Recoleta, San Telmo e Piazzolla Tango

8 abril 2011

Um passeio pela Recoleta

O dia amanheceu nublado.  Torci para aparecer o sol pois preferi arriscar e assim não levei ao menos o cachecol.  Hoje o dia era para visitar o bairro da Recoleta, iniciando pela visita guiada em português ao Cemitério da Recoleta às 11h, segundo os meus manuscritos.

Pegamos o ônibus 17 para a Recoleta.  Ponto de ônibus na rua atrás a calle Maipu, pertinho do hotel.  Descemos no ponto final, próximo a Faculdade de Direito.  Pouca gente nas redondezas além dos estudantes.

Fomos direto ao Cemitério da Recoleta e como eu estava desconfiada, não havia a visita guiada em português.  Um homem ofereceu seus serviços de guia. Não aceitamos.  Também não pegamos um mapa que é oferecido por uma moça já na entrada do cemitério com o mapa.  Os “gringos” deram 10 pesos pelo mapa.  Nós preferimos entrar e seguir o fluxo.  É verdade o que dizem que no cemitério da Recoleta há verdadeiras obras de arte. Preferimos ir diretamente ao túmulo de Evita, tirar as fotos e sair.  Pedi auxílio a um funcionário e ele gentilmente indicou o caminho.   Algumas pessoas estavam acompanhadas de guias.  Algumas pessoas que em minha opinião são completamente “sem-noção”, tiraram fotos sorrindo em frente ao túmulo.  OK, cada um faz o que quer mas eu achei fora de propósito.

Saímos do cemitério e começamos a observar a movimentação de pessoas. Já passava das onze horas e os ônibus com turistas haviam chegado.  Seguimos para a igreja Nuestra Señora del Pilar, ao lado do cemitério.  Olhei o interior e saí.  Andrea permaneceu e tirou várias fotos das esculturas e do altar.

A calle Junín ainda tem o Centro Cultural Recoleta. No passo que entramos, saímos porque o centro só começa a funcionar a partir das 14:00!  Tarde, não?  Também achamos. Eis que havia um rapaz tentando tirar uma foto sua e eu me ofereci para fotografá-lo.  Perguntei em inglês. Ele fez cara de não entendeu. Veja só o diálogo surpreendente:

__ Spanish? – eu pergunto.
__ No.
__ English? – eu perguntei novamente, curiosa.
__ No.

A esta altura eu fiquei me perguntando que diabos de língua o homem falava. Segundos de suspense. Ele responde que fala português.  Ufa!  Demos risadas.  Tirei duas ou três fotos, ele agradeceu e seguiu seu caminho.  Nós, fomos para o Buenos Aires Design.

O Buenos Aires Design é um shopping voltado para o design (dããã!!!) com lojas interessantes voltadas para decoração, artigos de escritório, tudo o que possa imaginar. Gostei muito da loja Morph e de um quiosque que vende mantas para sofá. Estampas diferentes, difícil de ver aqui em terra tupiniquim. Dentro do shopping, há uma filial do Hard Rock Café. Não conhecemos. Preferimos tomar um café em um dos quiosques.

Faltava uns quinze minutos para dar meio-dia, então resolvemos matar o tempo e ir para o Museo Nacional de Bellas Artes. No domingo, o museu estava cheio e tínhamos horário curto pois havíamos comprados ingressos para o tango no Centro Cultural Borges. Chegamos ao museo e eis que deparamos com as portas fechadas! O museu só abre a partir de meio-dia. Daí a dúvida: vamos esperar ou não?

Não esperamos. Preferimos pegar o ônibus para Palermo e almoçar no excelente restaurante Cluny.

Antes de pegar o ônibus mais uma parada para fotos em frente a Floraris Genérica e a Faculdade de Derecho.

No lugar onde descemos do ônibus 17, é também ponto final de várias linhas de ônibus. Pegamos o bus 64 para Palermo. Descemos na Plaza Italia e andamos vários quarteirões até chegar ao nosso queridinho Cluny. Novamente, pedi agora como entrada, a salada caesar. E como prato principal, frango com batatas cozidas e outros ingredientes como milho que eu abri mão. Andrea pediu ravioli de espinafre que segundo ela, estava saboroso. Fomos muito bem atendidas. Agora, percebemos que precisamos estudar mais espanhol pois sentimos dificuldade de entender o menu! Por causa disso, usamos e abusamos da garçonete.

Av. Córdoba e os outlets

Eu queria comprar algumas roupas de frio e soube que o outlet da Montagne fica na Av. Córdoba em Palermo. Andamos algumas boas quadras, achei a loja, os modelos que eu queria mas não tinha o meu tamanho 3G. 🙁 Voltamos e pegamos o ônibus para Puerto Madero.

Puerto Madero e o Metro Ligero

Da primeira vez que estivemos em Puerto Madero, deixamos a lei de Murphy funcionar e a bateria da minha câmera mais a memória da outra cheia nos impediu de fotografar este lugar pra lá de aprazível. Enfim, voltamos. Andamos pelas ruas do bairro, vemos o transitar das pessoas.  Definitivamente, Puerto Madero é o lugar que eu mais gosto de Bs As.

Tivemos a idéia de passar no bondinho. Na verdade, o metro ligero. Metro ligero é um “bonde” que percorre somente o bairro de Puerto Madero. Há quatro estações. Entramos na penúltima e descemos na —, só para conhecer o sistema.  É similar a alguns países da Europa: não há bilheterias.  Nas estações há uma máquina em que você seleciona o destino. Aparece o valor da passagem e você deposita moedas para pagar. A máquina devolve o troco e um bilhete com as informações da estação original, o valor da passagem e a data.  Nem pense em dar uma de espertinho, pois em cada estação aparece um fiscal pedindo para ver suas passagens.  Descemos na última estação e seguimos ao Centro. A intenção era trocar algum dinheiro para ter mais moedas e conhecer rapidamente o bairro de San Telmo.

San Telmo e a estátua de Mafalda

Andamos pela calle San Martín e paramos na Plaza de Mayo.  Pegamos o primeiro ônibus para San Telmo.  Destino: calle Defensa esquina com .  É lá que está a Mafalda. Eis que perdemos o ponto e tivemos que andar um pouco.  Quando chegamos a calle , vimos vários restaurantes com suas mesas e cadeiras nas calçadas. Gostei do clima da rua. Uma primeira olhada e nada da Mafalda. Somente numa olhadela mais apurada que vimos a pequenina sentada num banco. Muito fofa! Tiramos fotos para guardar de recordação e seguimos para Plaza de Mayo a pé. Pelo pouco que vimos de San Telmo, pareceu ser um bairro agradável.

Show de tango: Piazzolla Tango

Queria terminar a excelente viagem como na primeira: com algo memorável. A nossa intenção era assistir um show de flamenco no Centro Cultural Borges. Não havíamos comprado o ingresso ainda. Andando pela Calle Florida (praticamente intransitável de tão lotada que estava!), entramos na Galeria Guelmes e perguntamos o preço do tango no Piazzolla Tango. A balconista respondeu que custavam cem dólares com direito a transfer, jantar, bebidas à vontade e o show, claro. Uau! Caríssimo! Lembrei que eu poderia ter pedido o desconto no site Cartas Argentinas mas comi mosca. Então, lembrei da Cartelera. A Cartelera é um local na calle Lavalle onde você compra ingressos para shows e teatro com desconto. Vocês acreditam que o tango-show no Piazzolla sairia pela bagatela de 160 pesos?! A única diferença é que não havia traslado. Perguntei a amiga se ela abdicaria do flamenco para assistir o tango. Ela concordou e lá foram os nossos pesos. O vendedor falou que não teríamos direito a bebidas nem a tranfer. O jantar começariam às 20:30 e o show às 22:00. Imagine que eram quase 19:00 e eu ainda tinha que comprar os casacos e os alfajores mas para isso eu teria que sacar o dinheiro já que a esta hora as casas de câmbio estariam fechadas. Foi uma correria mas deu tudo certo!

Chegamos pontualmente ao teatro do Piazzolla.  Seguindo ao subsolo do teatro – por sinal, muito bonito – entregamos os bilhetes a uma mulher que confere em uma lista os nomes e os assentos.   Sentamos próximas a entrada que ainda assim dava uma boa visão do local.  Outra coisa que verificamos é que estávamos meio simplesinhas para o show. Não éramos as únicas.  Aliás, tinha de tudo. Desde pessoas mais simples como nós até pessoas vestidas como se fossem a um baile de gala. Outras se destacavam na multidão pois pareciam que seriam dançarinas do show, o que fez a gente rir bastante com alguns tipos.  Mas isso é off-topic.

Após você ser levado à mesa reservada, o garçom apresenta o menu. É oferecido entrada, prato principal e sobremesa. Você deve escolher previamente tudo o que deseja comer porém o serviço será “a francesa”.  Quanto às bebidas, escolhi água e refrigerante.  Minha amiga pediu vinho e tomou um susto quando a garçonete veio com uma garrafa do Malbec.  O que rendeu momentos tensos e depois hilários pois achávamos que custaria uma fortuna já que não havia os preços no menu.  Nada! Estava tudo incluído… O rapaz da Cartelera nos informou erradamente.

Um casal vestido de dançarinos de tango mais um fotógrafo convidas as pessoas a tirar uma foto com eles sem compromisso.  Ao final do show, os garçons vão a mesa trazendo a conta e a foto.  Não sei quanto cobram pois não fomos convidadas a tirar a foto. 😉

O jantar estava ótimo.  O atendimento é rápido. Passamos os momentos antes do show apreciando a boa comida e o interior do restaurado teatro Astor Piazzolla. Pena que as fotos não retratem a beleza do lugar!

Sim mas e o show?  Ah, o show foi ótimo.  É mais sofisticado que o Centro Cultural Borges. Percebe-se pelos figurinos e iluminação.   Mas apesar disso, não sei dizer qual o que mais gostei pois o do Borges foi bem participativo e o público é diferente (mais argentinos que turistas).  Só sei que volto a Bs As em breve.  Fechamos com chave de ouro.

Gafes Portunholísticas do dia

No menu, estava escrito vino, água o refresco.  Eu perguntei a garçonete se eles não ofereciam gaseosa. Ela disse que sim. Refresco no espanhol portenho significa refrigerante!

Quem converte, não diverte

Ônibus 17: ARS 1,20
Ônibus 64: ARS 1,20
Metro ligero: ARS 1,10
Almoço no restaurante Cluny (entrada + prato principal): ARS 65,00
Alfajores Havanna (caixa com 6 unidades): ARS 27,00
Show de tango no Piazzola Tango (sem direito a transfer): ARS 165,00

14 Comentários

  1. Andréa disse:

    Olá Carla!Adorei a dica do Carterela.Vou pra Buenos Aires em outubro 2014 e certamente a entrada para o Piazolla deve tá mais caro,porém a dica é valiosa. Depois de algumas pesquisas,encontrei o show com o jantar por 65 dólares o mais barato. Acredito que no Cartelera saia bem mais em conta, não é? Com relação a andar de ônibus é tranquilo?

    • Pat Alves disse:

      Oi!
      Das três vezes que fui a Buenos Aires fiquei hospedada no Centro e voltava para o hotel andando. Não achei perigoso na época.

    • Pat Alves disse:

      Andréa,
      Eu achei tranquilo andar de ônibus. Fui mais por conta da minha amiga que não gostou do metrô de lá. Em 2011, os ônibus tinham aspecto de serem antigos. Em 2013, nós usamos muito o táxi por ser barato. Com todo o cuidado para não receber notas falsas. Então, dá para usar tudo. Como já tem um ano desde a última vez que eu fui, é bom procurar por dicas mais recentes.

  2. carla disse:

    olá! parabéns pelo site! Gostaria de tirar uma dúvida, estou montando meu roteiro e quero incluir o tango no Piazzola, é somente para o final de semana do feriado de 15 de novembro, será que preciso ficar com medo de não haver mais lugar pra comprar no dia? Só acho na net pelo valor de 90 dolares, no mínimo e como falou que conseguiu por 165 pesos, seria um valor muito melhor! rs obrigada! bjos

    • Pat Alves disse:

      Carla,
      Estes valores são de 2011. Veja a data do post. A inflação anda à solta na Argentina. Fui para Buenos Aires de novo agora em maio e paguei 300 pesos na Cartelera. A única diferença é que não tem direito a transfer. Não se preocupe, não precisa comprar nada com antecedência. Fui no Tango Maduro está vez mas eu continuo preferindo o Piazzolla.

      Leve dólares. Está sendo muito vantajoso.

  3. Muito bom seu site! Suas dicas nos serão valiosas!:-)

  4. Heloisa Xavier disse:

    Oi, você não imagina como suas dicas estão ajudando a montar meu roteiro para Bs As muito obrigadaaa!

  5. Helen disse:

    Parabéns pelo site! Você não sabe como me ajudou!!! Estou com viagem marcada para BsAs em janeiro/2012 e tenho pesquisado em tudo quando é site sobre informações turisticas e o seu me acrescentou muito! Obrigada!
    Beijão.

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