Ruínas de Tiwanaku

18 maio 2011

Acordei bem melhor. Bem disposta.  O café da manhã do hotel tem pão de forma tostado, iogurte, chá de coca, café em pó num sachê, suco de laranja e chá de coca. Comi bem. Descemos ao saguão do hotel aguardando a agência nos buscar. O tour atrasou mais de meia hora.  Não gostamos nem um pouco. Péssima impressão. O receio era que isso fosse uma constante, já que fechamos o pacote.

Pela manhã, mais um contato com o trânsito caótico de La Paz e a certeza de que a cidade não é nada bonita. Nosso grupo era grande. Infelizmente, só nós duas de brasileiras.

Tiwanaku

A viagem para Tiwanaku ou Tihuanaco demora mais de uma hora.  Dista a 70Km de La Paz. Saímos da capital e começamos a perceber que a quantidade de cholas aumenta.  Chola é o nome que se dá as bolivianas com os trajes típicos.  Em La Paz, são muitas.  Estão nas ruas vendendo comidas, roupas e até fetos de animais.  A impressão que tivemos é que as bolivianas são muito fortes.  Em suas costas, carregam seus filhos com os panos coloridos. Cuidam dos jardins nas ruas e estão sempre a transportar grandes volumes.

O guia se apresentou e designou o nome de nosso grupo de Allalla (significa “viva” na linguagem aymará). As ruínas de Tiwanaku são de uma civilização precursora a dos Incas, os tihuanacotas.

Conhecemos o museu lítico. Havia apenas uma sala aberta. Frustante.  Falta maiores cuidados com o museu como iluminação.  Tive dificuldade em observar detalhes do monolítico.

Na outra parte do museu regional, há uma importante coleção de peças extraídas do sítio arqueológico como artefatos, esculturas, cerâmicas. Na entrada, um quadro cronológico sobre o período das civilizações andinas.

O que eu achei mais interessante foi o modo como dispunham pedras sobre pedras. Não havia uma espécie de cimento.  Tudo era feito por encaixe. Uma liga metálica faz o elo entre as grandes pedras. Impressionante.

Pergunta que não quer calar: como eles conseguiram fundir o metal para fazer o grampo?

Entrada de Tiwanaku

É difícil para um viajante independente conhecer as ruínas sem auxílio de um guia. Não oferecem folhetos explicativos e tampouco há painéis informativos no local.

Puerta del Sol

Monolito Ponce. Em homenagem ao arqueólogo Carlos Ponce Sanginés, que trabalhou neste local.

O guia estava bastante apressado e não tinha paciência para esperar os retardatários.  Volta e meia estava chamando pelo “Allalla”.  Não levou em consideração os turistas que não estão acostumados a altitude do lugar. Também percebemos que o nosso grupo conheceu poucos lugares das ruínas.

O almoço

Depois de conhecermos as ruínas, fomos almoçar.  O almoço não está incluso no preço do passeio.  O restaurante escolhido pelo guia foi o Winay Marka.  O menu (entrada, prato principal e sobremesa) custou 3O BOB.  Havia três opções de prato principal mas como o guia fez uma propaganda da carne de lhama, dizendo que era colesterol zero, a maioria optou por esta.

A minha refeição foi sopa de quinoa, carne de lhama, arroz e legumes.  Eu experimentei a carne de lhama e não gostei. Achei-a rançosa.

Após o almoço voltamos para La Paz. Ficou a sensação de que faltou algo. Talvez maiores informações sobre esta civilização que foi considerada por um estudioso como o berço das civilizações.  Sim, o Novo Mundo não é tão novo assim….

Allalla La Paz!

Enquanto no Brasil, os passeios promovidos pelas agências buscam e levam os turistas nos hotéis, aqui em La Paz eles apenas buscam.  A volta é geralmente em um lugar do Centro.  Achamos isto curioso e non-sense.  Antes, paramos na estrada para fotografar El Alto e La Paz vigiadas pelo Illimani.

Vistas de La Paz e El Alto

O  microônibus parou na Calle Llampu, a principal.  De lá resolvemos conhecer um pouco mais as ruas, demos uma olhadinha nas lojas, visto que no dia anterior  não foi possível.  Eu precisava comprar um casaco corta-vento.  Graças ao câmbio altamente favorável vale muito a pena comprar roupas de frio aqui e outros acessórios para trekking.  Eu havia lido sobre isso no site dos Mochileiros mas achava que alguns estavam exagerando quando falavam que poderiam ter vindo pelados que havia como comprar tudo na cidade.

Minhas impressões: “Gente, podem vir pelados para La Paz. Vocês vão encontrar tudo aqui.” 🙂

Eu não entendo de roupas de frio mas eu já tinha uma idéia do que ia comprar para aguentar o tranco.  Hoje comprei um corta-vento da North Face, bota, luvas e meias de merino.  Bom, não sei se eram verdadeiros.

Atualização: O corta-vento e a meia de merino foram utilíssimos para aguentar o frio do Chacaltaya e do tour Salar de Uyuni de 3 dias.  Se são falsificados, nunca vou saber mas cumpriram (muito bem) o seu papel.

Da Llampu demos uma passada na calle Sagárnaga e na calle de Las Brujas.  Compramos meias, cachecol e touca de alpaca (mais tarde, no Peru passamos a desconfiar se era de alpaca mesmo).  Eis que no cruzamento Sagárgana com Las Brujas avistamos o Museu da Coca.  Fomos para lá.

Museu da Coca

Um ótimo museu para obter informações esclarecedoras sobre a cultura andina de mastigar a folha de coca e a diferença entre a folha de coca e a cocaína.  Ao entrar, o visitante assina o livro de visitas  e recebe um guia sobre o museu e a história da Coca.  Há guias em português.  Assim que recebemos o guia, houve blecaute local.  Passou-se alguns minutos, um dos rapazes que trabalha no museu ficou mexendo na fiação e pronto, tudo passou a ficar mais claro (perdoem-me pelos trocadilhos infames).

No segundo andar do museu, há uma espécie de bar.  Eles vendem cerveja de coca.  Eu experimentei e achei horrível mas teve gente que gostou…rs

Também compramos balas de coca e levamos algumas folhas para mastigar.  Calma, não estamos viciadas! Aqui em La Paz o bicho pega. A folha de coca ameniza e muito os efeitos do soroche. Você quer andar e falta ar!  A dor de cabeça é muito forte e não te dá vontade de fazer nada. Comigo o que realmente funcionou foram as pílulas de soroche (soroche pills) que nada mais são .  Entretanto, isto é muito particular. Há pessoas que não sentem nada.

Lembrei de algo engraçado. Procuramos por pílulas de soroche nas farmácias de La Paz. Queríamos apenas 5 unidades que achamos ser o suficiente para o restante da viagem, até porque chega um tempo que o organismo se adapta e isto varia de pessoa para pessoa.  A caixa vem com 20 unidades. Não é que a atendente abriu a caixa e tirou apenas uma cartela para vender?!  Fiquei espantada. Realmente, a Bolívia é o maior barato.

Falando sobre o mal da altitude, leia mais no Blog Viajando de Carro:
http://viajandodecarro.wordpress.com/viagens/viagem-dez09-a-jan2010/mal-da-altitude-soroche-mal-da-montanha/

Quem converte, não diverte

Entrada Tiwanaku = 80BOB
Entrada museu da Coca = 10BOB
Bala de coca (4 unidades) = 6BOB
Soroche pills (5unidades) = 15BOB
Água 500ml = 6BOB
Corta-vento North Face = 320BOB
Bota Timberland = 690BOB
Luvas = 25BOB
Meias de merino = 70BOB
Cachecol de alpaca = 30BOB

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