Planejamento

O que você faria se ganhasse na loteria?  Quando alguém me perguntava isso, a minha primeira ou segunda resposta era invariavelmente “viajar pelo mundo”.   Dentro da minha realidade, eu sempre achei que viajar fosse para as pessoas mais abastadas. Eu via os preços dos pacotes e já desanimava só de pensar em pagar aquele monte de prestações a perder de vista.

A minha primeira viagem solo foi para Salvador nos idos de 2003.  Não sabia nada do local a não ser do tal Pelourinho, do Mercado-modelo e das inúmeras igrejas da cidade.  Eu precisava ir para um lugar diferente e Salvador estava na moda.  Além disso, eu tinha amigos que moravam por lá.  Comprei a passagem aérea de ida (R$ 300, uma fortuna!) e fui!  Reservar hotel? Muito caro para meus bolsos magros.  Fiquei em um albergue no meio do Pelourinho.  Dividi quarto com várias pessoas.  Por sorte, eu tinha uma amiga que estagiava na Bahiatursa, então ela pôde me fazer companhia por algumas vezes.  Dias depois, meu amigo voltou para Salvador e mostrou vários pontos turísticos do local.

Eu lembro que eu não tinha dinheiro para a passagem de volta! Já me imaginava passando dias de ônibus até o Rio de Janeiro.  Mais uma vez, os amigos me salvaram.

Hoje com algumas viagens depois, eu vi que fiz uma doideira! Com um pouco de informação e planejamento, poderia ter ficado em um hotel, teria uma idéia de quais passeios fazer, não voltaria endividada, enfim a viagem seria muito mais proveitosa.

Viajar vicia.  Eu que o diga.  A viagem começa desde o momento que você decidiu viajar. A melhor parte é o planejamento.  É você já se imaginar lá caminhando pelas ruas ou lagarteando naquela praia paradisíaca ou se divertindo com os filhos em um parque aquático.  É ter noção de quanto deve gastar para que não volte das férias com uma baita dor de cabeça com um rombo de orçamento. É saber o que fazer lá para depois não chegar em casa e ver que não conheceu aquela atração imperdível do lugar.  Consegue imaginar ir ao Rio de Janeiro e não visitar o Pão de Açúcar?

De maneira nenhuma, confunda planejar com engessar.  Dá trabalho mas é uma etapa importante para que a viagem tenha êxito. Ah, sim e muito prazerosa de se fazer.

Bom, mãos à obra!

1 – Qual é seu estilo de viagem?

A primeira coisa a pensar é “Que tipo de viajante eu sou?” Prefere praia ou montanha? Gosta de trilhas? Prefere locais históricos? Se você odeia o sol, será interessante passar as férias na praia da moda? Viu as fotos da Chapada Diamantina mas tem preguiça só de pensar em fazer trilhas?  Talvez seja melhor repensar se vale a pena ir para lá.

A melhor viagem é aquela que combina com seu estilo.

2 – Sozinho, em dupla ou viajando em grupo?

Não há opção melhor ou pior, apenas opção diferente.  Há vantagens e desvantagens em cada uma.

A - Viajar sozinho: não há brigas nem discussões. O ritmo da viagem é mais rápido, afinal há a liberdade de escolher o que e quando fazer. A desvantagem: Falta de alguém para compartilhar opiniões e comentários. A hospedagem cara. Um apartamento single é praticamente o mesmo preço de um apartamento duplo.

B - Viajando em dupla:  a hospedagem  é mais barata, há companhia  em tempo integral e alguém para ajudar em caso de emergências e imprevistos. A desvantagem é que será necessária negociação e tolerância.

C - Viajando em grupo: quanto maior o número de pessoas, maior facilidade para obter descontos.  Provavelmente, a bagunça será divertida. É praticamente certo ter companhia em algum passeio.  A maior desvantagem é o aumento da possibilidade de haver brigas e discussões. O ritmo de viagem será mais lento.

3 – Para onde ir: escolhendo o destino

Por incrível que pareça, há pessoas que se animam com a proximidade das férias e como a possibilidade de viajar mas não têm a menor idéia do lugar para onde querem ir!  Há lugares no Brasil que são mais caros que outros no Exterior.  Avalie também conhecer destinos próximos que talvez por ser tão próximos nunca damos a importância e muitas vezes vale a pena conhecer.  Nada melhor do que pesquisar em guias de viagens, opiniões de amigos, revistas especializadas de turismo e a internet, que se revela uma ferramenta poderosa para ajudar-nos a escolher o destino dos nossos sonhos.

4 – Quando ir: a melhor época para viajar

Isto dependerá exclusivamente de suas férias ou folga.  Se puder escolher o período de férias, emende com um feriadão para esticá-las.

É bom levar em consideração o período de alta e baixa temporada.  Quem tem filhos provavelmente só poderá viajar nos meses de férias escolares que são a alta temporada, onde tudo fica mais caro e a maioria dos lugares repletos.  A vantagem é encontrar comércio completamente aberto, horários de funcionamento do comércio mais abrangente, maior oferta de passeios, etc.

Já na baixa temporada, tudo é negociável, os custos reduzem de valor mas em compensação alguns lugares não terão o mesmo charme que em épocas mais movimentadas.  Seja por causa do clima ou porque o comércio abre sazonalmente.

5 – Traçando o roteiro

Você já sabe onde ir, com quem ir,  qual a melhor época para viajar e agora precisa traçar o roteiro.  Para isso, informe-se mais sobre os destinos: os lugares interessantes para conhecer, as comidas típicas, os lugares para compras, os arredores e atrativos culturais.

Nesta fase, definimos as datas de início e témino da viagem e também o percurso.  Ter um mapa em mãos facilita a visualização do percurso da viagem.

Por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro.  O que conhecer? O Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a praia de Copacabana, Ipanema, o Jardim Botânico, o Centro, o bairro da Lapa entre outros.  Se tiver mais um tempinho, dar um pulo em Niterói e conhecer o MAC, os fortes ou com mais tempo ainda, ir para a região dos Lagos.

Agora é colocar no papel as suas prioridades e verificar se há disponibilidade de tempo para fazer tudo isso.   O ideal é montar uma planilha com o roteiro planejado.

Carteira de Estudante:  Boa parte dos lugares oferece descontos para estudante.  No exterior, a mais conhecida é a Carteira Mundial do Estudante ISIC (International Student Identity Card).  Vale a pena associar-se pois sua viagem ficará mais barata.

O dia do 0800: Em algumas cidades do Brasil e do Mundo, há um dia em que os museus e algumas atrações são gratuitas.

Atividades culturais: Sempre confira antes o dia de fechamento e horário de abertura e encerramento de museus, palácios e outros locais de visitação.

Lembre-se:

  • Pesquise bastante, leia opiniões, anote dicas de lugares para compras mas tenha em mente que as opiniões são pessoais.  O que é barato para um,  pode ser caro para você!
  • O fato do seu amigo ter odiado lugar X e o passeio Y, não significa que você não vá gostar!
  • Roteiros não são para engessar a viagem. São mutáveis tanto no antes como no decorrer da viagem.
6 – Documentos necessários

Verifique se possui a documentação necessária para conhecer o seu destino. Se a viagem for nacional, tenha em mãos o documento de identidade. Se a viagem for internacional, verifique a exigência de passaporte e visto.

A – Cuidados com o passaporte: O passaporte brasileiro é um dos mais visados no Exterior.  Por quê? porque qualquer um pode ser brasileiro, não há um biotipo físico. Tenha sempre cópia online da folha de rosto do passaporte em seu e-mail e uma cópia colorida impressa e plastificada em mãos.  Serve para usá-la em caso de aluguéis de equipamentos como por exemplo, snorkel.  Assim você não precisa deixar o original.

B – Saúde do viajante: Há regiões do Brasil onde é recomendável a vacinação contra determinadas doenças.  Há países onde é exigido o comprovante de vacinação.  Um exemplo é a vacina contra a febre amarela. Países como Peru, Venezuela, Bolívia só permitem a entrada mediante a carteira internacional de vacinação.

No Rio de Janeiro, a UFRJ tem um Centro de Informação em Saúde para Viajantes, o CIVES.  Bastar agendar a entrevista e o médico o orientará com relação a quais vacinas tomar e outras medidas de prevenção.

Maiores informações sobre vacinação no site da Anvisa e no site da OMS, há uma lista atualizada dos países com risco de transmissão de febre amarela.

C – Seguro-saúde: Importante para nos prevenir de infortúnios durante a viagem, principalmente em casos de viagem ao exterior. Já pensou em quebrar um braço durante sua viagem? Um dor de dente? Está preparado financeiramente para gastar os tubos com as despesas médicas lá fora? A gente sempre pensa que nada de ruim nos acontecerá.  Às vezes, nos enganamos.

No planejamento de sua viagem, sempre inclua os gastos com seguro-saúde que ofereça cobertura médica e odontológica. É uma forma de viajar com tranquilidade e segurança, preparando-se para imprevistos.  E esteja certo que imprevistos acontecem.

Algumas operadoras de cartões de crédito oferecem seguro-saúde quando o usuário compra a passagem aérea com o cartão VISA Gold ou Platinum.  Informe-se.

O seguro-saúde é obrigatório em alguns casos como por exemplo os países da Europa que fazem parte do Acordo Schengen.

7 – Como chegar lá: os deslocamentos

Aqui você avalia como chegará ao seu destino: ônibus, carro ou avião?

Viajando de carro: Pesquise o melhor trajeto, se há pedágios, se a estrada é asfaltada, se é pista dupla.  Calcule o tempo de duração, quantas paradas irá fazer e lógico, o consumo de combustível.  A duração da viagem de carro deve se contabilizada “por fora” do roteiro. Exemplo:  eu estipulei ficar três dias em Ouro Preto mais levarei oito horas para chegar lá. Então, calcule a duração da viagem como cinco dias.

Se for alugar carro, esteja atento aos cuidados a tomar.

Ônibus: Ao decidir viajar de ônibus, saiba o tempo de viagem entre os lugares e quais as companhias que fazem o trajeto e os horários.  O site da ANTT tem informações úteis para quem viajará de ônibus.  Conselho: use o cinto de segurança!

Trem: Meio de transporte de passageiros praticamente inexistente no Brasil mas muito utilizado na Europa.  Viajar de trem é muito agradável!  É possível comprar as passagens nos sites das companhias.  Em geral, comprando passagens com duas semanas de antecedência consegue-se bons descontos.  Quem planejar conhecer uma parte da Europa viajando de trem, há a possibilidade de comprar o passe aqui mesmo no Brasil.   Infelizmente, eu não tenho como dar mais detalhes visto que quando eu fui, viajei mais de avião com as companhias low-cost do que de trem.

Avião:  A alternativa para viagens longas de ônibus é viajar de avião.  Em tempos de promoção de passagem aérea, para determinados trechos além de economizar tempo, há economia no bolso!

  • Viagens Nacionais – Em regra, quanto maior a antecedência da compra, menor será o preço da passagem.  É possível simular o valor nos sites das companhias aéreas, escolha sempre datas flexíveis pois a tarifa menor ás vezes estará em dias próximos ao que você pretendia. Para conseguir boas promoções, a primeira coisa a se fazer é acompanhar blogs como Aquela Passagem e Melhores Destinos, e verificar se não há promoção para o destino que escolheu. Outra dica é ir nos sites buscadores de passagens como o Decolar e o Submarino viagens.  Gosto de simular mas prefiro comprar no próprio site da companhia aérea. Fique de olho ao comprar passagens pelo Decolar pois há várias reclamações na internet desta companhia.
  •  Viagens internacionais - No Exterior, principalmente na Europa há uma infinidade de companhias aéreas low-cost (companhias que oferecem preços excelentese serviço espartano).  Há algumas pegadinhas como limite de peso de bagagem, voos em aeroportos distantes dos centros das cidades, impressão de bilhete pelo próprio passageiro mas no geral compensa e muito. Ainda mais em voos de curta duração.  Como descobrir passagens aéreas baratas?  Use os buscadores de passagens SkyscannerWegoloKayak e Flycheapo.

Se você nunca viajou de avião ou nunca comprou uma passagem aérea pela internet, clique aqui.

8 – Onde ficar: a hospedagem

A – Casa de parentes/amigos: A opção mais econômica porém amizades podem acabar por aqui dependendo de como for o período de sua estadia.  Por que eu falo isso?  Já cansei de ouvir reclamações de amigos que tem casa de praia que quando chega a época do verão, os parentes passam dias lá, aumentandos os gastos com luz, água e alimentação e não se oferecem nem para comprar um pão! Se for ficar na casa de parentes/amigos, seja razoável e ofereça-se para ajudar nas despesas na casa.  É quase certo você ouvir um não mas esteja preparado para ouvir um “sim”.  Caso a resposta seja “não”, faça um agrado como por exemplo, leve os parentes/amigos para jantar ou passear num lugar que eles não conhecem (isto é fato quando somos moradores.  Os turistas conhecem mais coisas do que nós. :-) )  É uma forma gentil de agradecimento.

B – Albergues: Se não se incomoda em dividir quarto com estranhos, se está viajando sozinho e quer fazer novas amizades e se o orçamento está curto, dormir em albergues é uma boa opção.   Desfaça a velha imagem de que albergue é bagunçado e de que só há jovens mochileiros.  Os albergues recebem pessoas de todas as idades e boa parte deles está preparado para receber casais e famílias.  Alguns diga-se de passagem melhores do muitos hotéis por aí.

Caso pretenda ficar em albergue, avalie se vale a pena fazer a carteira de alberguista, obtendo desconto na diária.  A lista de albergues do Brasil filiados a rede HI (Hostelling International) está no site.  No Exterior, há uma infinidade de albergues (hostels) independentes, tão bons ou melhores que os da rede HI.

Dependendo do destino e da época, seja necessário efetuar a reserva. Um excelente site para reserva em albergues é o Hostelworld.  Já usei no mochilão para Europa em 2009. Deu tudo certo. Para reservar será descontado 10% no cartão de crédito.  Leia a opinião dos usuários e veja o ranking dos hostels do lugar que visitará.

C – Pousadas:  Possuem infra-estrutura mais simples porém o clima é mais acolhedor que os dos hotéis.  No Brasil, as pousadas apresentam números modestos com relação a número de quartos e dimensões além de serem administradas de modo familiar.  Cada vez mais adquirem serviços que antes eram próprios de hotéis.

D – Hotéis:  Tem maior infra-estrutura e uma série de serviços como piscina, sauna, estacionamento, refeições, serviços de transporte, etc. Os hotéis são classificados de uma a cinco estrelas, de acordo com os serviços, conforto e luxo oferecidos.  Neste caso, o atendimento é personalizado.

O preço da diária de hotéis não está relacionado apenas ao tamanho do empreendimento e sua localização. Considera-se também os serviços complementares, o conforto e o charme. O diferencial é o que faz valer. Pousadas como a Maravilha e a do Toque são mais caras que muitos hotéis pelo país afora.

O conceito de hotel está cada vez mais amplo: há os hotéis-boutique, hotéis-fazenda, hotéis-spa, os resorts. Certamente, encontrará um que encaixe no seu perfil.

Dicas:

  • Peça opiniões de amigos e familiares.  Um site muito útil e com bastante credibilidade sobre resenha de hotéis é o Trip Advisor.
  • Antes de efetuar a reserva com o hotel/pousada veja se ele está associado a sites de reservas como o  Booking.com e Hoteis.com.  Pode estar mais barato do negociar diretamente.
  • Em baixa temporada, pode encontrar tarifas mais baixas se não efetuar a reserva.
  • Alguns hotéis oferecem traslado da rodoviária e do aeroporto. Confira.
  • Se você não consegue ficar desplugado, confirme se o hotel tem internet no quarto e se é wifi  ou não. Caso não seja, pergunte ao hotel se o mesmo fornece o cabo.
  • Experiência própria: pergunte sobre a periodicidade de troca das toalhas, a tensão das tomadas e existência de ar condicionado/aquecedor e frigobar.
  • É difícil encontrar aqui no Brasil mas não custa perguntar se o quarto é acarpetado.  Importante para quem viaja com ou é alérgico.

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