Perguntas e Respostas – roteiro de 25 dias pela Bolívia, Chile e Peru

1 maio 2012

Recebi um e-mail de uma leitora(!), a Silma, que quer fazer um roteiro circular mas com 25 dias por Bolívia, Peru e Chile. Estou respondendo aqui no site, pois pode ajudar outras pessoas.

“Estou tentando elaborar um roteiro de 25 dias com ida e volta (Guarulhos SP- Santa Cruz – Bolivia) de 19-maio a 12-junho-2012. Consultei seus roteiros, porém não estou conseguindo adequar. Parece que tenho pouco tempo para fazer Santa Cruz- Sucre- Potosi- Uyuni(Salar)- San Pedro do Atacama- Arica- Tacna- Arequipa- Cusco- Puno – Copacabana – La Paz – Santa Cruz – São Paulo. Estou pensando em fazer alguns trechos de avião. Estou pesquisando Calama-Cusco mas o preço está muito alto. Vi que você também foi nos mesmos meses que eu vou, faz muito frio?! Estou preocupada. Não sei se levo as roupas de frio daqui ou deixo para comprar lá.”

Oi, Silma! De início, só lendo a pergunta, eu concordei com você.  Achei que não daria tempo! Porém com um pouco mais de atenção, percebi que diferente de mim, você não pretende ir a Lima, Ica e Nazca.  Então há chances de fazer o roteiro desejado.  Adaptando a minha planilha ao seu jeito,  ficou assim:

Dá para fazer tudo mas o ideal é deixar um dia livre para emergências. Por que eu digo isso? Volta e meia naquela região tem protestos, o que pode atrapalhar sua viagem.  Então é bom ter em mente o plano B, o plano C, etc.

Baseado apenas em minhas opiniões (que não são verdades absolutas), vamos lá (gesto de entrelaçar as mãos e estalá-las):

  • Se você for de Gol, provavelmente chegará na madrugada em Santa Cruz.  Compre bolivianos o suficiente para pagar a taxa aeroportuária.  O câmbio no aeroporto é bem desfavorável, como sempre imaginamos que seja;
  • O aéreo Santa Cruz – Sucre pode ser feito pela Aerosur.  Há como comprar a passagem antecipado em São Paulo. Li isso no relato dos Mochileiros.com;
  • Se for pela Aerosur, o voo é 10:00. Dá tempo de ir no hotel e à tarde, conhecer o Parque Carl Orko e um pouco da cidade.
  • No dia seguinte, um ônibus de manhã cedo para Potosí. Deixar a mochila no guarda-volumes da rodoviária e à tarde, fazer o passeio das Minas de Prata.  Antes, pesquise se há mesmo guarda-volumes (guarda-equipajes) no terminal rodoviário;
  • Neste mesmo dia, vá para Uyuni. Você chegará na madrugada. Durma um pouco em um hotel e de manhã cedo já feche o passeio para o Salar de Uyuni, que deve começar por volta de 8:00;
  • No terceiro dia, você chega em San Pedro do Atacama.  Reserve o dia para descansar e fechar os passeios para os dias seguintes;
  • Cruzando a fronteira Chile-Peru: compre a passagem de ônibus direto para Arica. Eu fui por Calama e demora pacas o próximo ônibus. Economize tempo!  Eu não conheci o oceano Pacífico nem fiz nada em Arica.  Dependendo do que pretende fazer, já compre a passagem para Tacna. Há táxis que dizem ser mais rápido para cruzar a fronteira.  Nós fomos de ônibus e imagina que tivemos que esperar todos os passageiros fazerem a revista na rígida imigração chilena.  O mesmo na imigração peruana (mais liberal).  Não leve frutas na bolsa. Não são aceitas nas fronteiras por causa da tal mosca da fruta;
  • Em Tacna, você tem que ir para outro terminal, comprar a passagem para Arequipa.  Nós fomos de Cruz del Sur. Muita gente reclama que é caro mas em matéria de conforto, dá de dez a zero nas companhias de ônibus brasileiras;
  • Você deve chegar à noite em Arequipa.  No dia seguinte, conheça a cidade e feche o passeio para o Cañón del Colca.  Nós ficamos mais dias e fizemos o rafting no rio Chili.  Eu não sei nadar e nunca passou pela minha cabeça fazer rafting (não estou incentivando ninguém que não saiba nadar a fazer estas loucuras). Foi muito legal!  Fiz mil promessas de praticar aqui no Brasil (depois de aprender a nadar) e por enquanto… necas! As duas coisas. Ah, provavelmente na própria agência que você agendar os passeios, ela venda também a passagem de ônibus para Cusco;
  • Cusco é disparado a cidade mais bonita do roteiro. Vale a pena ficar todos estes dias lá;
  • A viagem Arequipa – Cusco passa por Puno. Acho melhor primeiro fazer Cusco que é a cereja do bolo e na volta,  conhecer Puno e fazer o tal passeio Isla de los Uros;
  • Aliás, todos são unânimes em falar que Puno só tem este passeio para fazer.  Assim que chegar na cidade, feche o passeio e compre a passagem para Copacabana;
  • Em Copacabana, o passeio é conhecer a Isla del Sol, a maior do Titicaca.  A princípio, nós íamos dormir na ilha mas eu não gostei do clima de lá, rústico demais para as já exigências de quem já está chegando na idade dos “enta”.  Nós cruzamos a ilha, fazendo a tal caminhada. Foi bem puxado mas somos sedentárias e não estávamos 100% aclimatadas;
  • Estes países só aceitam notas de dólares em perfeito estado. E o câmbio é diferente se for com notas de valor mais baixo. Leve notas de 100 dólares que não sejam da série CB.
Onde você pode cortar, caso precise:
  • Em La Paz: o passeio de Tiwanaku.
  • Em San Pedro, o  passeio Salar do Atacama e os das lagunas altiplânicas;
  • Em Copacabana, não passar o dia fazendo o trekking da Ilha do Sol, só conhecer o lado sul da ilha, o que se faz em uma tarde.
  • Em Cusco, o passeio para as Salinas de Maras e os Círculos de Moray;

Quanto ao frio, um breve relato:

Meu nome é Pat e sou carioca.  Quem mora aqui,  a uma temperatura de 22°C, já está botando uma jaquetinha ou casaquinho. Resumindo, a gente não sabe realmente o que é frio.  As roupas aqui do Rio não protegem do frio.  São tecidos bem fininhos, tipo só para enfeitar. Falo de roupas em lojas “normais”, não do tipo “Daslu”.

Eu viajei no período de 13 de maio a 13 de junho de 2011.  Já sabendo do frio que poderia enfrentar, li muito sobre vestimentas. Aproveitei a viagem para Argentina no início do ano e comprei  dois casacos de fleece (polar 100 e 200). Eu já tinha o trio segunda-pele de calça comprida, luva e meia da Solo que eu havia comprado dois anos antes. O restante eu deixei para comprar em La Paz. Por isso a viagem foi no sentido oposto ao seu. Em La Paz, eu comprei meias de merino, corta-vento, cachecol e touca de alpaca (duvido que seja alpaca…rs). Até bota de caminhada e aquelas calças que viram bermudas eu comprei lá.  Tudo em preço mais em conta. Fiquei com medo de ser falsificado mas deram conta do recado.

O corta-vento foi muito importante no Chacaltaya, na imigração Chile-Bolívia (como venta!) e durante o passeio do salar. Para mim, a pior noite em matéria de frio, foi a primeira no alojamento do Salar de Uyuni.  No seu caso, será a última.  Todos nós dormimos com roupas e saco de dormir (disponível para alugar) e cobertores pesados.  Mesmo assim, sentimos muito frio. Até os gringos europeus sentiram frio.  Agora, conhecemos pessoas ao longo do nosso caminho que falaram que só os pesados cobertores do alojamento já foram o suficiente.  Morando em São Paulo, fica mais fácil de comprar as coisas por aí. Só não sei se serão mais baratas que na Bolívia.

Eu até tentei montar o seu roteiro no outro sentido (indo por La Paz primeiro) mas o engraçado é que ficou dois dias mais longo que no sentido inverso por causa de horários de ônibus e voos. Fiquei encafifada!

Tem um relato nos Mochileiros.com (a melhor fonte de pesquisa) que talvez possa te ajudar: http://www.mochileiros.com/dez-2011-bol-chi-peru-22-dias-com-gastos-e-fotos-t64174.html

No mais, boa viagem!

 


Bolívia, Peru e Chile – sugestão de roteiros

25 março 2012

Eu planejei uma longa viagem de 32 dias para conhecer os clássicos dos três países. Não deu para conhecer tudo devido aos imprevistos. No planejamento, fiz uma série de mini-roteiros que talvez possam ajudar a quem não tanto tempo disponível.

Para todos os roteiros, deixe um ou dois dias para os imprevistos.  Volta e meia há protestos nos países que podem estragar os seus planos. Ah e vale lembrar que o mal da altitude não é lenda.  Varia de pessoa para pessoa, mas no meu caso eu só melhorei mesmo lá para o 5o. dia.  O chá de coca não funcionou comigo (não tem nada de alucinações, isso é coisa de gente mal informada). O que funcionou foram as tais pílulas do soroche.  Em Cusco,eles vendem spray de ar! Então, aclimate-se antes e planeje seus passeios em ordem crescente de altitude.

Os roteiros não são receitas de bolo pronto.  Pesquise a duração das viagens de trem e ônibus e os horários.  Talvez a viagem demorada tenha ficado mais rápida com a melhora das estradas (Ponto para as estradas chilenas).

Ah, a sensação de segurança nestes países é muito maior que no Brasil.  Anda-se tranquilamente com câmera digital sem o estresse de que alguém vai aparecer do nada e apontar um revólver na sua cabeça e dizer: Perdeu! Só precavejam-se dos furtos. Olho em suas bolsas e muito cuidado com o passaporte. Fique ligado igual você ficaria no Rio e em São Paulo (eu disse ligado e não neurótico!). Sempre é bom ler sobre golpes praticados com os turistas.

A cotação pra notas de 100 dólares é melhor que para notas menores como as de 10 e 20 dólares. Os dólares devem estar intactos. Sobre os documentos para viajar, só é necessário o RG. Se sua foto não condizer com você, então é melhor não arriscar a depender da boa vontade dos policiais: faça o passaporte.  Um bom motivo é ter como recordação um carimbo simbólico de sua passagem por Machu Picchu.

Este post é uma resposta àquelas pessoas que entraram em contato e perguntaram sobre diferentes roteiros nestes países.  A todos vocês, boa viagem!

Conhecendo Lima e Machu Pichu em 8 dias

Este roteiro é o básico. Se puder acrescente mais dias pois Cusco é uma cidade muito bonita e há várias atrações.  Assim também terá tempo de se aclimatar pois estará saindo de uma cidade a nível do mar (Lima) e estará indo para Cusco que está a 3.400m de altitude.

Peru em 15 dias

Roteiro de 15 dias pela Bolívia

A Bolívia é um país barato. Para você ter uma idéia, a cotação dólar x peso boliviano em maio/2011 estava 1 por 7.  Se você está curto de grana e quer conhecer um destino diferente, a Bolívia pode ser uma boa opção. Mais barata que muitos destinos brasileiros. De quebra, vai conhecer o lago Titicaca que aprendeu na escola que é o lago “mais alto” do mundo e a imensidão do Salar de Uyuni. Inesquecível!

Dever meu esclarecer que  a Bolívia é um país pobre e não está preparada para turismo.  Então você vai a lugares e não encontra banheiros decentes. Deve-se ter um cuidado a mais com a comida e a água por causa do cólera. A impressão que eu tive dos bolivianos foi a melhor possível.

 Peru e Bolívia: o roteiro clássico sem o trem da Morte

Em quinze dias dá para conhecer o Lago Titicaca e Machu Picchu.   A dica para largar o passeio do Vale Sagrado em Ollantaytambo é para economizar tempo e dinheiro para conhecer Machu Picchu.

Bolívia, Peru e Chile em 23 dias

Uma opção para quem vai com milhas: ida por Lima e volta por Santiago. Há muito o que ver em Cusco e nos arredores de San Pedro de Atacama e Santiago. Então de 23 dias, a viagem pode ficar maior e mais interessante.

 

 

Bolívia, Peru e Chile

1.”Quero conhecer Bolívia, Peru e Chile. Dá para fazer este roteiro em 25 dias?”
Depende. Quais são suas prioridades? A maioria quer conhecer o Salar de Uyuni, Machu Picchu e o Deserto de Atacama. Segue algumas sugestões de roteiros.

20 dias por Bolívia e Peru

Neste roteiro, praticamente conhece os principais passeios da Bolívia e Machu Picchu. Acrescente mais dias para emergências.

20 dias Bolívia e Peru

23 dias por Bolívia, Peru e Chile

Agora um roteiro que contemple o Salar, Machu Picchu e o Deserto do Atacama. Este roteiro não é circular. Bom para quem tem milhas para usar pois a ida é por Lima e a volta por Santiago.

23dias Bolívia-Peru-Chile

32 dias por Bolívia, Peru e Chile

Agora um roteiro circular que contemple o Salar, Machu Picchu e o Deserto do Atacama. O sentido é fazer La Paz primeiro para comprar roupas para o frio. Este é o roteiro completo.

32 dias por Bolívia,Peru eChile

Se não dispuser de todos estes dias, comece a cortar alguns lugares que não são prioridades para você? Como saber? Lendo relatos de viagem. Sugiro cortar Lima, Ica e Nazca. Se o orçamento está apertado, saiba que o Chile é o país mais caro dos três. Talvez valha a pena diminuir o número de dias em San Pedro de Atacama.

Eu fiz este mochilão em maio de 2011. Já faz tempo! Independente de ser recente ou não minha viagem, sempre busque mais fontes de informação.  Lembre-se de ter dias a mais como carta na manga, pois volta e meia há protestos nestes países.

 


Bolívia, Peru e Chile – roteiro realizado

25 junho 2011

O roteiro realizado foi bem diferente do planejado graças aos imprevistos.  Primeiro, tivemos problemas com a Gol. Tudo por causa de uma infeliz frase do comandante que criou pânico entre os passageiros.  Perdemos um bom tempo no Galeão. Tínhamos uma conexão em Guarulhos a fazer. Perdemos!  Com isso tivemos que ficar mais dois dias em São Paulo, esperando o próximo voo. Isso mudaria nossos planos, teríamos que cortar algumas cidades…

 roteiro planejado vs. roteiro realizado

Chegamos em Santa Cruz, fizemos o câmbio a uma cotação péssima mas o suficiente para sobrevivência do dia.  Conseguimos comprar a passagem para La Paz pela BOA já na abertura do balcão. Em uma hora estávamos em La Paz no ótimo hotel Cordillera Real.

Em La Paz, sofri muito com os efeitos da altitude e passei o primeiro dia na cidade descansando.  Consegui fazer todos os passeios a minha maneira: como não aprendi a andar de bicicleta, acompanhei o downhill em Coroico no carro dos guias.  Não aguentei a altitude do Chacaltaya e preferi esperar o grupo no ponto de parada. Depois desisti de  seguir para o segundo passeio, que era o Vale de la Luna, o que fez com que eu conhecesse o restaurante Don Gus, com comida boa, sem muito condimento e segura.  Outro imprevisto: estava tendo um protesto na fronteira Bolívia – Peru.  Algo a ver com a construção de uma mina de ouro por uma empresa canadense.  A fronteira estava fechada há uma semana e não havia indícios de que os protestos iriam terminar.

No quarto dia já aclimatada, saímos para Copacabana.  A vista do lago Titicaca é linda! Não subi o Cerro Calvário. As escadas me amedrontaram. Ficamos pela cidadezinha.  Tivemos uma noite de muito frio no hotel. O No dia seguinte, fomos à Isla del Sol e fizemos um trekking de cinco horas cruzando a ilha.  Neste dia percebemos o quanto estávamos mal condicionadas fisicamente. Muita gente nos passou! Até idosos! Uma vergonha pra esta sedentária que vos escreve. Decidimos não dormir na ilha e esta escolha foi mais do que acertada.

Com a fronteira ainda fechada, não houve outra opção para chegar ao Peru a não ser  cruzar o Titicaca de barco. Pagamos uma fortuna por uma viagem de nove horas!  Nos sentimos umas clandestinas pois saímos cedo de Copa, carimbamos nossos passaportes na Aduana Boliviana e durante todo o trajeto de barco, estávamos ilegais. Havia muita gente esperando barcos para ir ao Peru.

Chegamos quase à noitinha em Puno e a primeira coisa que eu percebi é que o Titicaca ali era poluído. Que diferença da Bolívia! Fomos recebidos por um senhor que levou os turistas até o posto de imigração. Ruas desertas, depois muita confusão com passeatas e residentes jogando pedras.  Entramos na Imigração, que logo fechou as portas. Depois compramos as passagens para Cusco.  É, Puno e as islas Flotantes de Uros ficarão para uma próxima oportunidade.

Às cinco da madruga chegamos em Cusco e aí meu péssimo sexto sentido para hospedagens se confirmou. Na rodoviária, algumas pessoas oferecem hospedagem. Eu recusei todas.  Acabamos ficando num lugar horrível, só para dormir.  Já pela manhã, saímos a procurar hotéis nos arredores da Plaza de Armas e achamos o incrível Waytaq.  Hotel novinho em folha, foi um prêmio para nós!

Cusco foi a cidade mais bonita da viagem sem sombra de dúvidas.  Totalmente voltada para o turismo. De todas as idades e de todos os bolsos.  Fechamos um pacote com todos os passeios. Adorei ter conhecido Saqsaywaman e Pisaq.  Eu até agora me pergunto como os incas fizeram tudo aquilo, sem programas avançados de computador, sem ferramentas e noções de cálculo. Que civilização avançada! Pena que foram dizimados pelos espanhóis. Todo o conhecimento foi com eles.  A cereja do bolo foi subir ao Wayna Picchu e ter a visão do alto da cidade perdida (obrigada, Ana por ter insistido!)

Cortamos Lima, Ica e Nazca do roteiro por conta do atraso da Gol. Iríamos para Arequipa, a cidade branca.  Para chegar a Arequipa, teríamos que passar pela fronteira e os protestos não haviam terminado.  Então, seguindo o conselho da Oficina de Turismo, compramos uma passagem aérea para Arequipa pela Lan Peru. Durante o voo, fiquei indignada que nem ao menos ofereceram água e olha que o preço da passagem foi uma pequena fortuna!

Chegamos em Arequipa, novamente várias pessoas oferecendo hotéis. Recusei todas. Pegamos um táxi e o taxista nos levou a três hotéis.  Acabei escolhendo o hotel que havia oferecido no aeroporto e mais caro.  Lógico que minha amiga quis me matar! Ela conseguiu o mesmo preço.  Fechamos os passeios: rafting no rio Chili e Tour Cañón del Colca.

De Arequipa fomos à Tacna de ônibus pela Cruz del Sur. Serviço excelente! Nem sentimos a viagem de cinco horas demorar.  Há rodomoça e bingo valendo uma passagem grátis.  De Tacna pegamos um ônibus para Arica. Engraçado como a paisagem muda.  As estradas chilenas são bem melhores. As casas são diferentes.   Algumas pessoas foram barradas na imigração chilena. Ao chegar na rodoviária, fizemos o câmbio para pesos chilenos e compramso a passagem para Calama e de lá para San Pedro de Atacama.

A viagem noturna para Calama foi desagradável graças às duas paradas para revistas de bagagens.  Chegamos em Calama cedo e lá compramos as passagens para San Pedro.  Quando chegamos em San Pedro, um susto: a cidade parece ter saído do Velho Oeste!

Fechamos o passeio do Salar com a Cordillera.  Sofremos como nunca com o frio. Eu não desejo este frio para ninguém. Sempre saem dois carros, os motoristas eram muy buena onda e as paisagens incríveis.  Chegamos a Uyuni querendo antecipar a volta para o Brasil mas não conseguimos uma internet decente e nem nos fazer entender quando ligamos para o aeroporto de Santa Cruz.

Compramos uma passagem Uyuni – La Paz de ônibus.  Que viagem longa! Ficamos novamente no mesmo hotel do início da viagem e agora sim eu percebi como estava aclimatada: subia as ladeiras de La Paz sem botar a língua pra fora!  Compramos a passagem para Santa Cruz, novamente pela Boa.

Chegamos em Santa Cruz no domingo e lá a diversão principal é passear na praça.  Foi o que fizemos. Achamos Santa Cruz com muito mais cara de capital que La Paz.  Ficamos impressionadas com a frota de carros, todos muito novos e muito importados.  Depois, na volta ao Brasil descobri o porquê.

A viagem foi muito cansativa mas foi inesquecível pelos passeios e pelas paisagens incríveis que não sairão da memória. Desarmem-se do preconceito e conheçam os nossos vizinhos!

 

 


Cruzando o lago Titicaca

22 maio 2011

Desde o dia 8 de maio, os peruanos fecharam a fronteira com a Bolívia por conta de um protesto contra a construção de uma mina que eles acham que vão contaminar o solo. Então, estávamos apreensivas pois como iríamos chegar a Puno, a cidade peruana a margem do lago Titicaca?

Havia esperanças que o bloqueio terminasse mas isso não aconteceu.  Então, a opção era pegar um barco que cruzaria o lado peruano.  Tempo de viagem: 9 horas.  Preço: 200 BOB (bob – bolivianos). Sendo que um dia antes estava 160BOB.  Se não tivesse o bloqueio, seria 4 horas de viagem de onibus a um preço de 30BOB.  Fazer o quê? Compramos biscoitinhos e decidimos encarar a viagem de barco.

No dia seguinte, às 07:30 estavamos em frente a agência.  Pura aventura: a agente disse que a coisa piorou e a imigração peruana estava fechada.  Nosso passaporte seria carimbado na Imigração da Bolívia e até chegar a Puno estaríamos ilegais.  Parecia que estávamos cruzando a fronteira México -EUA.  Uma fila de passageiros esperando barcos para chegar a Puno.

Tivemos toda a assistência da agência na entrada do barco.  A viagem foi superarrastada.  O barco deve navegar a 20Km/h.  Volta e meia vinha um turista perguntar se estava chegando em Puno e o piloto falava para ter calma.  Fizemos amizade com um casal de israelenses que conhecia Itacaré e Salvador. Falavam francês  e espanhol além do inglês e hebraico, lógico.  Estou impressionada como os israelenses gostam da Bahia.

Finalmente depois de 9 horas entramos no Peru (sem trocadilhos infames!).  Vimos Puno e achamos a cidade horrível.  Um ônibus nos esperava para levarmos a Imigração. Carimbamos nosso passaporte e decidimos que iríamos direto a Cusco, o nosso Eldorado.

O pilantra do peruano não nos levou ao terminal de ônibus para comprar as passagens.  Os gringos resolveram comprar com ele e foi assim que fizemos.  Preco: 40 PEN – quando nas minhas anotações estava 30 PEN.  Ele marcou de todos voltarem às 21:00 para pegar o ônibus.  Quando chegou às 21:00, cadê o ônibus?  Estava no terminal rodoviário.  Tivemos que pagar o táxi por conta próopria.

Ah, os peruanos….

A viagem até Cusco durou nove horas.  Chegamos hoje às cinco da manha.  Estávamos junto com alguns gringos feito errantes na Plaza de Armas.  Ficamos no primeiro muquifo que nos foi ofertado.  Hoje acordamos e achamos um hotel maravilhoso: novo, com internet, café da manhã, perto da Plaza de Armas e com calefação! Nome do hotel: Waytaq.

Cusco é muito charmosinha.  Amanhã, vamos conhecer as ruínas próximas.  A cidade é cara à beça.  Só com passeios, passagens de trens e hospedagem em Machu Pichu já gastamos quase 200 dólares.


Trekking na Isla del Sol

21 maio 2011

O barco rumo a Isla del Sol sai às 08:00.  São duas horas de viagem até chegar a parte norte.  Tínhamos duas opções: voltarmos ao cais às 13:00 ou fazer o trekking para o lado sul da ilha e pegar o barco às 15:00.  Não sabíamos mas estávamos prestes a escolher o exercício mais árduo da viagem.

Nosso barco era diferente do grupo do Giovani. A viagem nem parece demorar tanto pois a paisagem é agradável.  Logo depois do cais, percebe-se o posto da Marinha boliviana. A Marinha aqui existe só por causa do Titicaca.  A Bolívia já teve acesso ao mar mas o perdeu após guerra com Chile e Peru.

Geralmente as pessoas gostam de dormir na ilha.  Elas deixam suas bagagens maiores no guarda-volumes do hotel em Copacabana e saem com uma mochila pequena.  Foi o que fizemos.  Engraçado é que o cara do hotel guardou nossas mochilas e nem identificou. Que medo! Aqui tudo é na base da confiança e funciona.

A parte norte da ilha é mais rústica.  Certamente, a mais bonita. Depois de muita confusão, pagamos 10 bolivianos para ver o museu (não vimos) e o tour.  O guia Jorge foi muito simpático e é mais um das dezenas de pessoas que encontramos que adora o Brasil.

Acompanhamos o tour na parte norte e fizemos o trekking, rumo a parte sul.  Se arrependimento matasse….

Fizemos um trekking de cinco horas.  Quase morremos!  Muitas ladeiras! Como estes índios gostavam de ladeiras.  E haja pedágio de manutenção da trilha.  Quando chegou no último pedágio, eu falei que não ia pagar nada!  O senhor ficou com uma cara de tacho.  Chegamos no barco e só pensamos em comer uma pizza porque hoje o dia foi de puro heroísmo. Subir e descer ladeira a 3.800m de altitude foi um desafio.

Fim da sessão reclamação. As paisagens são belíssimas e era o que motivava a gente a caminhar.  A cada paradinha para retomar o fôlego, eram mais uma razão para contemplar o mundo que Deus criou. Como a Bolívia é bonita!

Ah, vale lembrar que qualquer pessoa pode fazer o trekking.  Fomos várias vezes ultrapassadas por coroas! Então, isso tem mais a ver com disposição e condicionamento físico do que com a idade.  Vale muito a pena fazer o trekking!

Chegamos no cais e fomos comer a pizza ao pôr-do-sol.  Ótimo! Amanhã é dia de dar adeus a Bolívia e seguir rumo ao Peru.  As fronteiras ainda não foram abertas, então a alternativa escolhida foi cruzar o lago Titicaca.

Estávamos tão cansadas que dormimos às 20:30.


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