu esqueci o nome do tecido mas parece ser o mesmo da touca que os profissionais de saúde usam.

 

Saiba mais : 

TV Brasil – 400 anos de São Luís (2012)
IPHAN
Passeio Urbano – Infelizmente só conheci este site depois de voltado da viagem. Tem vários artigos sobre os atrativos de São Luís e roteiros por Praia Grande, Nazaré, etc.

Revista de História – Tambor de Criola

Dia 2 – Avenida Litorânea

A melhor dica para aproveitar as praias de São Luís é caminhar pelo calçadão ou pela areia, admirar a paisagem e aproveitar a infra-estrutura dos quiosques. As praias na maioria das vezes estão impróprias para banho (sempre vejam as placas sobre as condições de balneabilidade das praias) e as águas barrentas (não espere o “azul da cor do mar”).   Das praias, creio que a mais agradável para a família seja a praia do Calhau. Inclusive, por lá há opções de hospedagem com boa relação custo/benefício.

São Marcos

Como dica de boa comida, indico o restaurante Cabana do Sol. Comida farta e muita boa. Sem falar nas sobremesas!  À noite, uma boa pedida é a pizzaria Vignoli , cuja particularidade é que não se come a pizza com talheres mas sim com luvinhas de plástico. A pizza é muito boa, de massa fina. Ambiente agradável e  praticamente a beira-mar. Falei com mais detalhes no post de Comes & Bebes da viagem.

Sendo assim, reserve uma manhã ou uma tarde para ir ao Calhau.

Faltou conhecer

Além de vários lugares no Centro Histórico, ficou faltando passar um tempo na Lagoa da Jansen.  Só passei por lá em uma parada para fotos no city-tour, então não posso dar pitacos mas conheci gente que se hospedou por lá e teceu elogios sobre diversão à noite. Então, acho que vale a pena dar uma pesquisada.

São Luís combina com …

Alcântara
São José de Ribamar
Raposa

Onde ficar em São Luís

Eu já me hospedei no Calhau e no Centro Histórico. Ambos tem suas vantagens e desvantagens. O Calhau tem a vantagem de poder andar pela noite no Calçadão, opções de restaurantes e quiosques com mais segurança. A desvantagem é que as atrações principais da cidade estão no Centro, então por isso se justifica estar hospedado por lá.  Eu que a princípio não queria ficar por lá, acabei gostando principalmente por estar em período de festejos juninos – a corrida de táxi é mais barata para o Arraiá Maria Aragão e há festejos também próximo ao terminal Praia Grande. A desvantagem do Centro é o que todos falam e você lê em diversos depoimentos na internet e guias de viagem: a segurança.  O Centro Histórico é muito deserto nos finais de semana. A sensação não é boa. Para ter uma ideia, chegamos na sexta à tarde e já achamos o lugar vazio, quando esperávamos que isso só aconteceria no sábado à tarde.  Então, fique esperto! À noite, não é um bom lugar para ficar circulando. Sugiro ir para orla ou para lagoa do Jansen (sempre de táxi!). Se tivesse que ir mais uma vez em São Luís e fosse durante o mês de junho, ficaria no Centro Histórico. Caso contrário, ficaria na orla.


Lençóis Maranhenses: comes e bebes

21 julho 2015

A especialidade dos lugares são peixe e frutos do mar. Destaque para os camarões de Santo Amaro e do Canto do Atins. De forma resumida, seguem as dicas minhas e de amigos sobre onde comer e beber inclusive para o pessoal que não gosta de peixe e frutos do mar (eu!).

Onde comer em Barreirinhas

Há alguns restaurantes bacanas na Beira Rio (lugar onde se pega as voadeiras para Atins)  como o Bambu, o Barlavento e o A Canoa. Um outro restaurante com bom custo/benefício é o barateiro Gaúcho, próximo ao ponto final dos mototáxis. Você pode pedir o menu a la carte ou fazer sua refeição no restaurante a quilo. Na Beira Rio há o quiosque do Rei da Tapioca. Uma tapioca gigante custa R$ 6. Para almoço, recomendo o restaurante a quilo Ki-delícia. Este restaurante fica em frente ao CEPRAMA, a outra entrada que não está de frente para uma praça.  Um outro modo de localizar o Ki-delícia é ir pela rua Principal. O restaurante fica na rua perpendicular a Principal, na altura do Banco do Brasil.

De bebidas, aproveite e tome o suco de frutas regionais como o bacuri. Além dos sucos tem os sorvetes de bacuri, murici, buriti e cupuaçu (eu jurava que cupuaçu era só do Pará).  Eu não podia deixar de mencionar o refrigerante regional Guaraná Jesus, que de tanto sucesso, fez a Coca-Cola comprá-lo (um bom exemplo do lema “já que não pode vencê-los, junte-se  a eles”). Dicas: as lanchonetes de Mandacaru vendem sorvetes de frutas regionais mas o sorvete não é de boa qualidade (talvez eu não tenha dado sorte com a loja). O sorvete vendido no restaurante a quilo é bem melhor.

Em nosso último dia, jantamos no A Canoa – minha amiga comeu o camarão no abacaxi (prato destaque, muito bem recomendado). Com direito a música ao vivo (forró universitário).

Onde comer Barreirinhas

Nos passeios para as lagoas Azul e Bonita, na parada da balsa há as senhoras que vendem tapioca. No “estacionamento” do Circuito da Lagoa Bonita, também tem tapioca de coco com leite condensado.

De modo geral, comer em Barreirinhas é mais barato que Santo Amaro e Atins.

Onde comer em Santo Amaro

Em Santo Amaro à noite lanchamos um sanduíche num trailer na praça da cidade. O almoço no primeiro dia foi solicitado via telefone pela dona da pousada. Do pouco que sei, há poucas opções por lá. Uma delas é a Pousada Pontual. A sorveteria que fica logo ao lado do trailer não recomendo porque ela cobra a bola de sorvete a preço extorsivo. Durante o passeio em Betânia, se parar no restaurante Cantinho da Felicidade, não deixe de comprar a cocada vendida lá. É uma delícia!

onde comer Santo Amaro

A foto está péssima! É só para vocês terem uma noção de onde comemos em Santo Amaro à noitinha.

Onde comer em Atins

Ano passado, comi uma ótima pizza na Pousada Maresias. O almoço era sempre no restaurante em frente a pousada da tia Rita. No passado se chamava restaurante do Irmão, hoje creio que se chama restaurante dos Lençóis Maranhenses. A comida deste restaurante foi elogiada pelos casais que conhecemos ao longo da viagem assim como o Nikki bar, ao lado deste restaurante. Informe-se na Tia Rita que dia é o rodízio de pizza. Ela acaba não divulgando. Muita fartura e pizzas deliciosas por R$ 20 (melhor custo/benefício da viagem).  Outra recomendação é o restaurante Céu Aberto. Uma pessoa que conhecemos na viagem quis experimentar a moqueca de arraia e lá tinha. Ela e minha amiga comeram e aprovaram. Eu fui no filé de frango e gostei. Tudo muito saboroso e farto.

 

 


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