Peru: planejando a viagem

10 dezembro 2014

Quando falamos de viagem ao Peru, 10 entre 10 pessoas logo associam o país a Machu Picchu, a cidadela inca considerada patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO e eleita uma das sete maravilhas do mundo em 2007. O Peru não se resume a Machu Picchu. É um país de grande diversidade onde encontramos uma região de selva (destaque para a Amazônia peruana), serra (a imponente Cordilheira dos Andes) e costa. Paisagens desérticas e local de uma história de civilizações contemporâneas às pirâmides do Egito. Com isso, o país agrada a todo o tipo de viajantes: do mais despojado ao mais exigente; do bolso macérrimo ao mais abastado.

Tive a chance de revisitar o país há poucos dias. A ideia básica era voltar à Cusco e Machu Picchu mas acrescentamos mais dias no roteiro, criando uma oportunidade de conhecer algumas cidades que não vi da primeira vez como Lima, Ica e Nasca. Diferente de 2011, onde meu roteiro foi baseado somente nos relatos de viagens dos Mochileiros, agora há alguns blogs brasileiros que falam sobre esta viagem como o Sunday Cooks, Dividindo a Bagagem e o Andarilhos e outros não tão famosos mais com ótimas informações sobre os lugares. Porém ainda assim, acho que o melhor portal de informações sobre o país está no fórum Mochileiros.  Sobre Lima, o Cup of Things. Li e recomendo todos.

Peru: como chegar

Para quem vem do sul e sudeste do país, o modo mais fácil de chegar é via aérea. De vez em quando saem promoções de passagens com saídas do Rio de Janeiro e São Paulo. As companhias aéreas que voam do Brasil até o Peru são a LAN/TAM e a AVIANCA/TACA.  A duração do voo para quem sai do Rio é de cinco horas.  Não há voos diretos para outras cidades peruanas. Obrigatoriamente, deve ser feita a conexão em Lima. Daqui a cinco anos, o cenário mude com a construção do novo aeroporto de Cusco.

Uma opção é chegar pelo Peru via Acre. Creio que é a melhor relação custo/benefício para quem mora na região Norte.  De Rio Branco, pega-se um táxi coletivo para Basiléia (2h30min de viagem). De Basiléia até Assis Brasil, mais um táxi coletivo (1h de viagem). Assis é a cidade brasileira mais próxima da fronteira com o Peru.  Do outro lado da fronteira está a cidade de Iñapari.  Já na cidade peruana, pega-se uma van até Puerto Maldonado (3h de viagem). Puerto Maldonado está a dez horas de ônibus ou a 1h de avião de Cusco.

Mais informações sobre chegar ao Peru via Acre: Peru via Acre com um excelente e-book disponível para leitura aqui e o blog Um tempo fora

Se tiver tempo disponível e as passagens aéreas para o Peru estão caras, uma opção é conhecer o Peru começando pela Bolívia, que é a rota clássica dos mochileiros.

Minha opção desta vez, foi ir no voo GIG-LIM (Rio de Janeiro – Lima) em uma promoção pela TACA/AVIANCA por pouco mais de R$ 1.000 (não foi tão promoção assim pois um mês antes perdemos uma verdadeira promo por R$ 600 o aéreo).

Quando ir

Para Cusco e arredores, o melhor período é de abril a novembro, quando não há incidência de chuvas. A alta temporada é nos meses de junho a agosto. Aconselho sempre antes de você ir viajar, saber os dias de feriado do local (ver Calendário do Peru). Em Cusco, dia 24 de junho  há a festa do Inty Raimi, a grosso modo uma festa em homenagem ao sol, a maior nos tempos dos inca. Confira o calendário de festas e feriados em Cusco. O período de chuvas é no verão, de dezembro a fevereiro.

Em Lima, praticamente nunca chove porém há um fenômeno em que o céu fica nublado durante oito meses do ano. O céu azul aparece somente no verão (janeiro a março).

O roteiro

Tínhamos 12 dias e os dividi assim:

Roteiro planejado Peru 12 dias

Acho que para 12 dias está de bom tamanho. Nem muito corrido nem slow travel. Se tivesse mais dias, colocaria Arequipa e Puno no roteiro (falo mais sobre o assunto em Roteiros no Peru) e aí circularia de ônibus entre as cidades.  Caso alguma coisa dê errado, corto o dia em Nasca. Aconselho-te a sempre ter um ou dois dias livres no roteiro em caso de imprevistos como por exemplo, o que aconteceu em maio de 2011 onde a fronteira terrestre Peru-Bolívia estava fechada há dias e como opção, cruzamos o lago Titicaca de barco.

Eu tentarei ser o mais detalhista o possível  para explicar o roteiro. Para isso, precisaremos de um mapa:

Mapa do Peru

 

Mapa Rotas no Peru

Fonte: Peru Rooms

Lima
Vamos começar por Lima. Lá no fórum Mochileiros, é difícil encontrar algum relato de alguém que fique mais de 2 dias em Lima. No roteiro do meu primeiro mochilão, eu reservei dois dias e assim o mantive. Basicamente, é conhecer o bairro de Miraflores, o Centro Histórico e à noite, o Circuito Mágico del Água no Parque de La Reserva. Dos museus, o que mais me despertou interesse foi o museu Rafael Larco Herrera. Na capital, há algumas ruínas das civilizações pré-incaicas como os sítio arqueológicos de Huaca Pucllana e Pachacamac. Pesquisando,vi que tem coisas interessantes a fazer como daytours para Isla Palomino (para nadar com os leões marinhos) e Caral (a cidade mais antiga das Américas – tour puxadíssimo, 3 horas de viagem!), além de tour específico para os leitores de Mario Vargas Llosa e aulas de culinária. Gostei muito da proposta da Lima Gourmet Company. Muito bem elogiado no Trip Advisor. O único problema é que caro demais para o meu bolso magro.

Falando no Trip Advisor, gostei da ideia de um city-tour a pé com moradores. Agendei o traslado aeroporto-hotel e o city-tour com a Peruvian Local Friends. Isto já no dia da chegada.

Atrações em Lima

Ica e Huacachina
Quatro horas de ônibus separam Lima de Paracas, onde faremos os passeios para  as Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas, que podem ser feitos em um único dia. Assim fazem a maioria das agências: pela manhã, as Islas Ballestas; à tarde, Reserva Nacional. Após os passeios, seguiremos até a rodoviária de Paracas para pegar o ônibus para Ica (a 1h de Paracas) e logo depois, o táxi para Huacachina (1o min). Huacachina é um oásis no meio da região desértica. A região de Ica é conhecida pelos vinhos peruanos e pela fabricação do pisco (bebida nacional). No dia seguinte, ficaremos por Huacachina para fazer uma espécie de reconhecimento de campo. Na lagoa, podemos andar de pedalinho ou de caiaque. À tarde, há a opção de conhecer as bodegas de Ica (bodega Tacama e a El Catador) e praticar o sandboard durante as paradas do passeio de bugue com emoção (chamados de areneros) pelas dunas gigantes.

Atrações em Paracas e Ica: Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas, Bodega El Catador e Bugue em Huacachina

A ideia é sair de Lima com destino a Paracas no horário ingrato de 3:45 da madrugada. Eu li que neste horário boa parte dos passageiros descem em Paracas e pegam um táxi diretamente para o porto de Paracas para fechar os passeios. Reza a lenda, que as bagagens grandes podem ser deixadas no terminal da Cruz del Sur (necessário confirmar a informação).

Nasca
Pegaremos o ônibus Ica – Nasca (duas horas de viagem) e do terminal pegar o táxi diretamente ao aeroporto para contratar o sobrevoo. A atração principal são as misteriosas linhas de Nasca. Pelo que eu li, o ideal é fazer o sobrevoo logo pela manhã e fechar o passeio no aeroporto que sairá bem mais barato.  À tarde, pegar um ônibus para Lima ou Cusco.  Aqui está a minha maior dúvida do roteiro. Não sei se chego em Cusco vinda de ônibus a partir de Nasca (9h ou 13h30min) ou de avião a partir de Lima (1h10min).  A opção terrestre parece ser menos trabalhosa porém são muitas horas de estrada sinuosa. Decidirei quando estiver lá. A princípio, o que mais me agrada é  chegar por meio aéreo.

Cusco
A antiga capital do Império inca é a cidade mais visitada do país e totalmente preparada para o turismo.  Não tem muito mistério organizar seus dias por lá. Distribua-os assim:

  • O dia da chegada na cidade é reservado para aclimatação (adaptação do organismo à altitude, ar rarefeito);
  • Um dia para conhecer a cidade que é muito charmosa: Plaza de Armas, a Catedral, a Companía de Jesús, o Q’Orikancha e as ruínas próximas (passeio conhecido como city tour);
  • Um dia para o Valle Sagrado dos incas;
  • Um dia para Salineras de Maras e Círculos de Moray;
  • Um dia para Machu Picchu.
  • Um dia para Tipón, Pikillacta e Andahualillas.

Se tivesse mais um dia, acrescentaria em Cusco. Há muito o que se conhecer por lá.  No meu caso, preteri o  passeio para Tipón, Pikillacta e Andahualillas para conhecer Nasca. Caso você tenha poucos dias para conhecer Cusco, eu sugiro dar preferência ao Vale Sagrado e a Machu Picchu, óbvio. Das ruínas locais, a mais interessante é a Sacsayhuamán. Dá para reservar uma tarde e conhecer o Q’Orikancha e a ruína local.

Atrações em Cusco: Salineras de Maras, Círculos de Moray e Machu Picchu

Os deslocamentos

Os trechos de ônibus serão feitos pela Cruz del Sur pois tive uma excelente experiência com a companhia no trecho Arequipa-Tacna em 2011. Dá para comprar as passagens no site da companhia http://www.cruzdelsur.com.pe/. Quem compra com antecedência pode economizar bons trocados na tarifa Insuperable (mesmo com o famigerado IOF). Eu não quis deixar o roteiro engessado, então deixei para comprar as passagens em cima da hora. Há outras boas companhias peruanas como a Ormeño, a CIAL e a Oltursa.

A minha dúvida é se chegarei por Cusco via aérea ou terrestre.  Se a escolha for aérea, pegarei um ônibus noturno Nasca – Lima (7 horas de viagem). Ao chegar em Lima, pegar um táxi para o aeroporto e de lá um aéreo para Cusco (1h de voo). As companhias aéreas que tem o voo Lima – Cusco são a Peruvian Airlines, Star Peru, Avianca e Lan. Não achei boas resenhas sobre a Peruvian. Há histórico de atrasos e overbooking. Há também a Lan e Avianca como opções mas por causa da política de preços mais baixos para residentes, dificilmente o trecho interno nestas companhias será mais barato.

No próximo post, explico como são os passeios.

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