9° Dia – Roteiros em Berlim

19 maio 2009

Aproveitei o dia ensolarado para percorrer com calma o roteiro do tour e visitar os museus em que o grupo só passou pela pela porta.

Conhecendo Berlim a pé

  1. Reichstag, o parlamento alemão.
  2. Portão de Brandenburgo
  3. Monumento à Memória dos Judeus da Europa Assassinados
  4. Bunker do Hitler
  5. Ministério da Força Aérea
  6. Muro de Berlim
  7. Museu Topografia do Terror
  8. Checkpoint Charlie
  9. Gendarmenmarkt
  10. Bebelplatz
  11. Unter den Linden
  12. Ilha dos Museus
  13. Berliner Dom
  14. Alexanderplatz e a Torre de TV

Fatos, fotos e impressões dos lugares onde andei

1 – Ponto de partida: Reichstag

O parlamento foi construído no final do século XIX. Foi incendiado em 1933 pelos nazistas para incriminar os comunistas e novamente atacado no final da Segunda Guerra pelos russos. No final dos anos 90, foi remodelado e ganhou uma cúpula de vidro. A entrada para a cúpula de vidro é gratuita e está aberta diariamente, das 8h às 24h. Última entrada: 22h.

Na entrada do edifício há a frase “Dem Deutscher Volke” que significa “Ao povo alemão”.

O Parlamento alemão é o parlamento mais visitado do mundo.

2 – Portão de Brandemburgo (Brandenburg Tor)

Servia para passagem da comitiva real do Palácio Real ao seu jardim, o Tiergarten. Sua construção do portão foi ordenada pelo rei da Prússia,Frederico II. Em cima do portão, está a Quadriga, estátua de uma deusa grega numa biga com cavalos, que originalmente simbolizava a paz.

A Quadriga nem sempre esteve sobre o portão. Em 1806, Berlim foi invadida por Napoleão e este enviou-a para Paris. Anos mais tarde, o rei Frederico Guilherme III, após a Guerra da Libertação, trouxe-a de volta e ordenou que acrescentasse uma cruz e uma águia como símbolo da vitória.

3 – Monumento à Memória dos Judeus da Europa assassinados

Foi construído entre 2003 e 2005, baseado nos planos do arquiteto Peter Eisenman. O monumento pode ser percorrido todo a pé. No subsolo, há um centro com informações sobre as vítimas, os locais de extermínio e a localização dos memoriais que existem atualmente.

Curiosidade:
A construção do memorial foi alvo de controvérsias. Visto que Berlim é a capital do grafite para proteger o monumento das pichações seria necessária uma cobertura anti-pichação para os blocos de concreto. Quem ganhou o contrato foi a empresa Degussa AG que era uma empresa de um grupo que fornecia uma substância utilizada nas câmaras de gás. As obras foram paralisadas. Um escândalo. Segundo a guia, o Governo optou por continuar as obras, a empresa cedeu o material e em contrapartida construiu um memorial no seu subterrâneo e não cobraria ingresso. De fato, a entrada é gratuita.

De todos os museus e memoriais que vi até agora, este foi o mais impactante pois além de contar fatos históricos há duas salas, ambiente escuro, onde vi pessoas sairem de lá com os olhos mareados. Também pudera: uma das salas mostra trechos de cartas que os prisioneiros dos campos de concentração escreviam. É de cortar o coração, é de se revoltar, é de perguntar para Deus porque deixou isso acontecer, é um momento tão introspectivo!

Em uma das cartas, o filho se despede do pai com certeza de que nunca mais irá vê-lo.Na outra sala, há vários painéis que contam histórias das famílias que foram separadas e destruídas pelos Terceiro Reich. Começa-se a ler a história, ver as fotografias das famílias, de forma envolvente para depois dar de cara com o destino trágico de todos, com raríssimas exceções.
Já o primeiro ambiente que os visitantes vêem conta em ordem cronológica, os acontecimentos que antecederam o Holocausto. Desde a convenção de Nuremberg onde foi promulgada uma lei que proibia o casamento entre judeus e não-judeus até a conferência de Wansee, onde Hitler decidiu que todos os judeus da Europa deveriam ser exterminados.

O ambiente inicia-se com uma frase de Primo Levi, membro da resistência italiana que foi deportado para Auschwitz mas sobreviveu.

“It happened, therefore it can happen again: this is the core of what we have to say”.

Primo Levi suicidou-se em 1987.

O que mais me assustou aqui foram os números. Quatro milhões de poloneses mortos. Que ato insano! Os poloneses eram levados para os ghetos em péssimas condições de habitabilidade, mas mesmo diante disto continuaram a passar paras as gerações futuras a cultura, a educação, os costumes… Então, os nazistas perceberam que isso poderia ser um problema no futuro e retiraram as pessoas dos ghetos, para serem mortas diretamente em Auschwitz, em sua grande maioria. Também há duas fotos chocantes: uma mostra sobreviventes diante de um valão de mortos em consequencia do tiroteio promovido pelos soldados nazistas. Não havia escapatória. Quem sobrevivia, momentos depois eles atiravam novamente para matar. A outra foto mostra uma mullher sendo humilhada em praça publica, agora não lembro direito mas porque ela tinha um namorado judeu. Então, ela teve seus cabelos cortados. Horrível.

Saí do centro do Memorial como se tivesse carregado um grande fardo. Reparei que todas as pessoas saíram dali num silêncio pertubador.

O que mais me chateia que há turistas que ainda têm a capacidade de tirar foto sorrindo diante de memoriais assimm. É uma falta de respeito com as famílias dos mortos!

4 – Bunker de Hitler

Já sabendo de todas as implicações de uma guerra mundial, Hitler ordenou que se construísse os bunkers. Bunker era uma abrigo subterrâneo contra ataques aéreos. Possuía vários cômodos como salas de reuniões, sala de jogos, etc. Com o desenrolar da guerra, o centro de tomada de decisões passou a ser lá. Hitler e sua esposa, Eva Braun acabaram com suas próprias vidas no bunker, dias antes de terminar a guerra.

O bunker foi completamente demolido dar lugar a um complexo residencial. A Alemanha nunca quis fazer qualquer menção à localização do bunker para não servir de estímulo aos simpatizantes do nazismo. Porém, durante a copa da Alemanha, vários turistas perguntavam sobre a localização do bunker. Então, decidiu-se colocar um painel informativo. Nada mais além disso.

 5 – Ministério da Força Aérea do Reich (Reichsluftfahrtministerium)

O atual edifício do Ministério da Fazenda, na década de 30 era o Ministério de Transportes Aéreos. Isso era só fachada. Na verdade, o prédio era do Ministério da Força Aérea.

Uma das decisões que a Alemanha deveria cumprir depois da Primeira Guerra Mundial é que a mesma não deveria ter exército. Então, oficilialmente, não se poderia assumir publicamente que a Alemanha tinha Força Aérea.

No dia do free tour, haviam pessoas limpando manchas de tinta ocasionadas por um protesto acontecido na semana anterior, segundo a guia.

6 – Muro de Berlim

Com o fim da Segunda Guerra, a Alemanha foi dividida em quatro áreas: EUA, França, Grã-Bretanha e União Soviética passaram a administrar cada área. Com a cessão das áreas pelos países aliados e com a ascensão da Guerra Fria, o muro de Berlim foi construído em agosto de 1961 para só cair em 10 de novembro de 1989. Berlim assim comoo mundo estavam assim dividida em duas partes: o lado Leste, liderado pela União Soviética e formado pelos países socialistas e o lado este, formado pelos países capitalistas e liderado pelos Estados Unidos.

Com a fragilização do Socialismo e as reformas feitas na URSS dirigidas por Mikhail gorbatchev, o muro de Berlim veio a ser derrubado em 10 de novembro de 1989.

Como caiu o muro de Berlim?

A decisão de derrubar o muro na verdade foi ocasionada por um mal-entendido do membro do SED Schabowski numa conferência de imprensa. Este anunciou ao responder a pergunta de um jornalista que as fronteiras estariam abertas imediatamente. A conferência estava sendo transmitida ao vivo pelo rádio. Esta informação deveria ser publicada no dia seguinte. Diante da euforia dos jornalistas e do comunicado nas rádios e na TV do lado ocidental, milhares de pessoas foram às fronteiras pedir a abertura das fronteiras. Os soldados nada puderam fazer. A notícia se espalhou rápido, a cidade entrou em festa e uma multidão foi para o Portão de Brandemburgo, muitos ficaram em cima do muro (sem trocadilhos), resultando numa imagem que entrou para a História.

7 – Museu da Topografia do Terror (Topografies des Terrors)

O futuro museu, hoje é uma exposição a céu aberto sobre os crimes cometidos pelos Terceiro Reich. A maioria das decisões sobre humilhações, terrorismo e extermínio foram tomadas neste terreno da antiga Prinz-Albrecht strasse (hoje Niederckestrasse) com Willheimstrasse, onde ficava o quartel-general das lideranças da SS e da Gestapo.

 8 – Checkpoint Charlie

Checkpoint Charlie era o posto militar para passagem de estrangeiros e membros das Forças Aliadas da Alemanha Ocidental para a Oriental.

O nome Charlie tem a ver com o alfabeto fonético internacional. Este era o posto C, que no alfabeto fonético é chamado de Charlie. Haviam outros dois postos, o Alfa (A) e o B (Bravo). Era um símbolo da Guerra Fria, separando os lados Leste e Oeste. Hoje é atração turística e tem um painel onde há a foto de um soldado russo e no verso, um soldado alemão. Ah, tem também dois soldados: um representando a antiga URSS e o outro representando os EUA. Não são soldados reais! São apenas pessoas querendo ganhar um dinheirinho cobrando um euro para você tirar uma foto com eles.

 O engraçado é ver como o Muro de Berlim ficou comercial: além de ter milhares de cartões postais com “um pedaço legítimo do Muro de Berlim”, também perto do Checkpoint Charlie há um camelô vendendo aquelas boinas típicas de militares russos. Lembra do comercial do netcombo? É igualzinho!

Não parece mas Berlim está comemorando 20 anos da queda do Muro de Berlim. Estou ficando velha! Eu me lembro como se fosse ontem do Bial no jornal Nacional noticiando o fim do muro. Pessoas em cima do muro na parte que fica de frente ao portão de Brandemburgo. Em vários cantos da cidade, há exposições sobre a fase da Alemanha pós-Segunda Guerra: Alexanderplatz, Zimmerstrasse (próximo ao Checkpoint Charlie) e outros. E para não sair da memória, o Governo fez em vários lugares uma marcação no chão para que as pessoas não esqueçam que ali já existiu um muro.

 

Quanto ao museu Checkpoint Charlie (estou sendo repetitiva) há bastante informação sobre o período da Guerra Fria. Folhetos, jornais da época, uniformes, carros e vários frutos da imaginação de pessoas que tentaram atravessar a fronteira, bem sucedidas ou não.

A tentativa mais genial foi de dois irmãos que fugiram num avião montado por eles. Como eles eram três e só podia levar apenas dois deles. Houve um primeiro vôo. Depois um dos irmãos voltou no avião para buscar o que ficou. Não conheciam nada de aeronáutica. Impressionante. A mais sem-vergonha foi de um homem que se viu separado de sua esposa pelo muro. Então, ele um dia conheceu uma garota da Alemanha Ocidental que parecia muito com sua esposa e passou a namorá-la. Numa distração da menina, ele roubou o seu passaporte e conseguiu com que sua esposa atravessasse a fronteira. A garoto botou a boca no trombone e o meliante foi preso.

9 – Praça Gendarmenmarkt

Era a praça mais famosa nos tempos de Frederico II e nela estão: a catedral francesa, a catedral alemã e a casa de concertos.

Curiosidade: A catedral francesa, de origem católica, é a mais antiga. Os protestantes, enciumados, resolveram também resolveram construir uma catedral para não ficarem para trás. No meio do quarteirão tem a estátua de Schiller e os musos. Sim, musos porque Schiller era homossexual.

Os sobrinhos do rei Frederico, inspirando-se na Piazza degli Popollo, em Roma, mandaram colocar estátuas nas duas catedrais formando uma simetria, tal qual a praça italiana.

 10 – Unter den Linden

É a avenida mais famosa da cidade. Unter den Linden significa “Por baixo das tílias”. Tília é uma árvore. Nesta avenida estão a Universidade Humboldt, a catedral Berliner Dom, o Portão de Brandemburgo e a Ópera do Estado.

Universidade Humboldt

Uma das universidades mais importantes da Alemanha. De lá saíram 29 prêmios Nobel! Teve como alunos ilustres Max Planck, Albert Einstein, Marx e Engels. Foi da biblioteca desta universidade que 20 mil livros considerados subversivos pelos Nazistas foram queimados na Openplatz.

Neue Wache

O antigo edifício da Guarda Prussiana hoje é o Memorial central da República Federal da Alemanha das vítimas da guerra e da tirania.

O topo do memorial é aberto para que quando chova, as águas se choquem com a escultura simbolizando o choro de uma perda.  Em frente à Bebelplatz.

11 – Bebelplatz

Na antiga Openplatz estão a Catedral de Berlim, a Ópera do Estado e a biblioteca da Universidade Humboldt.

Aqui aconteceu a queima de livros, uma demonstração de força do movimento nazista. No local, há um memorial sobre o episódio – uma placa com a frase do poeta Heinrich Heine dita em 1820, que é:

“Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen”

(”Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas”).

Henri Heine

O memorial é uma placa de vidro no chão da praça. Se olhar, verá estantes vazias, significando o vazio deixado naquele noite e o vazio por qual passou a Alemanha durante o período nazista.

12 – Ilha dos Museus (Museuminsel)

É uma ilha às margens do rio Spree que se chama assim por nesta áerea estão localizados os museus:

  • Pergamon Museum
  • Altes Museum
  • Neues Museum
  • Bode Museum
  • Alte Nationalgalerie

Além do parque Lustgarden e da igreja Berliner Dom.

Lustgarden

Em português, significa “Jardim das Delícias”. Nesta praça, estão o Berliner Dom e o Alte Museum.

Museu do Pérgamo

É imperdível. Tem mais de 10 mil obras gregas resultados de escavações arqueológicas de alemães. O salão de entrada é triunfal: Templo de Parthenon. Altar do Pérgamo.

O outro grande destaque é a Porta de Ishtar, dos tempos da Babilônia.

Uma parte do museu vem dedicar ao sucesso da mostra de 200 peças do Pergamon no Brasil. A mostra “Grandes Deuses” foi a mostra sobre arte grega mais visitada na América latina. O sucesso foi tão grande que a mostra foi apresentada em Niterói. Fiquei orgulhosa. É o que eu venho falando para os gringos: o Brasil não gosta só de samba e futebol.

Berliner dom

 

 13 – Alexanderplatz e a Torre de TV

A torre de Tv da Alexanderplatz é a segunda maior torre da Europa. De lá tem um vista panorâmica da cidade de Berlim.

 


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2 Comentários

  1. sonia disse:

    Pena que o Bunker foi detruido. Assim poderiamos ver o chiqueiro que aquele porco morreu

    • Pat Alves disse:

      Sonia,

      Segundo a guia, ela disse que o Governo decidiu destruir pois mantê-lo preservado ajudaria aos radicais transformá-lo numa espécie de lugar cultuado. Eu gostaria de ter conhecido o bunker mas creio que ela tenha razão.

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