Perguntas e Respostas – roteiro de 25 dias pela Bolívia, Chile e Peru

1 maio 2012

Recebi um e-mail de uma leitora(!), a Silma, que quer fazer um roteiro circular mas com 25 dias por Bolívia, Peru e Chile. Estou respondendo aqui no site, pois pode ajudar outras pessoas.

“Estou tentando elaborar um roteiro de 25 dias com ida e volta (Guarulhos SP- Santa Cruz – Bolivia) de 19-maio a 12-junho-2012. Consultei seus roteiros, porém não estou conseguindo adequar. Parece que tenho pouco tempo para fazer Santa Cruz- Sucre- Potosi- Uyuni(Salar)- San Pedro do Atacama- Arica- Tacna- Arequipa- Cusco- Puno – Copacabana – La Paz – Santa Cruz – São Paulo. Estou pensando em fazer alguns trechos de avião. Estou pesquisando Calama-Cusco mas o preço está muito alto. Vi que você também foi nos mesmos meses que eu vou, faz muito frio?! Estou preocupada. Não sei se levo as roupas de frio daqui ou deixo para comprar lá.”

Oi, Silma! De início, só lendo a pergunta, eu concordei com você.  Achei que não daria tempo! Porém com um pouco mais de atenção, percebi que diferente de mim, você não pretende ir a Lima, Ica e Nazca.  Então há chances de fazer o roteiro desejado.  Adaptando a minha planilha ao seu jeito,  ficou assim:

Dá para fazer tudo mas o ideal é deixar um dia livre para emergências. Por que eu digo isso? Volta e meia naquela região tem protestos, o que pode atrapalhar sua viagem.  Então é bom ter em mente o plano B, o plano C, etc.

Baseado apenas em minhas opiniões (que não são verdades absolutas), vamos lá (gesto de entrelaçar as mãos e estalá-las):

  • Se você for de Gol, provavelmente chegará na madrugada em Santa Cruz.  Compre bolivianos o suficiente para pagar a taxa aeroportuária.  O câmbio no aeroporto é bem desfavorável, como sempre imaginamos que seja;
  • O aéreo Santa Cruz – Sucre pode ser feito pela Aerosur.  Há como comprar a passagem antecipado em São Paulo. Li isso no relato dos Mochileiros.com;
  • Se for pela Aerosur, o voo é 10:00. Dá tempo de ir no hotel e à tarde, conhecer o Parque Carl Orko e um pouco da cidade.
  • No dia seguinte, um ônibus de manhã cedo para Potosí. Deixar a mochila no guarda-volumes da rodoviária e à tarde, fazer o passeio das Minas de Prata.  Antes, pesquise se há mesmo guarda-volumes (guarda-equipajes) no terminal rodoviário;
  • Neste mesmo dia, vá para Uyuni. Você chegará na madrugada. Durma um pouco em um hotel e de manhã cedo já feche o passeio para o Salar de Uyuni, que deve começar por volta de 8:00;
  • No terceiro dia, você chega em San Pedro do Atacama.  Reserve o dia para descansar e fechar os passeios para os dias seguintes;
  • Cruzando a fronteira Chile-Peru: compre a passagem de ônibus direto para Arica. Eu fui por Calama e demora pacas o próximo ônibus. Economize tempo!  Eu não conheci o oceano Pacífico nem fiz nada em Arica.  Dependendo do que pretende fazer, já compre a passagem para Tacna. Há táxis que dizem ser mais rápido para cruzar a fronteira.  Nós fomos de ônibus e imagina que tivemos que esperar todos os passageiros fazerem a revista na rígida imigração chilena.  O mesmo na imigração peruana (mais liberal).  Não leve frutas na bolsa. Não são aceitas nas fronteiras por causa da tal mosca da fruta;
  • Em Tacna, você tem que ir para outro terminal, comprar a passagem para Arequipa.  Nós fomos de Cruz del Sur. Muita gente reclama que é caro mas em matéria de conforto, dá de dez a zero nas companhias de ônibus brasileiras;
  • Você deve chegar à noite em Arequipa.  No dia seguinte, conheça a cidade e feche o passeio para o Cañón del Colca.  Nós ficamos mais dias e fizemos o rafting no rio Chili.  Eu não sei nadar e nunca passou pela minha cabeça fazer rafting (não estou incentivando ninguém que não saiba nadar a fazer estas loucuras). Foi muito legal!  Fiz mil promessas de praticar aqui no Brasil (depois de aprender a nadar) e por enquanto… necas! As duas coisas. Ah, provavelmente na própria agência que você agendar os passeios, ela venda também a passagem de ônibus para Cusco;
  • Cusco é disparado a cidade mais bonita do roteiro. Vale a pena ficar todos estes dias lá;
  • A viagem Arequipa – Cusco passa por Puno. Acho melhor primeiro fazer Cusco que é a cereja do bolo e na volta,  conhecer Puno e fazer o tal passeio Isla de los Uros;
  • Aliás, todos são unânimes em falar que Puno só tem este passeio para fazer.  Assim que chegar na cidade, feche o passeio e compre a passagem para Copacabana;
  • Em Copacabana, o passeio é conhecer a Isla del Sol, a maior do Titicaca.  A princípio, nós íamos dormir na ilha mas eu não gostei do clima de lá, rústico demais para as já exigências de quem já está chegando na idade dos “enta”.  Nós cruzamos a ilha, fazendo a tal caminhada. Foi bem puxado mas somos sedentárias e não estávamos 100% aclimatadas;
  • Estes países só aceitam notas de dólares em perfeito estado. E o câmbio é diferente se for com notas de valor mais baixo. Leve notas de 100 dólares que não sejam da série CB.
Onde você pode cortar, caso precise:
  • Em La Paz: o passeio de Tiwanaku.
  • Em San Pedro, o  passeio Salar do Atacama e os das lagunas altiplânicas;
  • Em Copacabana, não passar o dia fazendo o trekking da Ilha do Sol, só conhecer o lado sul da ilha, o que se faz em uma tarde.
  • Em Cusco, o passeio para as Salinas de Maras e os Círculos de Moray;

Quanto ao frio, um breve relato:

Meu nome é Pat e sou carioca.  Quem mora aqui,  a uma temperatura de 22°C, já está botando uma jaquetinha ou casaquinho. Resumindo, a gente não sabe realmente o que é frio.  As roupas aqui do Rio não protegem do frio.  São tecidos bem fininhos, tipo só para enfeitar. Falo de roupas em lojas “normais”, não do tipo “Daslu”.

Eu viajei no período de 13 de maio a 13 de junho de 2011.  Já sabendo do frio que poderia enfrentar, li muito sobre vestimentas. Aproveitei a viagem para Argentina no início do ano e comprei  dois casacos de fleece (polar 100 e 200). Eu já tinha o trio segunda-pele de calça comprida, luva e meia da Solo que eu havia comprado dois anos antes. O restante eu deixei para comprar em La Paz. Por isso a viagem foi no sentido oposto ao seu. Em La Paz, eu comprei meias de merino, corta-vento, cachecol e touca de alpaca (duvido que seja alpaca…rs). Até bota de caminhada e aquelas calças que viram bermudas eu comprei lá.  Tudo em preço mais em conta. Fiquei com medo de ser falsificado mas deram conta do recado.

O corta-vento foi muito importante no Chacaltaya, na imigração Chile-Bolívia (como venta!) e durante o passeio do salar. Para mim, a pior noite em matéria de frio, foi a primeira no alojamento do Salar de Uyuni.  No seu caso, será a última.  Todos nós dormimos com roupas e saco de dormir (disponível para alugar) e cobertores pesados.  Mesmo assim, sentimos muito frio. Até os gringos europeus sentiram frio.  Agora, conhecemos pessoas ao longo do nosso caminho que falaram que só os pesados cobertores do alojamento já foram o suficiente.  Morando em São Paulo, fica mais fácil de comprar as coisas por aí. Só não sei se serão mais baratas que na Bolívia.

Eu até tentei montar o seu roteiro no outro sentido (indo por La Paz primeiro) mas o engraçado é que ficou dois dias mais longo que no sentido inverso por causa de horários de ônibus e voos. Fiquei encafifada!

Tem um relato nos Mochileiros.com (a melhor fonte de pesquisa) que talvez possa te ajudar: http://www.mochileiros.com/dez-2011-bol-chi-peru-22-dias-com-gastos-e-fotos-t64174.html

No mais, boa viagem!

 

4 Comentários

  1. Juliana disse:

    Tentei te escrever em contato e não consegui.

    Queria tirar algumas duvidas, consegue me mandar seu email?

  2. silvia disse:

    Olá, eu de novo, li suas dicas e parei em Arequipa, pois voce indica ir direto para Cuzco, e eu pensei em ir para Lima, mas tenho pouco tempo, e de bus demoraria aprox 17 h. O que sugere? obrigada

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