A autora

10 maio 2010

Minha história sobre viagens

Eu sempre achei que as pessoas que viajavam com frequência eram ricas.  Até pouco tempo atrás, “viajar” era um verbo distante para mim.  Férias eram sinônimo de pagar contas. Um dia as contas acabaram  e eu resolvi viajar. O ano era 2008 e os destinos escolhidos foram Maceió e Porto de Galinhas.  Eu lembro de ter pesquisado bastante no Orkut e fiz no Word uma espécie de  resumo dos passeios que poderia fazer por lá.  Eu pesquisei tanto que  fiquei com estafa, parecia que eu já conhecia o lugar!  Por fim, a viagem foi ótima e eis que depois de voltar para casa passei a pensar para onde iria no próximo ano.

Sempre tive vontade de ir para Europa mas havia vários entraves, desde ter companhia, não falar inglês fluente, de não ter ideia de quanto gastar na viagem e medo do desconhecido. O euro estava três vezes mais valorizado que o real. Enfim, quem sabe um dia, né?  _ era o que eu pensava. Eis que numa incursão à biblioteca da sede da empresa que trabalho, acho um livro entitulado “Guia dos Brasileiros em Paris: para aproveitar o máximo e gastar o mínimo“, escrito por Mariléa de Castro. Eu requeri o empréstimo do livro e li rapidamente quando eu cheguei em casa. De cara, a introdução do livro começa assim:

“Você trocou seu carro de 10 anos por um de 5? Pois, saiba que com esse dinheiro, você passaria 15 dias ou mais em Paris”.
“Você nos últimos cinco anos trocou sua geladeira e o conjunto de sofás? Pois saiba que com esse dinheiro, você poderia ter ido a Paris”
“Você gasta 1/30 do seu salário que é mínimo para comprar cigarros? Pois, saiba que com ….”

Então, eu passei a reparar que muito mais que dinheiro, se você quer viajar para o lugar dos sonhos, isto é questão de prioridade.

Tomei coragem e passei a planejar meu mochilão para Europa.  Não consegui companhia para viajar comigo. Resolvi ir sozinha. Resolvi ficar dois meses na Europa. Muita gente foi contra e eu confesso que estava com medo. Eu me informava muito no fórum Mochileiros e nos vários sites sobre viagens. Mas foi no Mochileiros que eu fui ganhando mais confiança para viajar sozinha. Comprei o guia “O Viajante Europa” e depois a série Lonely Planet sobre algumas cidades da Europa. O tempo foi passando, eu defini o roteiro. Lembro que estava no auge de problemas diplomáticos entre Brasil e Espanha. O número de brasileiros barrados no aeroporto de Barajas e no de Londres eram altos. Mudei meu roteiro (eu começaria pela Espanha), por fim viajei e deu tudo certo. Foi uma experiência ótima, conviver com a minha rabujice, conhecer os lugares que vi nos filmes e conheci em livros de História, fiz amigos, realizei um sonho de criança… enfim, de vez em quando, tenho saudades deste tempo!

Voltei ao Brasil com vontade de querer conhecer mais lugares, mais pessoas e culturas diferentes. Sempre pesquisando na internet, montando roteiros que um dia poderão ser realizados e sempre lendo sobre futuros destinos e ouvindo dicas de amigos.

Nas férias seguintes, fui para Los Roques, onde tudo se encaixou perfeitamente: cenários fantásticos e pessoas incríveis!

Nunca mais parei. Quando dei por mim, já tinha visitado um par de países e tomado gosto por viagens de aventura: cheguei ao topo da montanha Wayna Picchu, aquela montanha ao fundo da foto clássica de Machu Picchu.  Acordei de madrugada no Deserto de Atacama para ver de perto os gêiseres de El Tatio. Brinquei feito criança na neve no maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni, na Bolívia. CViajei de balão pelo céu da Capadócia.  Capadócia! Quem diria que um dia eu estaria na Ásia! Criei coragem:  a minha primeira viagem para os EUA, eu aluguei o carro sozinha e fiz o trajeto Miami-Orlando.

Machu Picchu visto da Wayna Picchu

Passei a ser conhecida como a-garota-que-viaja e sempre que alguém me vê, me pergunta qual será o próximo destino.  😉

Estou contando esta história para você, caro leitor, perceber que tudo na vida é muito mais questão de prioridade do que de dinheiro.  Então, se você realmente sonha com aquele lugar, estabeleça sua prioridade e faça acontecer. Isso pode durar um, dois, três, dez anos mas vai ser realizado. Muito melhor que ficar só em sonho.  Existem formas de viagem e sempre que puder, eu postarei dicas de como viajar sem estourar o seu orçamento. Vai dar trabalho planejar, mas planejar é o começo de toda a viagem.

Sejam bem-vindos ao mundo viciante das viagens!

 

 

Vá viajar