Teatro Colón, Caminito e Museu Carlos Gardel

6 abril 2011

A previsão de tempo para quinta-feira era de sol.  Então, como sexta é o dia de visita-guiada em português no cemitério da Recoleta, reservamos a quinta para ir ao Uruguai conhecer Colonia del Sacramento, uma cidadezinha que dizem ser a Paraty uruguaia.   É um dos bate-e-volta (daytour) mais realizados pelos turistas por aqui.

Com as andanças dos dias anteriores, descobrimos que a Buquebus, uma das empresas que fazem o trajeto Bs As – Colonia, tem seu escritório na calle Córdoba, bem perto aqui do hotel.  Sem querer, encontramos os escritórios da Colonia Express e a Seacat, as concorrentes.  O daytour da Colonia Express inclui os bilhetes de barco rápido, visita guiada e café-da-manhã. Preço:  228 pesos.  A Seacat por 20 pesos a mais oferecia categoria superior mas não oferecia café-da-manhã.  A Buquebus possuía a maior loja, era a mais cara (não lembro o preço agora) e tinha o atendimento péssimo.  Simplesmente a recepcionista pediu para aguardarmos o vendedor.  Passaram mais de quinze minutos, a fila aumentando e nada do vendedor chegar.  Fechamos com a Colonia Express.

Passeio de amanhã garantido, então fomos fazer a visita-guiada ao teatro Colón.  Eis que ao tentar fotografar uma fonte, verifico que estava sem o cartão de memória!  Tivemos que voltar ao hotel.  Quando chegamos ao Colón uma fila enorme.  Tomei um susto pois não acreditava que era para fazer as visitas-guiadas.  Ao chegar o portão e devido a pequena confusão, conseguir com certa dificuldade falar com o guarda, entramos e compramos o tour para daqui a duas horas.  Eis que eu tenho a excelente idéia de pegar um táxi e irmos para o Caminito.  Difícil achar o ponto correto de pegar o táxi.  Eis que pegamos o táxi que desembarcou uma senhora (#neura-de-ser-enrolada-por-taxista) e depois de um engarrafamento básico no Centro, chegamos ao bairro de La Boca.

Caminito

Da primeira vez, eu não gostei. Mas como era a primeira vez da minha amiga, fomos lá.  Já havia ônibus de excursão.  O colorido das casas é atraente.  Sacadas com bonecos de Diego Maradona, Evita e Juan Perón chamam a atenção. Dançarinos de tangos aproximam-se dos turistas e perguntam se querem tirar uma foto. Eis que um dançarino de tango vestido com seu terno risca de giz e a indefectível rosa vermelha pergunta o mesmo para mim. Pensei… e recusei.  Até hoje me arrependo de não ter este recuerdo!

O Teatro Colón

Faltava 40 minutos para a visita-guiada.  Tínhamos que correr.  Não aparecia táxi, então pegamos um ônibus (bus 29) para a avenida 9 de julio.  Infelizmente, chegamos 15 minutos atrasadas.  Lá fui eu falar com a balconista que chegamos atrasadas.  Ela disse que não conseguia acreditar. Pediu para esperarmos.  Passam-se mais 5 minutos e ela nos leva até o grupo, que estava na sala antes de conhecer o salão dourado.  Aqui eu também posso dizer que valeu a pena repetir o passeio.  Isto porque como a orquestra estava ensaiando, a guia não pode tecer todos os comentários no interior do teatro.  Na verdade, todos estavam proibidos de fazer barulho mas tivemos o privilégio de ouvir por um bom tempo o ensaio da orquestra e perceber o quão maravilhosa é a acústica do teatro.  Fiquei boquiaberta quando a guia disse não havia microfones! Saí de lá novamente encantada com a suntuosidade do Colón.  A visita é realmente imperdível.

O bairro de Abasto e o museu Carlos Gardel

Antes de irmos para o bairro de Abasto, passamos pela calle Lavalle para comer.  A calle Lavalle é outra rua de pedestres no Centro.  Geralmente, no cruzamento entre Lavalle e Florida, há sempre um casal de tango se exibindo e depois passando o chapéu para recolher doações.  Bem divertido.   Além disso, há vários restaurantes, cujos garçons ficam chamando possíveis fregueses.  Almoçamos no Gaucho Lavalle, um prato quase brasileiro: bife de chorizo, fritas, salada, molho a campanha e arroz. Que saudades do arroz!  Valor incluindo gorjeta: 80 pesos.  Gostamos e recomendamos.

Pegamos o SBTE linha C e descemos na estação Carlos Gardel.  Na saída do metrô demos de cara com o imenso Shopping Abasto.

Off-topic: Praticamente na esquina com o shopping Abasto há uma loja da Montagne.  A Montagne é uma loja de equipamentos para trekking e montanhismo.  O outlet fica na Av. Córdoba, em Palermo Soho.  Também há uma filial na Calle Florida.  Fica aqui a dica para compra de roupas para o frio.

Esquina Carlos Gardel, Calle Carlos Gardel e Museu Carlos Gardel

Perto do shopping, vimos onde fica o Esquina Carlos Gardel, casa de tango que foi elogiada pelo casal de Brasília que conhecemos no Jardim Japonês.  Lá obtive a informação que o valor do tango-show incluindo o jantar é de ARS 300,00.  Achamos caro e decidimos deixar este tango para uma próxima visita mesmo parecendo um mais demorado e mais sofisticado que aquele que assistimos nas  Galerías Pacífico.  Ao lado do Esquina, uma estátua de Carlos Gardel.  Estamos na Calle Carlos Gardel.

Estava quase na hora de fechar mas tivemos tempo de conhecer um pouco o museu Carlos Gardel.  Às quartas, a entrada é gratuita mas a atendente sempre sugere uma pequena contribuição.  O que hoje é museu, no passado foi a casa que Gardel deu de presente a sua mãe. Fica a poucas quadras do shopping Abasto.  Particularmente, achei o museu bem pobre para alguém que é um grande ícone para a Argentina.  Faltam artigos, mais documentos, talvez uma boa reforma na casa ou até um espaço maior.   Agora, para mim a maior surpresa foi saber que o compositor de tangos famosos como os famosos tangos “Mi Buenos Aires Querido”, “El día que me quieras” e “Por Una Cabeza” era um brasileiro:  Alfredo Le Pera.  Le Pera também morreu no acidente de avião junto com Gardel e mais 16 pessoas na cidade colombiana de Medellín.  Outra coisa interessante no museu é uma saleta onde se passa filmes do cantor.

Abasto e Carlos Gardel: (1) estátua e o shopping Abasto ao fundo; (2) e (3) Rua Carlos Gardel e (4) Casa de Tango Esquina Carlos Gardel.

(1) Entrada do museu; (2) e (3) Mosaico encontrado em muros de casas em rua adjacente ao museu.

A região do Abasto parece ser bem agradável.  Nas ruas próximas ao museu, encontramos várias referências ao tango. Fiquei encantada com dois mosaicos do famoso cantor feito nos muros de duas casas: um preto e branco e o outro colorido.  Muito bonito.

Onde encontrar

Museu Carlos Gardel: Jean Jaures 735 – Abasto
Esquina Carlos Gardel: Carlos Gardel, 3200 – Abasto
Shopping Abasto: Av. Corrientes, 3247 – Abasto

Quem converte, não diverte

Táxi Obelisco até o Caminito: ARS 14,00
Ônibus 29 (Caminito – Av. 9 de Julio): ARS 1,20
Visita guiada Teatro Colón: ARS 60,00
Almoço (Gaucho c/Lavalle): ARS 80,00
SUBTE: ARS 1,20
Entrada sugerida Museo Carlos Gardel: ARS 5,00
Cartões-postais (6 unidades): ARS 20,00

4 Comentários

  1. SANDRA MOITINHO disse:

    Gostei muito das suas dicas, eu já estive lá um fim de semana e. Só deu pra aproveitar tudo, fizemos vários passeios com muita correria. Não deu pra assistir um show de tango.Agora voltarei lá e vou aproveitar suas dicas de passeios.

    • Pat Alves disse:

      Oi, Sandra! Que legal que você gostou. Eu já havia dito para amigos que não pisaria em Buenos Aires tão cedo (já fui 3 vezes e o mundo é muito grande para repetir lugares). Eis que pagarei a minha língua mês que vem.

  2. Lucas disse:

    Muito bom seu texto e fotos. Facilidade da leitura, bom equilíbrio fotos/texto e objetividade descritiva são características admiráveis de boa escrita. Parabéns

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